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Nos três últimos mandatos (dois de Fernando Henrique e um de Lula), a economia do Brasil cresceu menos que a do mundo inteiro, segundo estudo revelado por Vinicius Torres Freire e elaborado pela Febraban. Mais do que isto, todos os anos o percentual de seu crescimento também decresceu. Foi 70% do crescimento global, no primeiro mandato de FH (1995-1998), de 60%, no segundo (1999-2002), e será de 56% no primeiro mandato de Lula (2003-2006)..Lula exibe, pois, a pior performance dos três períodos, sem grandes possibilidades de melhorar seu desempenho futuro, segundo o Ipea (órgão do governo federal) que prevê que o Brasil, com o atual modelo, só começará a crescer 5% ao ano em 2017, ou seja, daqui a três mandatos presidenciais.
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O trunfo maior do presidente Lula - de resto, o que lhe garantiu a reeleição - ou seja, o Bolsa Família, foi duramente criticado pela CNBB, que o considera um programa de primário assistencialismo, que não promove o homem, mas desestimula sua luta por uma auto-realização através do estudo e do trabalho, que promovem a inserção na sociedade. Embora de maior espectro, o programa Bolsa Família, herdeiro da Bolsa Escola de Fernando Henrique, tem menor qualidade que o anterior, o qual condicionava o usufruto do estímulo a que o beneficiário mantivesse os filhos na escola, vislumbrando o semear de um futuro melhor.
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Por outro lado, as benesses eleitorais previdenciárias e salariais - justas, do ponto de vista da promoção humana - não foram acompanhadas de redução das monumentais despesas oficiais causadas por uma máquina administrativa esclerosadíssima, com denso impacto nas contas públicas das demais entidades federativas (Estados, Distrito Federal e municípios). E a máquina burocrática continuou mais ineficiente e mais inchada que nos governos passados, com o que o verdadeiro "nó górdio" do modelo não foi nem desatado, nem cortado.
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Para sustentar tal modelo exaurido, foi, o governo federal, obrigado a manter a escandalosa carga tributária - a maior do mundo na relação "PIB e qualidade de serviços públicos prestados" - única forma de obter recursos para sustentar as ciclópicas necessidades da máquina, e juros atrativos para não perder investimentos..O sucesso da balança comercial positiva e do aumento das exportações foi devido ao boom econômico mundial. Ainda assim, o país exportou em torno de US$ 130 bilhões este ano, e o México, com 3/5 de nossa população, exportou US$ 260 bilhões!
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Os saldos positivos da balança comercial, que porporcionaram reserva na casa dos US$ 75 bilhões, todavia, supervalorizaram o real, gerando descompetitividade empresarial e perda de investimentos. O Brasil perdeu 17% dos investimentos, em ano no qual houve crescimento médio de investimentos na ordem de 29%.
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Tudo isto está a demonstrar que o modelo se exauriu. Há necessidade de um novo modelo, que, a meu ver, só poderá começar com uma dramática compactação da máquina, através de um sério programa de desburocratização, pois o país se tornou modelo da ineficiência oficial.
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Para isto, terá, o presidente Lula, que administrar o açodamento de seu partido político e dos aliados que buscam, com incrível sanha, apoleirarem-se no novo governo mediante a distribuição de cargos, funções e benesses.
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Que o presidente seja presidente do Brasil e não apenas um usufrutuário do poder.