quarta-feira, dezembro 06, 2006

PT faz operação de altíssimo risco

Por Tales Faria – Informe JB
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A bancada do PT na Câmara deve lançar hoje o nome do líder do governo Arlindo Chinaglia (SP) para candidato da legenda a presidente da Câmara. A única hipótese de se voltar atrás é se o presidente Lula determinar que os petistas abortem o processo. Até ontem à noite, como não havia vindo uma ordem explícita do Planalto, Arlindo continuava trabalhando seu nome.
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O petista combinou com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) que o lançamento de seu nome será acompanhado de uma nota da bancada do PT acenando para a negociação com os partidos da base e, mais especificamente, para a negociação com o PMDB.
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Arlindo também esteve no gabinete do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), cuja reeleição o presidente Lula tem dito a assessores que seria o quadro de sua preferência. Aldo também conta com a simpatia anunciada dos líderes do PFL e do PSDB. Arlindo foi tentar convencer Aldo a desistir da reeleição.
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No fundo o PT está repetindo uma operação de altíssimo risco na sua relação com os partidos aliados e com a oposição na Câmara. Está principalmente atropelando o PMDB. Trata-se do maior partido na Casa e que, portanto, teria o direito de indicar o presidente.
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O PT também não está dando voz aos partidos menores da base, como o PSB e o PCdoB, que preferem Aldo. Na verdade, está ignorando uma candidatura natural e aceita pela oposição sem crises, como seriam a do PMDB e a de Aldo Rabelo, para tentar impor um nome petista.
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Fim do Conselhão?
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O ministro da Coordenação Política, Tarso Genro, irá se reunir com o presidente Lula nos próximos dias para discutir o novo papel do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no segundo mandato. A última reunião do ano ocorre hoje. Para Tarso, como o conselho, hoje sob sua batuta, já esgotou sua agenda, "ao ver acolhida pelo governo a maioria de suas propostas", é imperativo uma reavaliação de seu funcionamento.
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Ou só o começo?
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Uma das sugestões do ministro, no entanto, pode não ser bem recebida pela equipe econômica. Tarso quer que as medidas para o crescimento econômico, tão logo anunciadas pelo governo, sejam submetidas ao conselho para um "exame crítico". "A idéia é avaliar se as iniciativas propostas poderão mesmo levar ao prometido crescimento de 5%", disse. O ministro admite que a proposta é controversa e pode provocar mal-estar. Mas pretende defendê-la até o fim. "Pode até haver tensão, mas o Conselho está aí para isso".