sábado, junho 30, 2012

Gestão temerária e intromissão irresponsável na Petrobrás


Adelson Elias Vasconcellos

No dia 27.10.2010, escrevi um artigo (íntegra aqui) em que apontava as mentiras que Dilma Rousseff apresentara num debate com José na Rede Record. Estas mentiras, eram a repetição do discurso canalha que Lula vinha repetindo em palanques pelo país todo, devidamente amparado pelo então presidente da Petrorbrás, Sérgio Gabrielli.

Naquele artigo, comecei por desmistificar a apntomima que Lula inventara sobre a Petrobrás ao tempo de FHC. Dizia então:

Pois bem, em 2002 ao transferir o governo para Lula, a situação da Petrobrás era outra. A estatal voltara a investir, a produção dobrara, passara para 1,4 milhões de barris/dia, foi feita uma bem sucedida capitalização em nível popular, quando se permitiu que as pessoas físicas utilizassem parte do seu saldo no FGTS para a subscrição de ações (coisa que Lula tentou evitar mas teve que recuar), e com a quebra do monopólio, a Petrobrás firmara dezenas de parcerias que lhe permitiram aumentar a área explorada e a descoberta de novos campos em águas profundas, dentre os quais a camada pré-sal, da qual, estudos anteriores à era Lula, já indicavam enorme potencial.

Com efeito, foi a partir da quebra do monopólio de exploração que, não apenas aumentaram exponencialmente os investimentos nas áreas de exploração, como também fortaleceram a Petrobrás para que aumentasse sua produção.

Voltando ao debate e ao artigo de 2010. O então candidato José Serra, com propriedade e segurança, demonstrou três inverdades então contadas pela dupla Lula/Dilma. A saber:  

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Mas voltemos às acusações de Serra. Foram ao menos três: a entrega de uma das diretorias da estatal para Collor, em troca de apoio político do ex-presidente, maior número de privatizações de áreas para exploração com favorecimento a investidor privado, e privatização de área do pré-sal.

E demonstrei a correção do que dissera Serra apontando três fatos, que,em resumo, foram os seguintes:

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Fato 1. – O governo Lula, em troca de apoio político, entregou uma das diretorias à influência de Fernando Collor. Verdade ou mentira? VERDADE. O diretor de Operações e Logística da BR Distribuidora, José Zonis, foi indicado para o cargo pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL). A indicação foi feita em setembro do ano passado.

Fato 2.- O governo Lula “privatizou” áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada, em número maior do que FHC, inclusive favorecendo uma das empresas privadas em especial, a OGX, do Eike Batista. Verdade ou mentira? VERDADE. A concessão de novas áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada ocorreu nos seis primeiros anos do governo Lula. O auge foi registrado em 2007, quando 27 empresas ganharam lotes - destas, 16 estrangeiras e 11 que estrearam no país, como operadoras. No total, 108 empresas ganharam áreas, sendo 53 estrangeiras, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Fato 3.- Favorecimento a grupos privados, inclusive na área do pré-sal. Verdade ou mentira? VERDADE. Ildo Sauer que foi diretor da estatal de 2003 a 2007, conta como Eike Batista foi favorecida por Dilma Rousseff já na área do pré-sal, e também toca num outro ponto delicadíssimo, inclusive correndo uma ação na Justiça contra o processo, de favorecimento à White Martins, na área do gás.

O noticiário dos últimos dias, praticamente dois anos passados daquele debate, vem mostrar mais uma vez que Lula/Dilma mentira desavergonhadamente para o país. Nesta edição, vejam lá, mostramos que a Petrobrás foi a petrolífera que sofreu a maior queda no valor de suas ações no mundo. Como também, ficou evidenciado que o favorecimento a Eike Batista e seu grupo “X”, não passava de uma bolha, e o prejuízo que provocou a quem nele acreditou elevam-se em milhões.

Também nesta edição, em outros artigos e reportagens,  fica claro que o país foi e continua sendo enganado. A presidente Dilma sequer tem a desculpa de que o presidente era outro. Era ela, com mão de ferro, quem dava as cartas na Petrobrás. 
E, por mais escabroso que possa parecer, o grande público ainda não conhece a missa a metade. Chegará a hora que o país vai exigir a abertura da imensa caixa preta que é aquela estatal, e tomaremos ciê4ncia de que ali se encontra um verdadeiro império, uma espécie de Brasil a parte, e de que os grandes palhaços somos todos nós. 

Especialmente no Brasil, estatal nunca cuidou dos grandes interesses nacionais. Sempre foi para servir um grupo, uma oligarquia, uma elite estatal privilegiada. A forma como o governo vem se comportando EME relação a administração desta companhia, além de abusiva e excessiva, tem sido de gestão fraudulenta e temerária, prejudicando, consciente e deliberadamente, os acionistas minoritários, roubando a capacidade financeira da estatal, montando esquemas de cambalacho para sonegar à opinião pública os interesses e a real situação financeira da Petrobrás. 

Há muito que venho acusando o governo petista de se utilizar destes esquemas de submundo para administrar a estatal e que estes esquemas já mereceriam de parte da CVM a abertura de um processo contra a administração da companhia. Eike Batista? Foi apenas um daqueles laranjas que se utiliza para acobertar tramoias de todo o tipo.

E que fique: em 2010, o desespero de Lula e petistas para fazer de Dilma a sucessora do fanfarrão, não se destinava a dar continuidade a um plano de governo iniciado com Lula, porque, a rigor, plano de governo nunca houve nenhum. Visava apenas a perpetuação no poder de um grupo que vem, nestes últimos anos, solapando o país, mentindo e explorando seu próprio povo,  porque para este gente o que realmente importa é o poder pelo poder, mesmo que para tanto, se tenha que prejudicar os interesses do país.  

Passe o tempo que passar, mas cedo ou tarde a máscara desta turma irá cair e saiam da frente porque o que iremos assistir vai chocar, e muito, os incautos, os crédulos, não aqueles que conhecem a essência e a consciência deste grupelho de assaltantes do país.  Párias que se servem do trabalho honesto de seu povo apenas para satisfazer seus interesses individuais. O Brasil que se dane! 

A sra. Graça Foster pelo tempo que já dedicou à Petrobrás tem condições de por a estatal em bom caminho, e o primeiro passo seria gerir a empresa com menos interferência política do governo. E, dar seguimento a uma política realista dentro da capacidade de investimentos que a companhia é capaz de suportar. Já por aí recuperaria a Petrobrás junto a todos os seus acionistas grande parte da credibilidade perdida sob o manto de Luiz Inácio. O Brasil precisa de trabalho honesto e seriedade, e muito, muito menos mistificação e cretinice.