Adelson Elias Vasconcellos
No dia 27.10.2010, escrevi um artigo (íntegra aqui) em que apontava as mentiras que Dilma Rousseff apresentara num debate com José na Rede Record. Estas mentiras, eram a repetição do discurso canalha que Lula vinha repetindo em palanques pelo país todo, devidamente amparado pelo então presidente da Petrorbrás, Sérgio Gabrielli.
Naquele artigo, comecei por desmistificar a apntomima que Lula inventara sobre a Petrobrás ao tempo de FHC. Dizia então:
Pois bem, em 2002 ao transferir o governo para Lula, a situação da Petrobrás era outra. A estatal voltara a investir, a produção dobrara, passara para 1,4 milhões de barris/dia, foi feita uma bem sucedida capitalização em nível popular, quando se permitiu que as pessoas físicas utilizassem parte do seu saldo no FGTS para a subscrição de ações (coisa que Lula tentou evitar mas teve que recuar), e com a quebra do monopólio, a Petrobrás firmara dezenas de parcerias que lhe permitiram aumentar a área explorada e a descoberta de novos campos em águas profundas, dentre os quais a camada pré-sal, da qual, estudos anteriores à era Lula, já indicavam enorme potencial.
Com efeito, foi a partir da quebra do monopólio de exploração que, não apenas aumentaram exponencialmente os investimentos nas áreas de exploração, como também fortaleceram a Petrobrás para que aumentasse sua produção.
Voltando ao debate e ao artigo de 2010. O então candidato José Serra, com propriedade e segurança, demonstrou três inverdades então contadas pela dupla Lula/Dilma. A saber:
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Mas voltemos às acusações de Serra. Foram ao menos três: a entrega de uma das diretorias da estatal para Collor, em troca de apoio político do ex-presidente, maior número de privatizações de áreas para exploração com favorecimento a investidor privado, e privatização de área do pré-sal.
E demonstrei a correção do que dissera Serra apontando três fatos, que,em resumo, foram os seguintes:
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Fato 1. – O governo Lula, em troca de apoio político, entregou uma das diretorias à influência de Fernando Collor. Verdade ou mentira? VERDADE. O diretor de Operações e Logística da BR Distribuidora, José Zonis, foi indicado para o cargo pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL). A indicação foi feita em setembro do ano passado.
Fato 2.- O governo Lula “privatizou” áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada, em número maior do que FHC, inclusive favorecendo uma das empresas privadas em especial, a OGX, do Eike Batista. Verdade ou mentira? VERDADE. A concessão de novas áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada ocorreu nos seis primeiros anos do governo Lula. O auge foi registrado em 2007, quando 27 empresas ganharam lotes - destas, 16 estrangeiras e 11 que estrearam no país, como operadoras. No total, 108 empresas ganharam áreas, sendo 53 estrangeiras, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Fato 3.- Favorecimento a grupos privados, inclusive na área do pré-sal. Verdade ou mentira? VERDADE. Ildo Sauer que foi diretor da estatal de 2003 a 2007, conta como Eike Batista foi favorecida por Dilma Rousseff já na área do pré-sal, e também toca num outro ponto delicadíssimo, inclusive correndo uma ação na Justiça contra o processo, de favorecimento à White Martins, na área do gás.
O noticiário dos últimos dias, praticamente dois anos passados daquele debate, vem mostrar mais uma vez que Lula/Dilma mentira desavergonhadamente para o país. Nesta edição, vejam lá, mostramos que a Petrobrás foi a petrolífera que sofreu a maior queda no valor de suas ações no mundo. Como também, ficou evidenciado que o favorecimento a Eike Batista e seu grupo “X”, não passava de uma bolha, e o prejuízo que provocou a quem nele acreditou elevam-se em milhões.
Também nesta edição, em outros artigos e reportagens, fica claro que o país foi e continua sendo enganado. A presidente Dilma sequer tem a desculpa de que o presidente era outro. Era ela, com mão de ferro, quem dava as cartas na Petrobrás.
E, por mais escabroso que possa parecer, o grande público ainda não conhece a missa a metade. Chegará a hora que o país vai exigir a abertura da imensa caixa preta que é aquela estatal, e tomaremos ciê4ncia de que ali se encontra um verdadeiro império, uma espécie de Brasil a parte, e de que os grandes palhaços somos todos nós.
Especialmente no Brasil, estatal nunca cuidou dos grandes interesses nacionais. Sempre foi para servir um grupo, uma oligarquia, uma elite estatal privilegiada. A forma como o governo vem se comportando EME relação a administração desta companhia, além de abusiva e excessiva, tem sido de gestão fraudulenta e temerária, prejudicando, consciente e deliberadamente, os acionistas minoritários, roubando a capacidade financeira da estatal, montando esquemas de cambalacho para sonegar à opinião pública os interesses e a real situação financeira da Petrobrás.
Há muito que venho acusando o governo petista de se utilizar destes esquemas de submundo para administrar a estatal e que estes esquemas já mereceriam de parte da CVM a abertura de um processo contra a administração da companhia. Eike Batista? Foi apenas um daqueles laranjas que se utiliza para acobertar tramoias de todo o tipo.
E que fique: em 2010, o desespero de Lula e petistas para fazer de Dilma a sucessora do fanfarrão, não se destinava a dar continuidade a um plano de governo iniciado com Lula, porque, a rigor, plano de governo nunca houve nenhum. Visava apenas a perpetuação no poder de um grupo que vem, nestes últimos anos, solapando o país, mentindo e explorando seu próprio povo, porque para este gente o que realmente importa é o poder pelo poder, mesmo que para tanto, se tenha que prejudicar os interesses do país.
Passe o tempo que passar, mas cedo ou tarde a máscara desta turma irá cair e saiam da frente porque o que iremos assistir vai chocar, e muito, os incautos, os crédulos, não aqueles que conhecem a essência e a consciência deste grupelho de assaltantes do país. Párias que se servem do trabalho honesto de seu povo apenas para satisfazer seus interesses individuais. O Brasil que se dane!
A sra. Graça Foster pelo tempo que já dedicou à Petrobrás tem condições de por a estatal em bom caminho, e o primeiro passo seria gerir a empresa com menos interferência política do governo. E, dar seguimento a uma política realista dentro da capacidade de investimentos que a companhia é capaz de suportar. Já por aí recuperaria a Petrobrás junto a todos os seus acionistas grande parte da credibilidade perdida sob o manto de Luiz Inácio. O Brasil precisa de trabalho honesto e seriedade, e muito, muito menos mistificação e cretinice.