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“Não existe almoço grátis” – Milton Friedman (1912-2006)
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Morreu Milton Friedman, norte-americano de descendência judaica e prêmio Nobel de Economia. Ele foi o grande combatente pela liberdade econômica num mundo que se afoga na crescente e devastadora intervenção do Estado em quase todos os setores da atividade humana. Filho de emigrantes da Ruthenia, viveu a adolescência na parte pobre do Brooklyn, em New York. Desde cedo, no entanto, em vez de cair na cantilena socialista, se deixou encantar pela lógica infalível de “A Riqueza das Nações”, obra fundamental de Adam Smith, especialmente quando o pai da ciência econômica moderna declarou: “Ao perseguir seus próprios interesses, o indivíduo em geral promove os da sociedade de um modo mais efetivo do que quando o governo promete fazê-lo”.
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As teses de Friedman sobre a importância da estabilidade da moeda, depois da segunda Guerra Mundial, no apogeu das teorias keynesianas, fez muita gente considerá-lo um tipo absurdamente tolo. Em resposta, para fazer valer suas idéias, levou, então, com suas pesquisas arrojadas, a ciência econômica para o campo dos estudos históricos e empíricos.
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As teses de Friedman sobre a importância da estabilidade da moeda, depois da segunda Guerra Mundial, no apogeu das teorias keynesianas, fez muita gente considerá-lo um tipo absurdamente tolo. Em resposta, para fazer valer suas idéias, levou, então, com suas pesquisas arrojadas, a ciência econômica para o campo dos estudos históricos e empíricos.
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Neste sentido, suas obras lapidares são “Capitalismo e Liberdade” (University of Chicago Press, 1962), hoje um clássico, e “Uma história monetária dos Estados Unidos – 1867/1960” (em 1963, pela mesma Chicago Press). No primeiro livro, Friedman desmontou de vez a “revolução keynesiana”, tocada pelo “dandy” John Maynard Keynes, com sua “Teoria Geral do emprego, do juro e da moeda”, que levou, mais tarde, a Inglaterra (e muitos países que entraram na onda) ao desemprego, à imobilidade econômica e à inflação galopante. Na sua “contra-revolução”, à frente da Escola de Chicago, onde lecionou por mais de 30 anos, o monetarista observou que a provisão de dinheiro era o “fator central de controle no processo de desenvolvimento econômico”. Para ele, as “variações da atividade econômica não se explicam pelas variações de investimentos, mas pelas variações da oferta da moeda”. Para Friedman, as intervenções do Estado na vida econômica de um país podem e devem ser substituídas pelo controle da evolução da massa da moeda em circulação. Quanto menos regulamentação do governo e a introdução de um sistema de auto-regulação dos agentes econômicos – melhor.
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Milton Friedman era um homem fisicamente insignificante, de baixa estatura e incrivelmente modesto para o seu grau de conhecimento, em que pese ser um analista vigoroso e debatedor implacável. Na luta travada contra os postulados de Keynes, que pregava de um modo sedutor a intervenção do Estado por meio de uma política de gastos para fomentar o “pleno emprego”, assumiu uma posição ferozmente antagônica. Para o pai da Escola de Chicago, os gastos do Estado puniam os contribuintes ou eram inflacionários. “A inflação é sempre e em toda parte um fenômeno monetário” – afirmava. “Excesso de papel moeda pode significar escassez de mercadorias e aumento dos preços”. Vale dizer: muita pobreza ou miséria.
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Na sua dialética, para dar a pancada final na cabeça do intervencionismo keynesiano, Friedman indagava sobre a origem do dinheiro para os gastos governamentais: se a oferta da moeda permanece constante e o governo gasta dinheiro, alguém deve ter menos dinheiro para gastar. Se o governo toma dinheiro vendendo títulos do tesouro ao público, elevando as taxas de juros, as empresas não têm condições de competir com o governo e tomar os empréstimos para investimentos.
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No segundo livro, relatório minucioso de 150 anos da história das instituições monetárias dos Estados Unidos, escrito em parceria com Anna Schwartz, o economista ressaltou com ênfase a importância do papel da moeda e a contribuição da política monetária para estabilizar a economia. No levantamento, atribuiu (corajosamente) a Grande Depressão de 1929 à paralisia do Federal Reserve. Como um Sherlock, depois de examinar a catástrofe, deixou claro que a instituição do sistema bancário central dos Estados Unidos tinha se negado a fornecer liquidez aos bancos privados quando os clientes em pânico correram atrás dos seus depósitos. Ao contrário do que dizia Keynes, o fato atestava o poder da política monetária e, não, a sua impotência.
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Nos últimos anos, no combate pela liberdade econômica e política, tornou-se um inimigo frontal da crescente transferência do poder dos Estados e do sistema produtivo para o Estado federal e sua burocracia centralizadora, que, a pretexto de criar “igualdade e segurança”, se esmera no jogo de tirar recursos das forças produtivas para entregá-los às crescentes hordas de parasitas. Então, nas suas palestras e conferências, para deter o avanço incessante dos burocratas e seus projetos daninhos, passou a exigir da opinião pública em geral uma atitude de mudança em favor da maior confiança na iniciativa privada e da cooperação voluntária, como reação às propostas insolventes do coletivismo totalizador.
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No plano político, para o mentor da Escola de Chicago a liberdade econômica é a condição básica para a liberdade política: “Ao permitir que as pessoas cooperem entre si sem a coerção de um centro decisório, a liberdade econômica reduz a área sobre a qual se exerce o poder político. Além disso, ao descentralizar o poder econômico, o sistema de mercado compensa qualquer concentração do poder político que se possa produzir. A combinação, numa só mão, do poder político e econômico é a fórmula segura para se chegar à tirania”.
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Ao ganhar o Prêmio Nobel de Economia, em 1976, foi forçoso reconhecer o valor do trabalho de Milton Friedman. O próprio John Kenneth Galbraith, um defensor do intervencionismo governamental, escreveu: “Ele foi talvez a mais influente figura econômica da segunda metade do século 20”.
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Grande Friedman! Que Deus o tenha.