Coisas da Política – Jornal do Brasil.
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Em países obedientes à lei, os chefes do MST e sucursais estariam na cadeia, recolhidos à ala dos compulsivos atropeladores das normas em vigor, sobretudo as que regem o direito de propriedade. Em países civilizados, estariam no circo, dividindo a curiosidade da platéia com outras extravagâncias e antiguidades. Como o Brasil não é uma coisa nem outra, esses nostálgicos de cartilhas do século 18 circulam livremente pelos campos e cidades, espancando com crescente desembaraço os códigos legais e o bom senso.
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Caso fossem obrigados a instalar-se nas terras que reivindicam, e a cultivá-las por conta própria, os líderes do buquê de siglas ficariam mal aos olhos dos lavradores de verdade. Quase todos sabem de cor longos textos de Karl Marx e dúzias de frases de Guevara. Mas não distinguem um boi de um bode. Se tivessem de lidar com foices e martelos que conhecem só de vista, poucos escapariam da auto-mutilação. Como trocaram desde sempre o trabalho pelo falatório, não se arriscam a estágios no pronto-socorro.
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Assim, sobra-lhes tempo para estudar a diversificação dos alvos. Há meses, Bruno Maranhão, único revolucionário do planeta que vive (muito bem) com a mesada da mãe, liderou a depredação do Congresso. Em liberdade, deve ter colaborado com Stédile e o resto da turma na escolha de outro alvo surpreendente: o porto de Maceió, no litoral de Alagoas.
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Na semana passada, mais de 5 mil militantes, adestrados na invasão de fazendas ou prédios e na interdição de rodovias, participaram do ataque ao porto com o ímpeto de quem conquista um forte sobre o penhasco. Durante horas, ficou proibida a entrada ou saída dos 3 mil caminhões que usam diariamente as instalações portuárias. Nenhum navio zarpou, nenhum pôde ancorar. Nenhuma carga embarcou, nenhuma foi desembarcada.
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Estariam os invasores inaugurando uma nova etapa na saga do movimento, agora para lançar-se à exploração de fazendas marinhas? Teriam os guerreiros sem-terra decidido subtrair aos aristocratas das águas o monopólio da lagosta, do camarão e do siri? Nada disso. A ofensiva foi concebida para exigir do governo federal "agilidade na desapropriação dos 20 mil hectares da Usina Agrisa", no interior do Estado.
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Enquanto o sertão não vira mar, o MST agiu na costa para extorquir terras na Zona da Mata alagoana. Deu certo. Com a rapidez dos pusilânimes, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, determinou ao Incra o pronto atendimento à reivindicação da companheirada, que topou liberar o porto.
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Com voz branda e modos polidos, Cassel limitou-se a lamentar a pressa dos invasores: poderiam ter esperado mais alguns dias pelas terras da usina. É bom que trate de acostumar-se. Segundo Stédile, o próximo ano será pior que este. "Lula, não nos tome como compadres", advertiu o comandante do MST, num recado direto ao presidente da República. "Nossa paciência tem limites".
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O que não tem limites é a tolerância de autoridades encarregadas de aplicar a lei e defender a ordem democrática. O que também parece sem limites é a paciência dos brasileiros decentes, agredidos sem tréguas pela bandidagem com padrinhos federais e movida pela certeza da eterna impunidade.
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Caso fossem obrigados a instalar-se nas terras que reivindicam, e a cultivá-las por conta própria, os líderes do buquê de siglas ficariam mal aos olhos dos lavradores de verdade. Quase todos sabem de cor longos textos de Karl Marx e dúzias de frases de Guevara. Mas não distinguem um boi de um bode. Se tivessem de lidar com foices e martelos que conhecem só de vista, poucos escapariam da auto-mutilação. Como trocaram desde sempre o trabalho pelo falatório, não se arriscam a estágios no pronto-socorro.
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Assim, sobra-lhes tempo para estudar a diversificação dos alvos. Há meses, Bruno Maranhão, único revolucionário do planeta que vive (muito bem) com a mesada da mãe, liderou a depredação do Congresso. Em liberdade, deve ter colaborado com Stédile e o resto da turma na escolha de outro alvo surpreendente: o porto de Maceió, no litoral de Alagoas.
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Na semana passada, mais de 5 mil militantes, adestrados na invasão de fazendas ou prédios e na interdição de rodovias, participaram do ataque ao porto com o ímpeto de quem conquista um forte sobre o penhasco. Durante horas, ficou proibida a entrada ou saída dos 3 mil caminhões que usam diariamente as instalações portuárias. Nenhum navio zarpou, nenhum pôde ancorar. Nenhuma carga embarcou, nenhuma foi desembarcada.
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Estariam os invasores inaugurando uma nova etapa na saga do movimento, agora para lançar-se à exploração de fazendas marinhas? Teriam os guerreiros sem-terra decidido subtrair aos aristocratas das águas o monopólio da lagosta, do camarão e do siri? Nada disso. A ofensiva foi concebida para exigir do governo federal "agilidade na desapropriação dos 20 mil hectares da Usina Agrisa", no interior do Estado.
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Enquanto o sertão não vira mar, o MST agiu na costa para extorquir terras na Zona da Mata alagoana. Deu certo. Com a rapidez dos pusilânimes, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, determinou ao Incra o pronto atendimento à reivindicação da companheirada, que topou liberar o porto.
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Com voz branda e modos polidos, Cassel limitou-se a lamentar a pressa dos invasores: poderiam ter esperado mais alguns dias pelas terras da usina. É bom que trate de acostumar-se. Segundo Stédile, o próximo ano será pior que este. "Lula, não nos tome como compadres", advertiu o comandante do MST, num recado direto ao presidente da República. "Nossa paciência tem limites".
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O que não tem limites é a tolerância de autoridades encarregadas de aplicar a lei e defender a ordem democrática. O que também parece sem limites é a paciência dos brasileiros decentes, agredidos sem tréguas pela bandidagem com padrinhos federais e movida pela certeza da eterna impunidade.