quinta-feira, agosto 26, 2010

As mentiras e as verdades dos números

Adelson Elias Vasconcellos

No post anterior, fizermos picadinho de mais uma mentira, dentre centenas, espalhadas por Lula. Alguém até poderia perguntar se não nos cansamos de combatê-lo. Não, até que ele se canse de mentir ao país.

Dona Dilma Roussef, a candidata do governo à sucessão, parece que quer seguir a mesma trilha de falsidade do mestre: não passa um dia sequer, sem que, de forma cínica, grotesca e hipócrita, aplique uma ou mais mentiras. E, caso seja eleita, o país estará condenado a viver quatro anos ou mais, de pura mistificação.

Já comentamos aqui a sua mentira sobre o ENEM. Afirmou a candidata que antes não havia exames de avaliação, o que não é verdade. Lindemberg Farias, militante de carteirinha do PT, foi um dos líderes do movimento do boicote petista, quando no governo FHC, o Ministério de Educação implantou o sistema de avaliações no país. E isto é fato, não mera suposição.;

Há, contudo, outras duas mentirinhas que merecem o devido reparo. A primeira diz respeito à segurança pública e a outra, foca a Educação.

No último final de semana, acompanhamos estarrecidos o tiroteio numa das áreas mais tradicionais do Rio de Janeiro, entre bandidos e policiais, culminando com a invasão de um hotel de luxo.

Segundo noticiou a Folha online, ao falar sobre o caso, em entrevista à imprensa, em Brasília, Dilma afirmou que a "polícia agiu prontamente". "O governo do Rio tem feito um combate sistemático ao crime organizado e e tem tido sucesso", disse. A candidata petista atribuiu os "grandes avanços" à parceria entre governo federal, estadual e municipal.

Dilma aproveitou o tema para criticar a proposta de seu adversário, o tucano José Serra, de criar um Ministério de Segurança Pública. "Não é o fato de eu criar um ministério que garante que eu tenha uma boa polícia, se fosse assim o crime estaria erradicado em São Paulo", afirmou.

Pois bem, segundo números do próprio Ministério da Justiça, São Paulo reduziu seus índices de criminalidade, nos últimos anos, em mais de 60 %. Nenhum outro estado chegou a tanto. Se os números paulistas fossem seguidos pelos demais estados, a criminalidade no Brasil, se reduziria, neste momento, a um terço dos atuais índices. Portanto, como se nota, o combate ao crime promovido em São Paulo tem-se demonstrado extremamente eficiente, e não encontra nada parecido no restante do país. Parece que, ao lado da mentira que tenta impor no noticiário, dona Dilma age ao melhor estilo petista: cínica e com absoluta má fé. Deveria se informar melhor a ex-chefe da Casa Civil!

Volto ao tema educação. Lula exaltou ontem a sua condição de não -universitário que mais criou universidades. Será verdade? Vamos aos números, dados, aliás, que são disponibilizados pelo Ministério da Educação, pelo IBGE e estão bem à mostra no PNAD. Por exemplo, a Unipampa (Universidade Federal do Pampa), no Rio Grande do Sul. Há quatro anos, divide-se em instalações provisórias, espalhadas em 10 cidades. Alunos e professores ficam zanzando entre os campi, onde faltam salas e laboratórios.

Funcionam em prédios improvisados a Universidade Federal do Oeste do Paraná (Ufopa), a Federal de Alfenas (MG) e a Universidade federal Tecnológica do Paraná. O mesmo vai acontecer com a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), que terá campus em Foz do Iguaçu (PR), com projeto de Oscar Niemeyer. Temporariamente, vai operar no Parque Tecnológico de Itaipu.

Outra boa pauta é a Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-árido), no Rio Grande do Norte. Eis aí: é só o rebatismo da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, criada em 1967. O governo quadruplicou as vagas — as vagas! — em quatro anos e prometeu dois novos campi, que só existem no papel. Alunos reclamam que em laboratórios projetados para 20 alunos estão abrigando 50.

Em pleno horário eleitoral de Dilma, apareceu lá: “O governo Lula criou o Fundeb”. Mentira da grossa! O atual governo nada mais fez do que mudarem 2007 o nome do Fundef — assim como já fizera mudando o nome do Bolsa Família e do Luz para Todos, ambos já existentes, além de muitos outros em diferentes áreas. Aliás é o maior exemplo da clonagem de obras de governos passados e que Lula, em seu primeiro mandato, interrompeu a todos, retomando só no segundo mandato, sob o manto asqueroso de PAC para posar como autor das obras, quando, na verdade, não passou de mero vigarista da obra alheia.

Em relação ao FUNDEF, alterado por Lula para FUNDEB, além de atender ao ensino fundamental (como fazia o Fundef), o Fundeb se propôs também a auxiliar o ensino médio e o ensino infantil.

Querem saber o resultado da esperteza? No ensino médio — área afeita aos governos de Estado, mas sob monitoramento do Ministério da Educação, que pode atuar —, o desastre é assombroso. Nos oito anos de governo FHC, houve uma expansão de 80%; nos seis primeiros anos de governo Lula, apenas 16%. Em 1995, 33% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos estavam fora da escola. Em 2002, esse número havia caído para 18% — uma redução de 15 pontos percentuais. Em 2008, eram ainda 16% — redução de ridículos dois pontos.

Querem conhecer com maior profundidade o desastre do programa educacional do governo Lula? Falemos, por exemplo da política de alfabetização.

Cresceu o número de analfabetos no país sob o governo Lula. Os números estão estampados no PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE. No governo FHC, a redução do número de analfabetos avançou num ritmo de 0,5% ao ano; na primeira metade do governo Lula, já caiu a 0,35% - E FOI DE APENAS 0,1% ENTRE 2007 E 2008. Sabem o que isso significa? Crescimento do número absoluto de analfabetos no país.

O combate ao analfabetismo é uma responsabilidade federal. Em 2003, o próprio governo lançou o programa “Brasil Alfabetizado” como estandarte de sua política educacional. Uma dinheirama foi transferida para as ONGs sem resultado — isso a imprensa noticiou. O MEC foi deixando a coisa de lado e acabou passando a tarefa aos municípios, Sabem no que resultaram estas ações? O índice de analfabetismo brasileiro é o pior da América do Sul. Só isso...

Adicione-se, agora, o desastre do Enem, as mentiras sobre o ensino técnico, do relaxamento da aferição da qualidade do ensino superior privado, a porcentagem do PIB investido em educação, e vocês terão diante dos olhos o verdadeiro caos em que a Educação brasileira está sendo mergulhada.

Dito isto, alguém poderia questionar: e que importância tem isso, a Dilma pode ganhar no primeiro turno? Agora perguntem a qualquer brasileiro, mesmo osw beneficiados pelos programas ditos sociais do governo Lula se estão satisfeitos com o nível da educação das escolas públicas, se acham uma maravilha a qualidade da saúde pública, da segurança, das estradas, do transporte público, e vocês terão um dado muito interessante: apesar de sua enorme aprovação, a gestão do governo quando avaliada por áreas específicas de atuação mal chega a 50%, e em alguns, bem menos do que isso. E o que isto quer dizer? Que o governo tem sido extremamente eficaz com sua máquina de propaganda. Vende ao país um Brasil que não existe, e como não é contestado nem pela oposição nem pela mídia – exceção de uns poucos jornalistas ainda independentes - apesar do xororó de sempre, a mensagem acaba calcando no imaginário popular que, por fim, acaba comprando gato por lebre.

Mas aonde o governo Lula faz desastre maior não se situa apenas nos campos da educação, saúde, segurança e infraestrutura. O grande desastre que está ocorrendo desde 2003 é no campo institucional. As ações ilegais de uso do Estado em proveito imoral de um partido político, assunto que trataremos no post seguinte..