quinta-feira, julho 18, 2013

Que meta, presidente?

Thais Herédia 
Portal G1

A presidente Dilma Rousseff disse aos participantes da reunião de seu “conselhão” econômico ter certeza de que a inflação deste ano ficará dentro da meta. Se a presidente se refere ao intervalo de tolerância do sistema de metas para inflação adotado pelo Brasil, ela está correta. Porque a meta estipulada para este ano é de 4,5%. Se o índice oficial, o IPCA, ficar até 2 pontos percentuais acima (ou seja, até 6,5%) ou abaixo da meta, considera-se cumprida a missão do Banco Central.

Dilma também criticou quem critica o governo porque, segundo ela, “há dados concretos que desmentem análises negativas. O barulho tem sido muito maior que o fato. Temos dificuldade sim, mas temos também uma situação hoje que não se compara com nenhum momento no passado”.

Sobre a inflação, os fatos são: em 2011 o IPCA fechou em 6,5% (ufa!); em 2012 ficou em 5,84%. Para 2013, as estimativas coletadas para o BC indicam uma inflação de 5,80%. Para 2014, o próprio BC já reconheceu que ela pode chegar a 6%. Ou seja, estamos bem longe da meta de inflação, propriamente dita, neste e no ano que vem. Por isso o BC começou a subir os juros.

Ainda sobre inflação, ela seria muito maior sem as desonerações dos produtos da cesta básica, sem a redução das contas da energia elétrica e sem o reajuste dos transportes. E ainda assim ela roda hoje em 6,7%.

Dilma Rousseff tem razão quando diz que sofremos “choques” que não estão sob o nosso controle, como a quebra das safras dos grãos no exterior que gerou alta inesperada dos preços. Mas os choques acontecem e é preciso ter um certo colchão para amortecê-los, assim o custo para trazer a inflação de volta é menor. Estamos sem colchão, sem lençol e sem travesseiro.

Sobre as contas públicas, os fatos são: vamos para um segundo ano seguido de não cumprimento da meta (outra meta) de superávit primário – poupança para o pagamento dos juros. Tão grave quanto isso é a tentativa do governo de suavizar o compromisso com essa economia, criando malabarismos contábeis para justificar a não entrega do resultado.

A presidente também tem razão quando diz que a dívida pública está em melhores condições do que no passado. Mas essa vantagem só permanece se for cultivada. O que certamente não acontece quando o governo não consegue cobrir os custos do que deve sem prejudicar os investimentos.

Ainda se estivéssemos crescendo com mais “robustez”, seria menos doloroso cortar gastos (também para ajudar a inflação). Ainda que estivéssemos com a inflação dentro da meta, custaria menos à sociedade o esforço para baixá-la. Para entender o que quer o governo, seria preciso enxergar qual a meta que persegue a presidente.