quinta-feira, maio 24, 2007

Os privilégios dos burgueses do capital alheio

Reinaldo Azevedo

Tenho publicado textos de alunos inconformados com a esquerdopatia da Fefeléchi. Sempre excelentes. Há uma curiosa coincidência entre a alfabetização e a resistência ao comuno-fascismo. Este que vai abaixo é ímpar, exemplar.A minha correspondente realmente sabe o que diz — e até fez uma concordância rara, hehe, “bastantes”. Ela toca numa questão em que prometo entrar tão logo baixe a poeira: as sinecuras de alguns professores universitários. Vocês têm o direito de saber a farra com dinheiro público que financia “viagens para pesquisa”. Mais: vocês têm o direito de comparar o quanto trabalham esses valentes por ano na comparação com o brasileiro comum. Segue o texto da minha correspondente. Passem adiante. Façam com que caia na rede. Eis caracterizados os burgueses do capital alheio:
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Reinaldo, meu nome é (...), também sou aluna de Letras (...). Peço, porém, que esses detalhes não sejam publicados, cuidado que você já vem tomando.
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O clima de "luta" na universidade é latente, sempre estimulado por umas poucas figuras que, como você bem sabe, tornaram-se folclóricas na categoria "estudantes profissionais". Mesmo assim, como ressaltou minha colega publicada aí acima, costuma ser ignorado pela maior parte dos alunos, que ou têm mais o que fazer, como trabalhar, ou simplesmente não estão nem aí.
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É lamentável que os arruaceiros façam o que façam, mas, jovens e bobos, talvez percebam algum dia que foram levados apenas pelo entusiasmo, como lembrou do alto da kombi Fábio Konder Comparato, hoje tão bem assentado em seu escritório no Alto da Lapa.
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O mais curioso, porém, é ver como esses professores fefelechianos, no mundo autista que criaram ali entre árvores, acham-se "vítimas" por terem escolhido um trabalho que lhes dá dois meses de férias, salário garantido, estabilidade no emprego, direito de greve, cesta básica e possibilidade de se aposentar mais cedo. Fora as mamatas editoriais que irrigam os bolsinhos marxistas das roupas que eles compram em viagens ao exterior bancadas por órgãos de fomento que usam imposto pago por toda a sociedade.
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Não acho errado (pelo contrário) que o dinheiro que o governo arrecada da sociedade sirva também à pesquisa. Apenas estranho que os beneficiários desses recursos vejam na sociedade uma ameaça tão grande, um monstro disforme alimentado pelo capitalismo. O que seria dessa gente se não houvesse bestas dispostas a sair à rua para trabalhar e gerar recursos pro estado? Com um pensamento tão peculiar, não é de admirar que queiram pra si mesmos tanta imunidade.
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Sem falar nos pobres-coitados terceirizados que limpam as pichações vergonhosas do prédio e do popular banheiro das Letras. (...) Seria bom que provássemos primeiro a capacidade de gerir o patrimônio parco a que temos direito antes de exigir mais. O chiqueiro ideológico em que se transformou a faculdade de Letras da USP é fruto em grande parte do descaso e/ou da má-fé de pessoas muito bem nutridas que a freqüentam.
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Há, porém, bastantes professores que não assinaram a lista de apoio ao vandalismo e à irracionalidade (há até alguns que assinaram, coitados) que dão duro todos os dias para que o nosso curso algum dia seja reconhecido mais por suas imensas capacidades acadêmicas do que por criar e nutrir aqueles que sempre se adiantam para atropelar o direito da maioria.