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Por Augusto Nunes
Oublicado no Jornal do Brasil
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A ladainha foi entoada, de novo, no primeiro debate do segundo turno. "Corrupção existiu em todos os governos", desconversou na TV Bandeirantes o presidente-candidato. "A diferença é que nós punimos". Na primeira fila da platéia, Marta Suplicy até conseguiu distender a musculatura facial aprisionada a cada três dias. Feliz, repetiu o mantra no fim do debate: "Só o nosso governo pune".
.Pune coisa nenhuma, informa a vida real. As evidências são muitas e penosas. O extorsionário Waldomiro Diniz, por exemplo, não foi sequer demitido. Foi exonerado "a pedido". José Dirceu viu confiscada por Roberto Jefferson a tarja de capitão do time, mas mantém o direito de ir e vir (sempre à caça de negócios espertos). O estuprador de contas bancárias Antonio Palocci, deputado eleito, vai homiziar-se numa bancada feita de mensaleiros, vampiros e sanguessugas, todos beneficiários da mão amiga da impunidade.
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O trem-pagador Paulo Okamotto ainda não sofreu a mais que recomendável quebra do sigilo bancário e fiscal, fundamental para o esclarecimento de suspeitíssimas doações à Primeira Família. Algumas o vinculam a Marcos Valério, outro que não sabe o que é dormir num catre.
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O trem-pagador Paulo Okamotto ainda não sofreu a mais que recomendável quebra do sigilo bancário e fiscal, fundamental para o esclarecimento de suspeitíssimas doações à Primeira Família. Algumas o vinculam a Marcos Valério, outro que não sabe o que é dormir num catre.
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Silvinho Pereira nem explicou direito que fim levou aquele Land Rover. Delúbio Soares, o modernizador do assalto a banco, gasta o tempo em churrascos com amigos no sítio em Goiás. Poderá agora melhorar a comida: despedido do PT (e em liberdade), Jorge Lorenzetti está disponível. Liberado das maracutaias de campanha, o churrasqueiro do rei saberá cuidar da qualidade da carne oferecida aos convivas.
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A Polícia Federal tem colecionado operações que identificam bandidos. Mas o doutor Márcio está aí para poupar de dissabores os capturados em meio a patifarias necessárias ao desenvolvimento do partido e da nação..
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A polícia prende, o governo solta. Não há na cadeia um único bandido federal. Confrontado com essa evidência, Lula deu-se mal no debate. De onde veio o dinheiro para a compra do dossiê criminoso?, quis saber três vezes Geraldo Alckmin. Três vezes Lula se esquivou. Terá de esquivar-se nos próximos debates. Não há o que dizer. Resta-lhe tentar impedir que as investigações cheguem às cabeceiras do rio de lama.
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Se chegarem, Lula perderá todos debates. E a eleição.
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ASSESSORIA DE LULA PERDEU O DEBATE
Por Pedro do Coutto
Publicado na Tribuna da Imprensa
Por Pedro do Coutto
Publicado na Tribuna da Imprensa
A assessoria do presidente da República revelou-se para baixo. As imagens, a meu ver, sintetizaram o confronto, cujo objetivo não era o de discutir teses, mas obter votos.
Luís Inácio da Silva, logo ao início, mostrou-se defensivo. Mal assessorado, não olhou de frente para as câmeras, exatamente ao contrário do que fez Alckmin. E olhar para as lentes é fitar diretamente os telespectadores: olhos nos olhos, como na bela canção do Chico Buarque. É fundamental. A audiência - me informa o diretor-presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro - foi de 20 por cento, em média.
Na meia hora final, caiu para 14 pontos. Foi alta. Vinte por cento correspondem a 11 milhões de domicílios. Pode ter influído nas pesquisas de intenção de votos. O Ibope deve divulgar uma na Rede Globo, na noite de hoje, terça-feira. Mas a opinião pública precisa de mais uns dias para digerir os fatos. É sempre assim.
Na meia hora final, caiu para 14 pontos. Foi alta. Vinte por cento correspondem a 11 milhões de domicílios. Pode ter influído nas pesquisas de intenção de votos. O Ibope deve divulgar uma na Rede Globo, na noite de hoje, terça-feira. Mas a opinião pública precisa de mais uns dias para digerir os fatos. É sempre assim.
Alckmin dirigiu-me direta e pessoalmente a todos os que assistiam. Partiu para o ataque focalizando o ponto mais vulnerável do governo, a corrupção que envolveu diversas figuras de peso do PT e a cobrança quanto à origem do dinheiro usado na alucinada tentativa de comprar um misterioso dossiê contra José Serra, que havia disparado em relação a Aloísio Mercadante no primeiro turno para o governo de São Paulo.
Lula, atingido por falsos aliados e amigos falsos, não se saiu bem na questão. Sua assessoria falhou, refletindo uma divisão interna de opiniões. Ele necessita reformulá-la imediatamente. Em primeiro lugar, entretanto, sair da defensiva e partir para a ofensiva.
Debate político é assim: na ofensiva se vence; na defensiva se perde. O Palácio do Planalto está em disputa, é essencial adotar-se uma postura firme. Inclusive, vale acentuar, sua atuação poderá produzir reflexos na posição de candidatos que disputam o segundo turno em vários estados e o apóiam para a reeleição. É o caso, por exemplo, de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul; Roberto Requião no Paraná; Sérgio Cabral Filho no Rio de Janeiro; Eduardo Campos em Pernambuco. Política é assim: como a nuvem, definiu certa vez o governador Magalhães Pinto. Muda de forma e direção a todo momento.
Por falta de memória seletiva e de assessoramento, perdeu oportunidades de ouro: não levou ao debate a lamentável atuação do governador Cláudio Lembo, que foi vice de Alckmin; esqueceu o apagão elétrico de 2001, no governo FHC, quando o presidente da República chegou ao cúmulo de dizer não ter sido avisado. Na mesma ocasião, Fernando Henrique Cardoso exigiu da população brasileira um racionamento de 20 por cento no consumo, sob pena de corte no fornecimento de energia.
O povo atendeu. E o que fez o governo? Simplesmente aumentou em 20 por cento, no mesmo mês, as tarifas de eletricidade. Isso fez com que todos os consumidores, residenciais, industriais, comerciais e de serviços, pagassem o mesmo valor por um volume de serviço menor. Onde estava a assessoria de Lula? Onde estava a ex-prefeita Marta Suplicy, agora dirigindo a campanha do presidente em São Paulo? Além disso, o presidente da República não atacou de forma intensa as privatizações da desadministração FHC. A começar pela da Vale do Rio Doce, sempre apontada como exemplo de doação pelo jornalista Helio Fernandes nesta TRIBUNA DA IMPRENSA.
Não acaba aí a seqüência de absurdos. Que dizer da privatização-doação da Light? A estatal francesa EDF não investiu um centavo e ainda deixou uma dívida no BNDES de 1 bilhão e 300 milhões de dólares. Prejuízo em aberto até hoje. O que fez o governo? Aceitou a criação de uma nova empresa, da qual o BNDES tornou-se sócio de 49 por cento da inadimplência em relação a si mesmo.
Houve, ainda, incrível, a intenção de privatizar Furnas, a segunda estatal brasileira, por um valor irrisório. Verdadeira tentativa de traição ao interesse nacional. Lula cometeu uma falha na defesa do governo Evo Morales, da Bolívia, na questão do gás natural. Alckmin encaixou um golpe curto, mas efetivo.
Agora, Alckmin falhou em não abordar a questão do funcionalismo público, que, nos últimos quatro anos, recebeu reajustes que somaram 2,1 por cento para uma inflação que o IBGE apontou em torno de 20 por cento. Nos últimos anos, as reposições inflacionárias ficaram em 9 por cento. A inflação do período registra 62 por cento. De qualquer forma, a assessoria de Alckmin contabiliza saldo positivo. A de Lula resultado negativo. Lula melhorou na meia hora final, mas revelou não estar à vontade no confronto. Deixou a impressão de temer os golpes do adversário.
Se Luís Inácio da Silva repetir na Globo o desempenho que revelou na Bandeirantes, poderá perder a eleição. Que estava ganha, não fosse o episódio do dossiê paulista. Tem que partir para a ofensiva, assumindo o mesmo tom de seu adversário. Como numa luta de boxe.
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"Não vou sozinho pro inferno, levo o Lula junto"
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Do Blog de Sandra Eks
Do Blog de Sandra Eks
Publicado no Argumento & Prosa
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Essa promessa é atribuída a Aloizio Mercadante, o pretenso "aloprado que arquitetou a engenharia do dossiê maquiavélico", em reunião com a executiva do PT, sábado, 7 de outubro. Cartas de tarô, jogos de búzios, cartomantes, ciganas, adivinhos, pais de santo, runas e cristais declaram: Lula perde as eleições, Alckmin é o novo presidente do Brasil.
E com se não bastassem os oráculos a espantar a finada reeleição de Lula, os companheiros, de saco cheio com a mutretagem desandada, deixam o barco onde a água já bate pela bunda.
E como se não bastassem os oráculos e os companheiros de saco cheio, Lula e Alckmin tiveram uma transposição de ânimos no debate da Band: Alckmin estava revigorado, claro, seguro, enquanto Lula estava mais chocho que chuchu murcho regado a paúra e caldo de jiló. Lula está esvaziado. Precisava é de botox no cérebro.Segundo um membro da executiva petista, o escândalo do dossiê bumerangue teria deflagrado o seguinte tiroteio entre Berzoini e Mercadante:
M: Quero deixar claro para os companheiros que não vou sozinho pro inferno, levo o Lula comigo.
M: Quero deixar claro para os companheiros que não vou sozinho pro inferno, levo o Lula comigo.
B: Isso é uma canalhice sua, Mercadante. O Lula não suportaria mais essa.
M: Isso é problema seu e do Lula. Eu não sou o presidente do PT que se acovardou na frente do Lula. Eu tenho mais de 10 milhões de votos, quero que me respeitem. O Lula não é minha muleta, não dependo do Lula pra sobreviver. Já dei provas de minha lealdade ao Lula, segurei todas as broncas dele no Senado, inclusive a do filho dele.
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Segundo esse mesmo membro da executiva, Lula sabia do dossiê e mandou o secretário Freud acompanhar o pagamento. Lacerda funcionou com office-boy carregador de mala e Mercadante teria tratado com a revista Isto É por 2 milhões de dólares a capa e a matéria.
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É o que rola nos corredores da mídia. Si non è vero è bene trovato, não acredito que a verdade esteja muito longe disso.