O Globo
Dia 29 de novembro é data histórica para judeus e palestinos
AP/ARQUIVO
Judeus comemoram nas ruas de Tel Aviv decisão da ONU em 1947
O 29 de novembro não foi escolhido à toa. Nos últimos anos é celebrado como o “Dia da Solidariedade à Palestina”, mas sua história tem origem na mesma data de 1947, quando uma sessão da ONU presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha decidia pela partilha da Palestina, então sob o mandato britânico, entre um Estado judeu e um Estado árabe. Os árabes, porém, rejeitaram a decisão, e uma coalizão formada pelos árabes da Palestina com os Exércitos de Egito, Síria, Líbano, Jordânia, Iraque e Arábia Saudita partiu para a guerra. Nesta quinta-feira, 65 anos depois, os palestinos recorreram à mesma entidade em busca da oportunidade perdida.
“Fomos nós os melhores professores que podiam ter na luta pela independência. Estudaram cuidadosamente a história do movimento sionista”, ironizou Eitan Arber, um ex-conselheiro de Itzhak Rabin, em sua coluna no jornal “Yediot Ahronot”.
A decisão das Nações Unidas significa que a comunidade internacional reconhece o Estado palestino baseado nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967, ou seja, Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia - uma área territorial bem menor àquela determinada 65 anos atrás pela resolução de número 181 da Assembleia Geral da ONU.
No ano passado, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, num raro momento de espontaneidade, admitiu, em entrevista a uma emissora de TV israelense que o mundo árabe errou ao rejeitar a partilha em 1947.
- Foi um erro nosso. Um erro árabe como um todo - dissera ele.
Aquela resolução foi aprovada com 33 votos a favor, 13 contra e dez abstenções. Nesta quinta, alguns ativistas israelenses reunidos em frente ao Museu da Independência, em Tel Aviv, viam na aprovação do texto em Nova York a correção de um erro histórico.
- A escolha da data não é acidental. Há 65 anos, as Nações Unidas decidiram criar um Estado árabe e um Estado judeu, mas isso nunca aconteceu. Hoje (quinta-feira) estamos completando aquela decisão histórica com o reconhecimento da Palestina - disse Mossi Raz, ex-deputado israelense.
