quinta-feira, maio 24, 2007

Para diretor da RCTV, mídia está "assustada"

Única rede da televisão aberta de alcance nacional que se mantém na oposição na Venezuela, a RCTV antes tinha companhia dos canais Venevisión, do magnata Gustavo Cisneros, também dono da DirectTV, e da Televen, do grupo Camero. Mas os dois últimos mudaram suas linha editorias desde 2005.
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O diretor geral da RCTV, Marcel Granier, contou que Omar Camero "se sente muito assustado".

- O governo tem praticado uma política de intimidação de jornalistas e meios de comunicação. No caso dos jornalistas, não teve êxito, mas nas direções das empresas muitos se deixaram intimidar - diz Granier. - Este é um governo que demonstrou uma grande capacidade para violar direitos humanos. Compreendo que muita gente tenha medo deste maquinário político-militar.

Granier contou que não conversou sobre o fim da concessão do seu canal com o seu colega e concunhado Cisneros, que abandonou o confronto logo depois de uma reunião com Chávez, antes do referendo de revogação do mandato presidencial, em 2005. O presidente ganhou nas urnas o direito de continuar no poder.

Granier disse que a única testemunha da reunião de Cisneros com Chávez é o ex-presidente dos Estados Unidos, James Carter, e ironizou que portanto só ele poderia responder sobre se houve tal encontro. O diretor disse ainda que não conversou com Cisneros sobre a situação atual, porque "ele não mora na Venezuela, e sim em Miami".

- Mas acredito que ele deve ter muitas opiniões sobre o fim do canal - acrescentou.

Mesmo prestes a perder a RCTV, Marcel Granier diz não se sentir isolado.

- Sinto uma grande solidariedade e imenso respaldo dos trabalhadores de rádio e televisão. O que está acontecendo é uma agressão contra a liberdade de expressão e informação, contra o direito dos jornalistas de exercer seu trabalho e o direito do público de escolher os programas de que mais gosta - lamentou.