quinta-feira, abril 26, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Uma rotina
Felipe Recondo, Blog do Noblat

Pelo que disse hoje em audiência na Câmara o ministro da Defesa, Waldir Pires, a crise no setor aéreo ainda levará muito tempo para ser solucionada.

Pires disse que o caos é fruto de falta de equipamento, de pessoal. E que isso é normal:

- Temos uma crise decorrente de fatores que têm de ser vencidos e modificados e estão sendo (...) Temos problemas de recursos humanos, problemas de equipamentos. Num país em desenvolvimento isso é uma rotina.

O ministro aproveitou para defender Lula das críticas de que teria desrespeitado a hierarquia militar ao mandar o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para negociar com os controladores em greve:

- Quando o presidente da República atribui diretamente a presença de outras instituições, ele faz isso no exercício de sua legitimidade -, afirmou.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pode ser normal lá no cafofo dele, mas não num país onde se gasta desbragadamente em inutilidades. Estado perdulário e irresponsável, é normal sim haver problemas de recursos humanos, falta de equipamentos, ou sucateados. Contudo, não faltou verba para evitar a crise. Falta primeiro, vergonha na cara e competência pára usar a verba prevista no Orçamento. Segundo, faltou seriedade para considerar os inúmeros relatórios recebidos pela Presidência da República alertando para o risco do apagão. E isto não é recente. Data de 2004. Terceiro, faltou respeito para com o usuário que paga as tarifas de embarque mais caras do mundo, e é tratado por um governo moleque de forma desumana e indigna. Dentro deste perfil caótico, com autoridades sem moral e negligentes, sem dúvida que crises como esta, são até rotineiras. Até porque tivesse o país um presidente responsável, por certo que já teria mandado para casa todos os responsáveis pelo apagão, inclusive o próprio ministro que não faz a menor idéia de seu real papel nesta história.

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Tá feia a coisa
Na Câmara, o depoimento do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, só deixou uma certeza: ele é mesmo despreparado.

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Gol agora quer construir

A empresa aérea Gol está mesmo montada na grana. Seu dono, Nenê Constantino, tenta comprar da Marinha do Brasil, para posterior desmembramento, 104.000m² em área valorizada de Brasília (Sudoeste, perto do Memorial JK), e ingressar no ramo imobiliário. O mercado avalia em R$ 345 milhões a área que pode ter até 24 prédios de apartamentos. Só falta combinar com o Ministério Público Federal, que já monitora o caso.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Sem querer levantar falsas suspeitas, de onde estará saindo tanto dinheiro assim ? Convenhamos que com esta operação imobiliária, para quem investiu outro tanto na aquisição da VARIG, é pelo menos curioso o fato de alguém que está no mercado da aviação há apenas 6 anos, e vindo de baixo, consiga juntar tanta grana. Desejamos que tudo isto seja fruto apenas de trabalho. E trabalho bom...

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Passos de tartaruga
Felipe Recondo, Blog Noblat

Repetido o exemplo da CPI das ONGs no Senado, a CPI do Apagão Aéreo será instalada apenas às vésperas das férias de julho, muito depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a criação da comissão parlamentar de inquérito na Câmara.

O requerimento para a criação da CPI das ONGs foi protocolado no dia 15 de março. E depois de um mês e três dias, nem todos os partidos cumpriram o pressuposto para que a CPI começasse a trabalhar: a indicação dos membros da comissão.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não pressiona os líderes para que façam a indicação. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que pediu a criação da CPI, não se movimentou para que a CPI seja instalada.

Como nas próximas duas semanas não há previsão para a instalação da CPI das ONGs, é de se esperar que a CPI do Apagão Aéreo vá demorar dois meses para promover sua primeira reunião.

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Indústria da Segurança
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Empregos formais ligados direta e indiretamente à segurança foram os que mais cresceram nos últimos 20 anos.
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Na cidade de São Paulo, o salto chega a 366,5%, enquanto os demais empregos cresceram 59,6%.
O crescimento da indústria da segurança é demonstrado no levantamento do economista Márcio Pochmann, baseado em relatório do Ministério do Trabalho.

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Nordeste deve gastar US$ 117,6 bilhões com compras
De O Estado de S.Paulo

"O Nordeste virou a menina-dos-olhos do mercado de consumo brasileiro. De cimento a perfumes, as famílias da região devem gastar só neste ano US$ 117,6 bilhões, um pouco mais que o Produto Interno Bruto (PIB) do Chile em 2006. São quase US$ 70 bilhões a mais em relação ao dinheiro que girou há cinco anos na região.

Desde 2002, o consumo dos nordestinos cresceu 143,5%. O resultado está acima da média do País para o período, de 126,3%, e do desempenho do Sudeste (120,9%), revela o estudo ''Brasil em Foco'', que acaba de ser concluído pela consultoria Target Marketing.

A consultoria, especializada em pesquisa de mercado, estimou o potencial de consumo de cada região do País em 2007 e 2002."
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Quem bancou?

Leio na coluna diária do Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa, a nota a seguir. Comento no final.

“Terça-feira, anteontem, Sarney recebeu para festejar os 77 anos. Multidão. Um senador que falava comigo no celular explicou: "Helio, tenho que desligar, estou engarrafando a porta da casa do ex-presidente".

O Senado quase todo, sem referência ou indicação de partidos. De Suplicy a Artur Virgilio, de Dornelles a Renan Calheiros, passando por Edson Lobão, o diretor geral quase senador Agaciel Maia e muitos outros.

Do Supremo foram os ministros Marco Aurelio Mello, Sepulveda Pertence, Gilmar Mendes.

Do TCU, Raymundo Carrero e Marcos Vilaça, presidente da Academia. (E que sabe desde já que será sucedido na presidência pelo próprio Sarney.)

Surpresa: as presenças de Nelson Jobim e Luís Otavio, derrotados em tudo o que disputavam ou pretendiam, em 2006 e 2007. Lula e Collor telefonaram, não puderam comparecer.

Satisfação de Sarney pelas presenças e por um fato inédito: seu livro, "O dono do mar", será transformado em filme.

COMENTANDO A NOTÍCIA; Adoraria saber quem pagou a festança ? Foi o senador mesmo, com din-din do próprio bolso ? O que se sabe é que as “festas” em Brasília, regra geral, acabam sendo invariavelmente, bancadas pelos contribuintes. Seria interessante alguém investigar a respeito...