Agamenon Mendes Pedreira
Revista VEJA
Com medo de ser criticada pela imprensa golpista, a presidenta Dilma Roskoff resolveu se antecipar e já ensaiou todos os micos que o Brasil vai pagar durante a Copa. O apagão está confirmado e o apaguão também, porque vai faltar água. Outra providência tomada (tomada trifásica, é claro) pela INFRAERO é o caos aéreo que foi exaustivamente testado e já está funcionando a todo o vapor nos aeroporcos brasileiros.
Para receber bem as hordas de turistas, a presidenta-gerenta também criou um novo programa assistencialista, o Meu Primeiro Assalto. Assim, os gringos que estão chegando há pouco de fora vão ser assaltados pela primeira vez na vida no Brasil. Graças a esse programa de inclusão marginal, o governo pretende criar uma nova fonte de renda para os criminosos excluídos. Os quebraquebras. uma das manifestações mais espontâneas da nossa cultura, também vão marcar presença nos estádios superfaturados. Superfaturados no padrão Fifa, é claro.
O pau vai comer e não vai ser lá em casa, para tristeza da Isaura, a minha patroa! O clima é de pânico contido e desespero generalizado. Além do transporte ruim e das ruas esburacadas, o torcedor vai ter que ir pros estádios de armadura para não apanhar da polícia e dos baderneiros. E, se o pacato cidadão cair no meio de uma manifestação e acabar espancado, já era: não vai ter vaga em nenhum hospital público! E a segurança dos jogadores? Imagine se um índio revoltado acertar uma flechada na bunda do Hulk, o jogador-melancia.
Enquanto os empreiteiros e o governo correm para ver se os estádios e aeroportos ficam prontos até a Olimpíada, a população também está correndo, mas noutra direção, pra fugir da polícia.
A população de São Paulo está torcendo pro Neymar "fazer chover" no jogo contra a Croácia. Quem sabe assim o Reservatório da Cantareira enche de novo dos black blocs. Pelo menos, a barbárie está funcionando perfeitamente no Brasil e, o que é melhor, no padrão Fifa de boçalidade. Os baderneiros profissionais se anteciparam ao calendário da Copa e já começaram a quebrar tudo o que veem pela frente agora. São as "eliminatórias". Os donos de empresas rodoviárias estão com medo de não sobrar nenhum ônibus pros grevistas torcedores tacarem fogo quando a Copa começar.
E eu continuo aqui na Granja Comary, aviário-sede da CBF Confederação Brasileira de Frango. Graças às minhas conexões com a cartolagem, arrumei uma vaga no galinheiro onde estão hospedadas as penosas que formam a base da alimentação de nossos craques. O rigoroso Felipão, um técnico disciplinador, exigiu que os jogadores vão cedo pra cama: eles têm que dormir com as galinhas. Mas quem acorda com o cacarejar das criaturas bicudas chegando da balada sou eu.
Luís Felipe Pré-Scolari
O Brasil pode não ganhar a Copa, mas o técnico Felipão ganhou uma baba! Felipão sozinho fez mais comerciais de TV que o Fábio Porchat, o Luciano Huck e o Neymar juntos. Incapacitado de atender a todos os convites publicitários que recebeu, Felipão foi obrigado a passar alguns anúncios para o seu fiel assistente, o Murtosa, que, verdade, é o Baixinho da Kaiser. Por falar nisso, tem uma coisa que eu não entendi até agora. Naquele comercial da Sadia, o técnico da seleção retira do forno um suculento frango assado. Em vez de entregar o frango ao goleiro Júlio Cesar, Felipão oferece a iguaria ao seu bigodudo amigo e, subitamente, puxa fora a bandeja, deixando o guloso Murtosa na mão.
O Felipão cozinha pro Murtosa? Ele e o Murtosa moram juntos naquela casinha? Será que eles são um casal gaúcho afetivo? A impressão que dá é que a Sadia realizou a primeira propaganda brasileira com duas criaturas do mesmo sexo e da mesma seleção. Não vejo a hora de assistir na TV aos dois amigos inseparáveis fazendo anúncio de lingüiça e peru. Da Sadia, é claro.
Minha abreugrafia não autorizada!
Eu desafio os decanos da MPB (Muito Pouca Biografia) Caetano Velhoso, Chico Buarque de Hollanda e o Rei Roberto Carnes, o maior censor romântico do Brasil, a expor sua abreugrafia como eu estou fazendo aqui para os meus dezessete leitores e meio (não se esqueçam do anão)!