Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Sergio Magalhães era candidato ao governo da Guanabara em 60, contra Carlos Lacerda e Tenorio Cavalcanti. Morava na Rua Gomes Carneiro, Ipanema, em um apartamento térreo. De madrugada, um tiro partiu a vidraça de uma janela da frente, a empregada encontrou uma pequena bala no tapete. No dia seguinte, a "Ultima Hora", em pleno sucesso, gritou na manchete: "Atentado contra Sergio Magalhães".
A cidade ficou emocionada. Guardas da PM foram destacados para garantir a residência do candidato do PTB-PSB. E a "Ultima Hora" fazendo campanha, levantando pistas e exigindo investigação.
O saudoso baiano Quintino de Carvalho, redator de política desta TRIBUNA DA IMPRENSA, resolveu ironizar a onda da "Ultima Hora" com uma crônica. E contou longa história, provando que o autor do atentado era o coronel Moran, personagem de Conan Doyle na tentativa de assassinato de Sherlock Holmes.
Quintino
Eram várias as coincidências entre os dois tiros: furo na vidraça, autor não visto, bala encontrada no tapete pela empregada. Quintino escreveu a crônica e deixou sobre a mesa do redator-chefe, Luís Ernesto Caudwal.
Caudwal tinha ido naquele dia a São Paulo. Voltou à noite exausto, atarefado com o jornal e a campanha de Lacerda. Precisava arranjar a manchete da primeira página para fechar imediatamente o jornal.
Sobre a mesa, a crônica de Quintino começava assim: "Eu sei e provo. O autor do atentado contra a casa de Sergio Magalhães foi o coronel Moran".
Caudwal não leu mais nada. A manchete, sensacional, estava ali. No dia seguinte, esta TRIBUNA dava na primeira página, em enormes letras negras: "CORONEL MORAN, O AUTOR DO ATENTADO". A "barriga", fantástica, liquidou o atentado. Ninguém mais falou nele.
Mensalão
Depois de três dias de debates no Supremo, o País não teve mais dúvidas: a culpa do Mensalão é do coronel Moran. Sem argumentos para derrubarem a irrespondível denúncia do procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o voto exemplar do ministro relator Joaquim Barbosa, os advogados do chefão José Dirceu, de Genoino, Delubio, Silvinho, Valério, Costa Neto, João Paulo Cunha, toda a "quadrilha dos 40", da "organização criminosa" do Mensalão, só conseguiram dizer que era "uma peça de ficção".
Para os acostumados a defenderem bandidões de bilhões de dólares, como o colombiano Abadia, ou de milhões de dólares, como os "bispos" Hernandes, Fernandinho Beira-Mar, Marcola e tantos outros, um escândalo de 100 milhões de reais lhes parece história da carochinha, de literatura infantil.
Coronel Dirceu
Os 10 milhões que Duda Mendonça confessou que o PT depositou em uma conta dele no exterior para eles são uma mixaria. Os 10 milhões que Waldemar Costa Neto contou que recebeu do PT foram uma merreca. Os milhões que Marcos Valério pegou no Banco Rural e no BMG para o PT, depois dos acertos dos banqueiros com Dirceu, Genoino, Delubio, Silvinho, na Casa Civil, dentro do Palácio do Planalto, eram restos da gamela. O dinheiro do Banco do Brasil na Visanet, que o insaciável Gushiken mandou Pizzolatto dar a Valério para voltar para Delubio, foi só uma lavagenzinha do tacho.
Isso tem um nome e o País inteiro sabe: roubo, roubalheira. Não adiantou espernearem. O imperturbável procurador geral e o criterioso ministro Barbosa provaram, didaticamente, que uma "quadrilha" se organizou, criou-se uma "organização criminosa" para disfarçar o crime a serviço do PT.O chefão tinha nome. E não era o coronel Moran. Era o coronel Dirceu.
Estouro
Lúcido economista, de experiência nacional e internacional, faz as contas:
1 - Os Estados Unidos têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 13 trilhões. A dívida financiada no sistema imobiliário norte-americano atingiu US$ 10,2 trilhões. O "subprime" (empréstimo a clientes com lastro duvidoso) gerou o estouro atual pela falta de condições para pagamento das prestações.
2 - Hoje, o PIB das 20 principais economias do mundo representa US$ 50 trilhões. E os títulos dos chamados "mercados derivativos", onde a especulação corre solta (o mundo imobiliário é só uma parte), estão cotados no valor global de US$ 400 trilhões. Isso não pode e não vai terminar bem.
Ombudsman
Falando de Joel Silveira, a "Folha" diz que "de suas histórias com presidentes da República, de Antonio Carlos (sic) a Tancredo Neves, resultaram outros tantos livros".
Sergio Magalhães era candidato ao governo da Guanabara em 60, contra Carlos Lacerda e Tenorio Cavalcanti. Morava na Rua Gomes Carneiro, Ipanema, em um apartamento térreo. De madrugada, um tiro partiu a vidraça de uma janela da frente, a empregada encontrou uma pequena bala no tapete. No dia seguinte, a "Ultima Hora", em pleno sucesso, gritou na manchete: "Atentado contra Sergio Magalhães".
A cidade ficou emocionada. Guardas da PM foram destacados para garantir a residência do candidato do PTB-PSB. E a "Ultima Hora" fazendo campanha, levantando pistas e exigindo investigação.
O saudoso baiano Quintino de Carvalho, redator de política desta TRIBUNA DA IMPRENSA, resolveu ironizar a onda da "Ultima Hora" com uma crônica. E contou longa história, provando que o autor do atentado era o coronel Moran, personagem de Conan Doyle na tentativa de assassinato de Sherlock Holmes.
Quintino
Eram várias as coincidências entre os dois tiros: furo na vidraça, autor não visto, bala encontrada no tapete pela empregada. Quintino escreveu a crônica e deixou sobre a mesa do redator-chefe, Luís Ernesto Caudwal.
Caudwal tinha ido naquele dia a São Paulo. Voltou à noite exausto, atarefado com o jornal e a campanha de Lacerda. Precisava arranjar a manchete da primeira página para fechar imediatamente o jornal.
Sobre a mesa, a crônica de Quintino começava assim: "Eu sei e provo. O autor do atentado contra a casa de Sergio Magalhães foi o coronel Moran".
Caudwal não leu mais nada. A manchete, sensacional, estava ali. No dia seguinte, esta TRIBUNA dava na primeira página, em enormes letras negras: "CORONEL MORAN, O AUTOR DO ATENTADO". A "barriga", fantástica, liquidou o atentado. Ninguém mais falou nele.
Mensalão
Depois de três dias de debates no Supremo, o País não teve mais dúvidas: a culpa do Mensalão é do coronel Moran. Sem argumentos para derrubarem a irrespondível denúncia do procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o voto exemplar do ministro relator Joaquim Barbosa, os advogados do chefão José Dirceu, de Genoino, Delubio, Silvinho, Valério, Costa Neto, João Paulo Cunha, toda a "quadrilha dos 40", da "organização criminosa" do Mensalão, só conseguiram dizer que era "uma peça de ficção".
Para os acostumados a defenderem bandidões de bilhões de dólares, como o colombiano Abadia, ou de milhões de dólares, como os "bispos" Hernandes, Fernandinho Beira-Mar, Marcola e tantos outros, um escândalo de 100 milhões de reais lhes parece história da carochinha, de literatura infantil.
Coronel Dirceu
Os 10 milhões que Duda Mendonça confessou que o PT depositou em uma conta dele no exterior para eles são uma mixaria. Os 10 milhões que Waldemar Costa Neto contou que recebeu do PT foram uma merreca. Os milhões que Marcos Valério pegou no Banco Rural e no BMG para o PT, depois dos acertos dos banqueiros com Dirceu, Genoino, Delubio, Silvinho, na Casa Civil, dentro do Palácio do Planalto, eram restos da gamela. O dinheiro do Banco do Brasil na Visanet, que o insaciável Gushiken mandou Pizzolatto dar a Valério para voltar para Delubio, foi só uma lavagenzinha do tacho.
Isso tem um nome e o País inteiro sabe: roubo, roubalheira. Não adiantou espernearem. O imperturbável procurador geral e o criterioso ministro Barbosa provaram, didaticamente, que uma "quadrilha" se organizou, criou-se uma "organização criminosa" para disfarçar o crime a serviço do PT.O chefão tinha nome. E não era o coronel Moran. Era o coronel Dirceu.
Estouro
Lúcido economista, de experiência nacional e internacional, faz as contas:
1 - Os Estados Unidos têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 13 trilhões. A dívida financiada no sistema imobiliário norte-americano atingiu US$ 10,2 trilhões. O "subprime" (empréstimo a clientes com lastro duvidoso) gerou o estouro atual pela falta de condições para pagamento das prestações.
2 - Hoje, o PIB das 20 principais economias do mundo representa US$ 50 trilhões. E os títulos dos chamados "mercados derivativos", onde a especulação corre solta (o mundo imobiliário é só uma parte), estão cotados no valor global de US$ 400 trilhões. Isso não pode e não vai terminar bem.
Ombudsman
Falando de Joel Silveira, a "Folha" diz que "de suas histórias com presidentes da República, de Antonio Carlos (sic) a Tancredo Neves, resultaram outros tantos livros".
Governador de Minas, Antonio Carlos nunca foi presidente da República. E a "Revolução de 30" aconteceu exatamente por isso.
Ombudsman (2)
"O Globo" publicou uma foto do deputado Henrique Alves (PMDB-RN) dizendo que é "ex-deputado" (sic). Ele não é essa Brastemp toda. Mas é deputado desde 1970, hoje o mais antigo da Câmara, com 10 mandatos, ininterruptamente. E é o líder do PMDB na Câmara. Só "O Globo" não sabe.