Isabel De Luca
O Globo
Encontro marcado por Daniel Pollack não contará com a presença do ministro da Economia do país, Axel Kiciloff
NOVA YORK - Representantes da Argentina viajam nesta segunda-feira para Nova York, onde terão amanhã — véspera do prazo que o país tem para evitar um novo calote — mais uma reunião com o advogado Daniel Pollack, mediador da negociação entre o governo Cristina Kirchner e os fundos com os quais está em litígio.
Um porta-voz de Pollack informou que o encontro foi marcado por telefone no fim desta manhã pela mesma comitiva que esteve nos Estados Unidos no fim da semana passada, composta pela procuradora do Tesouro, Angelina Abbona, e pelos secretários Palo López (Finanças) e Federico Thea (Legal e Administrativo). O ministro da Economia, Axel Kiciloff, mais uma vez não estará presente.
“Pedi de novo que eles tivessem uma conversa direta com os fundos litigantes, mas isso não vai acontecer amanhã”, disse Pollack em comunicado. Mais cedo, o advogado divulgou outra nota, lembrando que a comissão técnica argentina — que na sexta-feira já tinha se recusado a ficar cara a cara com os chamados “fundos abutres” — ficou de consultar o governo sobre os próximos passos ao longo do fim de semana e ainda não havia se manifestado.
“Deixei bem claro que estou disponível para a Argentina a qualquer hora, ao vivo ou por telefone, tendo em vista a gravidade da situação e o pouco tempo para resolvê-la sem um default”, escreveu Pollack.
A Argentina tem até quarta-feira — passado um período de carência de 30 dias — para pagar uma nova parcela de sua dívida reestruturada em 2005 e 2010. Decisão recente da Suprema Corte americana determinou que o país não pode fazer esse pagamento sem depositar integralmente US$ 1,3 bilhão que deve aos “abutres”, credores que não aceitaram a renegociação, liderados pelos fundos Elliott Management e Aurelius Capital Management.
O governo Cristina Kirchner pediu a suspensão da sentença, argumentando que ela estimularia novos processos de outros credores – se isso acontecer, afirma, o valor a ser cobrado poderia chegar a US$ 15 bilhões. O juiz Griesa negou o recurso duas vezes, e em audiência na última terça-feira ordenou que as duas partes negociem “24 horas por dia” até chegarem a um acordo.
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