Tribuna da Imprensa
Um dia depois de prestar esclarecimentos aos relatores do processo contra ele em curso no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a atacar ontem o grupo Abril, que edita a revista "Veja". Numa repetição de discursos anteriores, Renan acusou o grupo de "transação ilegal" no processo de venda da TVA para o Grupo Telefónica.
Em discurso de pouco menos de 15 minutos, Renan solicitou que seja suspensa pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o julgamento da negociação entre os dois grupos comerciais, marcado para a próxima semana. "A negociata fere os interesses nacionais, restringe a concorrência e agride o mercado", afirmou.
Segundo Renan, ao tentar transferir para a Telefónica, empresa estrangeira, o controle total da TVA, o grupo Abril desafia a legislação brasileira. Renan falou em "transação imoral". O pedido de adiamento do julgamento pela Anatel foi feito por Renan com base na possível abertura de uma CPI na Câmara para investigar a transação.
Segundo Renan, a transação da Abril com a Telefónica fere o artigo 7º da Lei do Cabo, que garante que as decisões em concessionária de TV a cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros. "Outra violação à lei brasileira nessa transação está na proibição que uma empresa de telefonia detenha, na mesma aérea, concessão de TV a cabo. "É um negócio ilegal, com parte já paga, que renderá ao Grupo Abril quase R$ 1 bilhão. Merece criteriosa investigação", afirmou.
Renan disse ainda que, convidados para dar esclarecimentos na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, os dirigentes da Telefónica e do Grupo Abril "fizeram ouvidos moucos, optando pela delonga e pela procrastinação".
"Tentam desesperadamente adiar os esclarecimentos, na esperança de que uma maquiagem salvadora iluda o País e chancele essa imoralidade", discursou o presidente do Senado, mencionando "empresários gananciosos, que, ferindo o interesse nacional, fazem fortuna vendendo concessões que ganharam do Estado brasileiro ao capital estrangeiro".
O presidente do senado também comentou rapidamente seu depoimento, um dia antes, ao Conselho de Ética, e disse acreditar que "esclareceu as artificiais acusações que enfrenta, as quais procuram transformar um caso que tramitou na Vara de Família em uma crise político-institucional".
Renan é acusado de ter suas despesas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Depois do discurso, Renan falou rapidamente sobre os outros dois processos contra ele no Conselho de Ética. Sobre o de número 2, que apura suposta interferência de Renan na Receita Federal em favor da cervejaria Schincariol, disse que a representação "não tem o menor sentido".
Já em relação à terceira investigação, sobre sociedade oculta com o usineiro João Lyra para compra de uma rádio e um jornal, limitou-se a dizer: "Cada dia a sua agonia."
Para editora, senador tenta manipular deputados
Diante de mais uma leva de críticas feitas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Editora Abril divulgou, no início da noite de ontem, uma nota em que condena a tentativa de criação de uma CPI para apurar a venda de uma fatia na operadora de TV por assinatura TVA ao grupo Telefónica.
"É uma tentativa espúria de alguns poucos, dentro e fora do Parlamento, para manipular a Câmara dos Deputados de modo a atingir a Abril pelos fatos que "Veja" tem revelado sobre o senador Renan Calheiros", afirma o documento. O grupo Abril, que publica a revista "Veja" e controla também a TVA, vem sendo acusado pelo presidente do Senado de usá-lo para criar uma "cortina de fumaça" em torno da venda da fatia.
Após as novas declarações do senador sobre o negócio, a Telefónica e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) preferiram não se pronunciar. Apesar de Renan ter dito que a compra da operadora de TV por assinatura pela Telefónica seria apreciada pelo conselho da agência na próxima quarta-feira, a pauta da reunião ainda não foi divulgada pela Anatel.
Um dia depois de prestar esclarecimentos aos relatores do processo contra ele em curso no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a atacar ontem o grupo Abril, que edita a revista "Veja". Numa repetição de discursos anteriores, Renan acusou o grupo de "transação ilegal" no processo de venda da TVA para o Grupo Telefónica.
Em discurso de pouco menos de 15 minutos, Renan solicitou que seja suspensa pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o julgamento da negociação entre os dois grupos comerciais, marcado para a próxima semana. "A negociata fere os interesses nacionais, restringe a concorrência e agride o mercado", afirmou.
Segundo Renan, ao tentar transferir para a Telefónica, empresa estrangeira, o controle total da TVA, o grupo Abril desafia a legislação brasileira. Renan falou em "transação imoral". O pedido de adiamento do julgamento pela Anatel foi feito por Renan com base na possível abertura de uma CPI na Câmara para investigar a transação.
Segundo Renan, a transação da Abril com a Telefónica fere o artigo 7º da Lei do Cabo, que garante que as decisões em concessionária de TV a cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros. "Outra violação à lei brasileira nessa transação está na proibição que uma empresa de telefonia detenha, na mesma aérea, concessão de TV a cabo. "É um negócio ilegal, com parte já paga, que renderá ao Grupo Abril quase R$ 1 bilhão. Merece criteriosa investigação", afirmou.
Renan disse ainda que, convidados para dar esclarecimentos na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, os dirigentes da Telefónica e do Grupo Abril "fizeram ouvidos moucos, optando pela delonga e pela procrastinação".
"Tentam desesperadamente adiar os esclarecimentos, na esperança de que uma maquiagem salvadora iluda o País e chancele essa imoralidade", discursou o presidente do Senado, mencionando "empresários gananciosos, que, ferindo o interesse nacional, fazem fortuna vendendo concessões que ganharam do Estado brasileiro ao capital estrangeiro".
O presidente do senado também comentou rapidamente seu depoimento, um dia antes, ao Conselho de Ética, e disse acreditar que "esclareceu as artificiais acusações que enfrenta, as quais procuram transformar um caso que tramitou na Vara de Família em uma crise político-institucional".
Renan é acusado de ter suas despesas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Depois do discurso, Renan falou rapidamente sobre os outros dois processos contra ele no Conselho de Ética. Sobre o de número 2, que apura suposta interferência de Renan na Receita Federal em favor da cervejaria Schincariol, disse que a representação "não tem o menor sentido".
Já em relação à terceira investigação, sobre sociedade oculta com o usineiro João Lyra para compra de uma rádio e um jornal, limitou-se a dizer: "Cada dia a sua agonia."
Para editora, senador tenta manipular deputados
Diante de mais uma leva de críticas feitas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Editora Abril divulgou, no início da noite de ontem, uma nota em que condena a tentativa de criação de uma CPI para apurar a venda de uma fatia na operadora de TV por assinatura TVA ao grupo Telefónica.
"É uma tentativa espúria de alguns poucos, dentro e fora do Parlamento, para manipular a Câmara dos Deputados de modo a atingir a Abril pelos fatos que "Veja" tem revelado sobre o senador Renan Calheiros", afirma o documento. O grupo Abril, que publica a revista "Veja" e controla também a TVA, vem sendo acusado pelo presidente do Senado de usá-lo para criar uma "cortina de fumaça" em torno da venda da fatia.
Após as novas declarações do senador sobre o negócio, a Telefónica e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) preferiram não se pronunciar. Apesar de Renan ter dito que a compra da operadora de TV por assinatura pela Telefónica seria apreciada pelo conselho da agência na próxima quarta-feira, a pauta da reunião ainda não foi divulgada pela Anatel.