sexta-feira, março 09, 2012

Enquanto nossos “jovens” de 29 anos, brigam por meia entrada, estudantes protestam contra cortes na educação,,, na Espanha

Veja online, com agência France-Presse

De acordo com a organização do movimento estudantil, estão programadas manifestações em mais de 40 cidades espanholas durante esta quarta-feira

(Kote Rodrigo / EFE)
Estudantes espanhóis protestam nas ruas de Madri (29/02/2012) 

Com gritos de "menos cortes, mais educação", centenas de jovens estudantes e universitários protestaram nesta quarta-feira, em Madri, em um dia nacional de protestos contra os cortes na educação. "A educação é a base de tudo e é a primeira coisa que cortam. Nosso campo, a pesquisa, é o que mais está sendo cortado", denunciou Claudia Holgueras, uma estudante de ciências ambientais de 18 anos.

Além dos cortes, os espanhóis também protestam contra ações policiais contra estudantes  de Valência, no leste do país. No dia 20 de fevereiro, um protesto acabou com uma forte reação da polícia local. Estudantes alegam que foram agredidos com cassetetes e alguns chegaram a ser arrastados. "Somos estudantes, não delinquentes!", gritaram os manifestantes diante do ministério da Educação nesta quarta-feira.

"Não criamos esta crise, mas a pagamos em toda a extensão da palavra", disse à agência de notícias France-Presse o secretário-geral do sindicato nacional de estudantes, Tohil Delgado. Segundo ele, estavam previstas manifestações em cerca de 40 cidades do país.

O novo governo de direita espanhol anunciou um plano de austeridade para diminuir o déficit público que alcançou 8,51% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2011. Também implementou uma reforma para flexibilizar o mercado de trabalho e tentar criar empregos em um país onde cerca de um em cada dois jovens está desempregado.

****** COMENTANDO A NOTICIA:
E vejam isto: só em 2012, o corte orçamentário de verbas destinadas à Educação será de R$ 1,938 bilhão, o que não é pouca coisa. Porém, nossos estudantes estão mais preocupados com meia entrada em protestar pelo aumento nas tarifas de transporte coletivo. Já contra a má qualidade de ensino, que envolve um imenso número de fatores, parece que isto não os afeta. 

Não é à toa que o país se saia tão mal em provas de avaliação internacionais, e não é por falta de motivos que faltem profissionais com melhor formação no mercado. Esta falta de participação em questões que afetam diretamente a formação deles próprios, é muito preocupante. 

E não se venha alegar que os estudantes espanhóis seja um caso único. Bem mais perto do Brasil, no Chile, há protestos quase semanais de estudantes reclamando por melhor qualidade de ensino, dentre outras coisas. 

Mas nem no Chile, muito menos na Espanha, se vê estudantes protestando por conta de meia entrada. E a se registrar: a maioria destes protestos é feito justamente por aqueles que mais condições tem de pagar o valor total. Claro, que os ingressos acabam saindo muito caro, por embutirem os descontos no preço total. Assim, fica claro que o mote da gritaria acaba sendo um tiro no próprio pé.