quinta-feira, abril 26, 2007

A revolução das contas externas

Luiz Carlos Mendonça de Barros, especial para a Revista EXAME
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A verdadeira revolução que estamos vivendo no mercado financeiro nestes últimos dois anos tem uma origem muito clara: a melhoria incrível em nossas contas externas provocada pela demanda chinesa de commodities e outros produtos primários. O crescimento de nossas exportações, tanto pelo efeito dos aumentos das quantidades exportadas como dos preços internacionais, ganha impulso entre fins de 2003 e meados de 2004. Os dólares gerados em nossa balança comercial começam a trazer o real para valores anteriores à crise de confiança criada pela eleição do presidente Lula e, posteriormente, a nível ainda mais valorizado.
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Com o real forte e confiável pela primeira vez em muito tempo, a inflação cedeu rapidamente a partir de 2005 e permitiu ao Banco Central iniciar um longo processo de redução dos juros reais na economia. Isso porque o real forte levou a uma forte queda da volatilidade da taxa de câmbio nos mercados, elemento fundamental para que as importações passassem a ter significância no quadro de oferta interna de bens intermediários e finais. A competição dos produtos importados diminuiu o poder de preço das empresas nacionais e reforçou o processo de desinflação no Brasil.
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Outro fruto dessa sobra estrutural de dólares nos mercados de câmbio foi o aumento da confiança dos mercados financeiros na estabilidade de longo prazo do real. Nessa nova situação, os contratos financeiros, inclusive os de crédito, tiveram seus prazos ampliados, com efeitos positivos para o consumo de bens duráveis. Tem havido forte crescimento do volume de crédito, que converge para níveis de outras economias estáveis. Juros reais em queda, prazos mais longos e agressividade maior do sistema bancário na concessão de crédito criaram uma dinâmica financeira que não existia, no Brasil, havia mais 30 anos.
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Essas mudanças se deram de forma muito rápida em função da qualidade e eficiência de nosso sistema financeiro, principalmente no seu segmento de crédito e dos contratos futuros negociados na BM&F, uma das maiores e mais bem organizadas Bolsas de Futuros no mundo em desenvolvimento.
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Mas é preciso entender que os alicerces dessas mudanças, que são sólidos e confiáveis, foram construídos a partir do real forte e com baixíssima volatilidade. E isso foi possível pelos efeitos pela conjuntura mundial, especialmente pelo dinamismo da economia chinesa, que já atingiu dimensão expressiva no mundo, e representa hoje a principal fonte de crescimento de nossas exportações.