quinta-feira, junho 12, 2014

Metrô de Salvador: símbolo de uma era

Adelson Elias Vasconcellos

Há uma notícia de ontem, do qual se falou muito, mas se deixou um aspecto bem característico do que vem a ser a gestão petista no poder. A senhora Rousseff, a exemplo de seu mentor e tutor, não dispensa um palanque. Podendo, veste as tamancas da candidata à reeleição, esquecendo de que ali estava na qualidade de “presidente de todos os brasileiros” e manda ver no vernáculo mais demagógico que os miolos lhe permitem. Ataca seus adversários quando estes, na função que a sociedade brasileira lhe confiou, e que qualquer democracia chinfrim garante, que é direito de fazer oposição e de, portanto, criticar o governo de plantão. Aliás, neste aspecto, o PT, como ninguém, sabe fazer oposição, e o faz da forma mais xiita possível, chegando ao ponto da sabotagem. 

Retomo. Em Salvador, dona Dilma inaugurou o Metrô da capital baiana.   Uma obra com um atraso de “apenas” 14 anos. Como o PT está no poder por doze anos, deve-se imputar ao governo de Lula e Dilma o descaso com o transporte público de qualidade para o bom povo da Bahia. Há poucos dias, Lula revelou o que ele pensa sobre transporte público de qualidade. Simplesmente, considerou o metrô coisa de babacas. Assim, que o pobre, que é quem mais precisa de transporte público, que ande de jumento ou vá a pé, se quiser.

Por que foco nesta obra em especial?  Primeiro, pelo descaso com que Lula e Dilma sempre dispensaram às obras de mobilidade. Em 2007, já reclamava desta necessidade, em razão do fantástico volume de carros novos que estavam sendo despejadas nas cidades.  Já há sete anos não se conhecia um mínimo de planejamento para capacitar as vias urbanas de condições para suportarem o tráfego intenso, quanto mais de um programa razoável para qualificar e universalizar o transporte público. 

Foi preciso a FIFA colocar, entre as exigências para sediarmos a copa do mundo, obras de mobilidade urbana para que o governo Lula e, depois, Dilma se dedicassem a fazer o mínimo dos mínimos. 

Infelizmente, para azar dos brasileiros, muitas das obras previstas no projeto original apresentado à FIFA, foram retiradas e, do que restou para ser feito, metade ainda está em obras. 

Em diferentes reportagens de diferentes veículos, reproduzimos ao longo dos últimos dois meses, um relato detalhado do falso legado do qual tanto se ufana a senhora Rousseff.  E ficou comprovado que, muito do que foi inaugurado, considerado como pronto e acabado, na verdade,  foi entregue aos pedaços. Há aeroportos que funcionarão com puxadinhos, outros que só serão concluídos alguns meses depois da copa, e há até aeroporto cuja ampliação sequer saiu do alicerce.  Em relação as obras o quadro consegue ser ainda pior. 

Mas voltemos ao metrô de Salvador. O PT levou longos doze anos para concluir aquilo que encontrou já em andamento. E o pior: inaugurou uma obra incompleta. 

Eis aí uma das muitas razões para o atraso que o país vem sofrendo nos últimos anos. São programas e mais programas lançados a esmo, promessas de verbas vultosas que serão destinadas  em favor dos brasileiros, mas que teimam em não andar, em não sair do papel e dinheiro que nunca chega para que as obras tenham início e sequencia. 

O PAC, lançado em eventos com cerimônia, pompa e majestade, continua sendo um projeto de ficção. Cerca de 40% sequer tem projeto, jamais saíram do papel, muito embora a grana continue jorrando para lá e para cá. 

A infraestrutura brasileira simplesmente ruiu. O país poderia muito bem exportar muito mais tivesse rodovias, ferrovias e terminais aeroportuários com um mínimo de condições. E nem vou entrar no mérito da bestial burocracia estatal. 

Podíamos atrair muito mais investimentos em novas fábricas, gerando empregos de nível superior e salários mais elevados. Contudo, a indústria, ano após definhando, nas mãos desta gente, definha e se torna menos relevante no peso da economia.  Inovação? Palavra proibida. Que nossa gente se contente com o que conseguimos, dentro da nossa miséria, produzir. 

E, de certa forma, é possível fazermos a leitura precisa dos constantes pibinhos. Não crescemos porque os investimentos em infraestrutura não se realizam. E porque a infraestrutura é deficiente,  os investimentos vão sendo jogados para um futuro incerto e desconhecido.  

Assim, o metrô de Salvador caracteriza bem o nível de mediocridade com que o país vem sendo desgovernado há doze anos. E comprova também que jamais o PT levou para o Planalto um plano mínimo de desenvolvimento. Em parte, se entende que seja assim. Desenvolvimento melhora a qualidade de vida das pessoas, as torna mais informadas, mais esclarecidas. E isto é tudo o que o PT mais abomina. Não por outra razão ele detesta a liberdade de expressão,  e tenta, a qualquer custo,  podar a liberdade de imprensa. Para eles, a única verdade a ser admitida é a oficial, nem sempre de acordo com os fatos. 

O pouco que o povo pode tornar-se mais esclarecido já foi suficiente para mais de 70% desejaram mudanças, de preferência, com mudanças de governo. Ninguém suporta mais tanta cretinice, tanta impostura, tanta mentira, tanta propaganda falsa, tanta promessa para um futuro que nunca chega, pois o que se percebe, ao longo do tempo, é a deterioração gradativa dos serviços essenciais.

O tal decreto imposto por Dilma Rousseff, é uma tentativa espúria de se aparelhar os Executivos  em todos níveis da administração pública.  Tenta-se reduzir a representatividade a um grau inferior quando se deveria procurar aperfeiçoá-la e torná-la mais próxima do eleitorado.  

E, antes que o petismo avance ainda mais em seu projeto hegemônico, cujas características marcantes verte um totalitarismo estúpido, é preciso mesmo mudar. Para corrigir o retrocesso implementado pelo PT, em todas as áreas da sociedade, acreditem, não será uma tarefa das mais fáceis. Demandará muitos governos para desinfetar o pensamento nacional deste atraso em que foi mergulhado, até porque o petismo continuará livre, leve e solto por aí, para sabotar seus “adversários”. 

Daí porque é indispensável que o governo seja conduzido a partir de 2015, por gente afeita a um projeto de país. Precisa gerar desenvolvimento e informação. Quanto mais se fizer neste sentido, maior defesa terá a nossa democracia contra as tentativas de sabotagem. Quanto mais educado e informado estiver o povo, ou sua maioria, menor o risco do PT continuar sua marcha hedionda. O Brasil está pronto para crescer e amadurecer, e o primeiro passo será empurrar para o lixo as ideias e ações obstinadamente antidemocráticas que o petismo encarna.