Adelson Elias Vasconcellos
Sempre condenamos aqui a atuação prá lá de vergonhosa do Itamaraty a partir da chegada de Lula ao poder. Já falamos aqui que, brasileiro no exterior, jamais pode confiar no apoio necessário e indispensável que deveria receber. Nada acontece. Ao contrário dos países desenvolvidos, cidadão brasileiro no exterior é largado à própria sorte.
Claro que tem os boçais que tentam justificar este descaso por acharem que, uma vez no exterior, azar do cristão, ou melhor, do brasileiro.
Esquecem de se perguntarem as razões que levaram milhões de brasileiros a saírem mundo afora, ao invés de permanecerem em sua terra natal, perto de seus familiares e amigos.
Um grande número destes emigrantes, saiu ou por força de melhores ofertas de trabalho, ou por razões de aperfeiçoamento e até de formação profissional em nível acadêmico, tendo em vista a baixa qualidade dos nossos cursos no Brasil.
Mas a grandiosa maioria resolveu aventurar por uma de duas razões: muitos, pelo sofrimento, em razão da insegurança pública que, em muitos casos vitimou parentes próximos. Mas sem dúvida que a falta de perspectiva de vida melhor no Brasil, empurra muita gente para fora das nossas fronteiras. Muitos até com formação superior, prefere o salário de lavadores de pratos em restaurantes e lanchonetes, por serem maiores do que no exercício de suas profissões, com salários e condições de trabalho muitas vezes humilhantes. Acreditem, se pudessem optar, estes brasileiros prefeririam permanecer em seu país. Porém, com salários baixíssimos, com uma carga tributária extorsiva e sem retorno nenhum, com uma impunidade acima de qualquer nível de tolerância, estes emigrantes optam por sair e ir em busca de uma nova perspectiva de vida, do que ficarem aqui, onde esta perspectiva é sepultada dia após dia.
O caso dos brasileiros no Suriname é bem representativo. Mesmo exercendo uma atividade de garimpo considerada ilegal no país vizinho, vivendo em condições degradantes e em situação ilegal, preferiram partir para arriscar alguma condição melhor de vida, do que ficarem aqui e viverem sem futuro algum.
A agressão de que foram vítimas às vésperas do Natal, e o que seguiu após os episódios de barbárie que sofreram, mostra o quanto o Itamaraty se desviou de sua rota histórica e que era vista com respeito no cenário internacional. O Itamaraty, a bem da verdade, tentando criar uma espécie de corrente diferente, alia-se hoje ao que há de mais abjeto no cenário político internacional, mesmo que para tanto, faça o país ser humilhado e constrangido por ações de moral pequena.
O mínimo que se esperava neste caso no Suriname seria uma nota oficial do Itamaraty repudiando e condenando a violência praticada contra cidadãos brasileiros, e a firmeza de um texto em que se declarava confiança nas autoridades policiais daquele país para apuração dos fatos, punição ao culpados e o restabelecimento da ordem para um processo de convivência harmoniosa. Lá se vão mais de 5 dias do ocorrido e de parte tanto do Itamaraty, quanto da Presidência da República, há um sepulcral silencio. Nada de condenação, nada vezes nada de confiança quanto a apuração, identificação e punição dos culpados, nada de confiança quando ao restabelecimento da ordem.
No texto com que encerramos a edição de domingo, lembramos do caso da brasileira que mentira às autoridades suíças – e que lhe custou uma condenação – sobre um suposto ataque de neo-nazistas. No dia seguinte à notícia, Celso Amorin se apressou em convocar a imprensa para fazer uma condenação não aos agressores. Mas ao povo suíço de modo geral. E, mesmo comprovada a mentira da brasileira, Amorin não teve a decência de emitir um comunicado se desculpando com o povo suíço por sua destrambelhada injustiça.
Na França, Itália, Inglaterra, Portugal e, principalmente, Espanha, brasileiros tem sido vítimas de preconceitos de parte das autoridades de Imigração. Perguntem a estes brasileiros se eles tem recebido o obrigatório apoio e assistência dos nossos serviços consulares nestes países. A resposta "não" será quase unanimidade.
Mesmo aqui no continente, não é raro brasileiros serem vítimas da violência e intolerância.
Voltando ao Suriname, o inacreditável foi a ação rápida do Itamaraty para informar que não há brasileiros mortos pelos ataques. Há testemunhos de desaparecidos, pelo menos sete, mas o Itamaraty segue negando.
E para os brasileiros que estejam no exterior, o melhor que podem esperar é que mude o governo. Não apenas de presidente, mas sobretudo de ideologia. Enquanto Celso Amorin e Marco Aurélio permanecerem dando as cartas, ou outro qualquer em caso de eleição de Dilma como sucessora de Lula, os brasileiros lá fora continuarão sem nenhum tipo de assistência. Pior ainda se morarem em países pobres ou de ideologia política tão pobre quanto a nossa. É mais fácil eles serem condenados pelo Itamaraty do que os bandidos que os atacarem.
Esta é mais uma instituição que está sendo degradada pela ideologia infame que nos desgoverna. O triste é que, a continuar vigorando esta desgraça entre nós, isto só apressará a saída de mais brasileiros para o mundo. Aqui, o pensamento é que permaneçam além dos cretinos no poder, apenas índios e puxa-sacos, que aplaudem até a mais ridícula e imoral das ações das esquerdas. Para eles, o escárnio não tem limites, desde que permaneçam encastelados no poder.
Vamos ver se ainda conseguimos para esta edição, relacionar algumas das humilhantes derrapadas cometidas no Ministério de Relações Exteriores, que um dia já foi uma instituição séria e de respeito. Acreditem que seria missão quase impossível tentar eleger qual foi a ação mais degradante cometida nestes sete anos.
Se o que se vê nos vídeos e fotos estampados nos noticiários da imprensa, e até pelos testemunhos dos garimpeiros que retornaram, não é capaz de comover nossas autoridades diplomáticos para uma reação mais firme, ou a uma posição enérgica por parte da própria presidência da República, é de se perguntar: o que será preciso haver para que cumpram com o seu dever constitucional? Sinceramente, o silencio do Itamaraty e do próprio Presidente Lula neste caso, é inconcebível e injustificável, tangencia uma irresponsabilidade impressionante pela omissão vergonhosa, não da assistência aos que lá se encontram, mas perante a opinião pública internacional. Ou se trata de covardia plena ou de fraqueza absoluta? Eu diria que ambas as alternativas estão certas.