terça-feira, dezembro 29, 2009

Quatro brasileiros ainda estão em estado grave após ataque no Suriname

Do G1, com informações do Jornal Nacional


Grupo de quilombolas atacou garimpeiros na cidade de Albina.
Padre brasileiro diz que há desaparecidos; embaixada nega.

Quatro brasileiros que estavam entre o grupo que foi atacado na cidade de Albina, no Suriname, continuam internados em estado grave, mas não correm mais risco de morte, segundo a embaixada brasileira no país, relata o enviado especial da TV Globo, Julio Mosquéra.

Nesta segunda-feira (28), o governo do Suriname enviou ao governo brasileiro um pedido oficial de desculpas pelo ataque ao grupo de garimpeiros na véspera do Natal.

Dos 81 brasileiros retirados da área de conflito, a maioria continua no Suriname. Apenas três manifestaram vontade de deixar o país.

Muitos desembarcaram nesta segunda no primeiro voo comercial vindo do país após o ataque.

Entre os 66 passageiros do voo, muitos deixaram o país com medo de novos conflitos. Na chegada a Belém do Pará, eles contaram como foi o ataque.

Uma mulher mostrava uma foto, e perguntava se alguém havia visto a filha.

Cinco garimpeiros que sobreviveram ao ataque chegaram na noite de domingo a Belém num avião da Força Aérea Brasileira. Eles disseram que passaram por momentos de terror.

"Foi uma noite de pânico do dia 24 para o dia 25 de dezembro", disse Reginaldo Serra.


Casa destruída em Albina, no Suriname, depois de ataque de quilombolas a estrangeiros na véspera do Natal
(Foto: Radiokatolica.com)

O conflito começou quando um homem surinamês de uma comunidade de descendentes de escravos foi esfaqueado numa briga com um brasileiro.

"Ele tinha fama de bater em muito brasileiro e roubar... Dessa vez, não deu certo", conta Fernando Lima, garimpeiro.

Os brasileiros disseram que um grupo de quilombolas decidiu revidar e saiu pela cidade de Albina destruindo tudo. A revolta começou por volta das 8 horas da noite e só terminou quando o dia clareou.

"Fizeram quebra-quebra. Quebraram tudo, foram cortando gente, jogando na água, foi aquela correria doida", diz Antonio José Silva.

"Eles tocaram fogo em postos de gasolina, queimaram dois supermercados dos chineses. Bateram em todo mundo. Parecia filme de terror", completa Lima.

Por telefone, o padre brasileiro José Vergílio, que ajudou no socorro aos feridos, diz que há desaparecidos.

"Eu trabalho com as vítimas e as vítimas estão sentindo falta exatamente dessas sete pessoas. Não estão no lado francês. Não estão nos hotéis. Onde estão?”, questiona.

O embaixador do Brasil no país, José Luiz Machado e Costa, esteve no local do ataque e disse que não há confirmação de brasileiros mortos.

"Eu sei de relato de varias pessoas que teriam buscado refúgio na mata. O que eu posso dizer é que até o momento não foram apresentados nenhum corpo e nenhum indício nesse sentido, até o momento”.