Adelson Elias Vasconcellos
Lula esteve em São Paulo, durante a cerimônia de início de negociação das novas ações da Petrobrás, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Leiam a notícia. Comento em seguida:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, em São Paulo, que o processo de capitalização da Petrobras foi uma das salvaguardas utilizadas pelo governo para que os recursos gerados com o petróleo e gás extraídos da camada pré-sal não fossem desperdiçados. Durante a cerimônia de início de negociação das novas ações da petrolífera, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Lula afirmou que se as riquezas tivessem sido descobertas em "outros tempos", elas poderiam ter sido "alienadas" do Estado brasileiro.
Lula afirmou que um Estado fraco nunca foi sinônimo de iniciativa privada forte e defendeu o planejamento do governo para exploração das reservas e futura utilização do dinheiro obtido com elas. O presidente disse que uma das metas será investir para que a educação pública tenha a mesma qualidade que as instituições de ensino privado.
O presidente disse que a capitalização da Petrobras serve como afirmação da empresa, de seus engenheiros e técnicos.
A pouco mais de três meses de deixar seu segundo mandato, Lula afirmou que há 10 anos passava na porta da bolsa de São Paulo e as pessoas "tremiam de medo" e o chamavam de "comedor de capitalismo".
"Nunca antes na história da humanidade tivemos um processo de capitalização da envergadura do que estamos fazendo aqui", disse Lula.
COMENTO:
Muito bem: desde que Lula assumiu em 2003, o seu esporte predileto tem sido o de demonizar o governo de Fernando Henrique, que o antecedeu no poder no período de 1995 a 2002, e terá sido esta ordem, primeiro FHC depois Lula, a razão direta para o sucesso que o país desfruta hoje.
E assim é porque jamais Lula poderia dizer o que hoje. Lula, em 1995, não teria encontrado o Brasil na situação que encontrou em 2003. Primeiro, a situação da economia mundial era débil, com média de crescimento entre 2 a 3% ao ano, e a situação econômica do país era caótica.
Teria encontrado, por certo, o Estado forte que propaga, já que o Estado brasileiro era repleto de estatais, mas nenhuma, a exceção da Petrobrás, gerava lucros ao Tesouro. Pelo contrário, seus déficits se sucediam e aumentam ano após ano. A dívida estava fora de controle, e praticamente nosso crédito era zero, o preço que se pagava pela moratória burra decretada anos antes no governo de José Sarney.
Praticamente, o melhor investimento que se podia fazer era jogar dinheiro na especulação financeira, em decorrência da correção monetária fruto de uma inflação sem controle. Tanto que, com o fim da inflação, inúmeros bancos quebraram. Não sabiam ganhar dinheiro fora dela. E quem era o indutor do descontrole e da inflação? O próprio Estado, face ao desregramento das contas públicas. A capacidade de investimento público era zero.
Nada do que está acima é opinativa. Os arquivos dos semanários e jornais estão aí mesmo para comprovar os fatos narrados.
Sorte de Lula, e do Brasil, FHC ter vindo antes e com uma equipe de técnicos competentes ter arrumado o país e dado ao Estado, a cara e a racionalidade que tem hoje.
Dentre tantas construções iniciadas e erguidas, uma foi a da quebra do monopólio da Petrobrás para exploração e prospecção de petróleo em águas profundas, coisa contra a qual Lula e o PT se rebelaram.
E não a coragem e determinação de FHC, jamais o país teria conhecido suas reservas de petróleo na camada pré-sal. Não foi a política quem descobriu a mina de ouro negro. Ele é herdeiro direto do trabalho anterior.
Jamais a Petrobrás foi alvo de qualquer processo de privatização. A quebra do monopólio foi justamente por falta de capital próprio para exploração, que exige alto investimento, e o que é pior, investimento de risco. Gasta-se uma fortuna na exploração em determinada área, sem a certeza de que ela dará o retorno necessário.
Dizer que “... se as riquezas tivessem sido descobertas em "outros tempos", elas poderiam ter sido "alienadas" do Estado brasileiro...” não apenas é uma mentira absurda: é má fé elevada ao seu grau máximo, é canalhice no seu estado mais puro. Antes de mais nada, alguém esqueceu de avisar ao presidente, de que, durante 1995 a 2002, período em que o país foi governado por FHC, a participação do governo na Petrobrás se manteve em ...50%. Com Lula e seu Estado forte, a participação caiu para 40% e agora, com a capitalização, tão exaltada, ela não irá além de 48%, se mantendo menor ainda do que era até 2002. E ao outro, contudo, é que ele acusa de alienar as riquezas do país.
Talvez, daqui alguns anos, alguém escrevendo a verdadeira historio destes tempos nebulosos, resolva expor ao Brasil sua própria realidade, e ao retirar o invólucro que encobre os fatos, as personagens, quem fez o quê, o país resgata com a decência merecida as realizações de um período de governo em que foi possível construir um futuro, aquele que Lula pode viver e alimentar-se até se empanturrar de glória. Se a Petrobrás se tornou a empresa que é hoje, não foi por consequência do trabalho ou do governo do senhor Lula da Silva. A semente do sucesso que hoje está colhendo se encontra num tempo em que ele e seu bando de chincaneros, iam para a porta da Bolsa de Valores não apenas para protestar, mas para agredir os investidores que ali entravam ou passavam. No dia em que aconteceu o leilão da Telebrás, o acesso dos investidores só foi possível porque havia forte policiamento, e mesmo assim, muitos foram agredidos de forma vil e covarde. Qual foi o resultado daquilo contra a qual Lula se rebelou? O telefone deixou de ser artigo de luxo, acabou-se o mercado negro das linhas telefônicas, e o telefone chegou aos mais pobres. Temos, hoje, mais de 190 milhões de celulares. E isto, não seria obtido com Estado forte aos tempos das estatais de telefone.
Lula pode se valer de sua extrema má fé para tentar emplacar sucessivas mentiras sobre a história brasileira. Mas os arquivos dos fatos estão à disposição para, no futuro, os fatos serem narrados na forma como se deram.
E diga-se: se a Petrobrás chegou onde chegou, se pode fortalecer-se e se tornar a segunda maior petrolífera do mundo, agradeça-se à determinação de quem, com a visão de futuro e amor ao país, soube resistir às pressões, para abrir o caminho que seria perseguido e alcançado no presente.
Não é necessário brigar com a verdade como Lula adora fazer, o próprio tempo se encarregará de mostrar que o Brasil, assim como não foi descoberto em 2003, seu processo de crescimento e modernização foram iniciados bem antes de Lula que, na época, foi seu maior opositor, e não o engenheiro construtor como tenta parecer.
Lula, num debate honesto, não resistiria nem cinco minutos quando confrontado com a verdade sobre o país e sobre si mesmo.