quinta-feira, abril 26, 2007

Entrada de dólares no país cresce e valoriza o real

Fernando Nakagawa, Jornal do Brasil

Dados divulgados ontem pelo Banco Central revelam que a entrada de dólares no país mantém forte ritmo de crescimento, contribuindo para a valorização do real. Nas duas primeiras semanas do mês, a conta que registra todas as entradas e saídas de moeda estrangeira teve saldo positivo de US$ 4,362 bilhões. O valor é 333,13% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

- O resultado pode ser visto todos os dias nas cotações do real, que se valorizou expressivamente - diz Ricardo Humberto Rocha, professor da Universidade de São Paulo.

Dos recursos que ingressaram no Brasil nas duas primeiras semanas de abril, US$ 3,332 bilhões são fruto de operações de comércio exterior. O valor equivale a 76,4% das entradas. Os 23,6% restantes, ou US$ 1,030 bilhão, vieram por movimentações financeiras, como investimentos em ações ou títulos de renda fixa. Há um ano, o resultado da conta financeira era negativo em US$ 903 milhões.

- O dinheiro não vem para o Brasil, como ocorria há 10 anos, só para arbitragem, para obter lucro com a diferença entre a taxa de juro brasileira e a americana - declara Rocha. - Hoje, o dinheiro vem para as ações, renda fixa, além dos investimentos produtivos. Isso é muito melhor porque o prazo de permanência dos recursos é maior.

O professor diz que parte dos dólares vem para o Brasil como uma antecipação à esperada melhora da nota brasileira de classificação de risco para grau de investimento. A entrada crescente de moeda estrangeira ocorre porque economistas já dão como certo o novo patamar da nota brasileira nos próximos anos. A vinda antecipada, acrescenta Rocha, potencializa os lucros nos ativos do país.

Parte importante dos recursos vindos do exterior foi investida em ações, segundo Rocha. No setor produtivo, o professor destaca o interesse cada vez maior pelo setor imobiliário. Com o resultado do fluxo financeiro de abril, o ano acumula US$ 21,756 bilhões. O valor é 16,34% superior ao registrado em igual período do ano passado.

COMENTANDO A NOTICIA: Bem que Ricardo Rocha poderia ficar na comemoração apenas dos ingressos expressivos de moeda estrangeira no país. Não precisava ironizar de forma imbecil e tola, que há dez anos tais ingressos eram assim ou assado. Eram outros tempos, a economia brasileira começava a sair da hiperinflação (lembram dela, teve mês de ser 85%), e o país começava a viver o clima das reformas estruturantes que lhe permitiram atingir a estabilidade econômica antes mesmo de Lula chegar ao poder. Além disto, o clima da economia mundial era bem diverso. Entre 1995 a 2000, a economia mundial sofreu 5 abalos sísmicos que perturbaram a vida de todos os países, e a média de crescimento mundial no período foi inferior a 3%. Querer comparar 2006 com 1996 é uma aberração tola e desnecessária. Melhor faria Ricardo Rocha se visse nesse ingresso excessivo não apenas o lado positivo que tais ingressos representam. Se apenas fizesse isto já estaria de bom tamanho. Não há necessidade de bancar o marqueteiro dos novos tempos.