Por Nelson Valente, Blog Cláudio Humberto
Educação no Brasil é pior do que no Paraguai, Equador e Bolívia
Desconfiemos da simplificação da mídia. Sem dúvida, mas ela é com certeza muito útil para tornar claras certas coisas.
Os candidatos à presidência da República e aos governos de estados da federação, falam sobre a educação brasileira com convicção e clareza, como do alto de suas cátedras, gesticulando as mãos em bom italiano. Sempre à cata de uma referência erudita ou de uma metáfora mais apropriada.
Os candidatos penetram no mundo das palavras como se entrasse num mosteiro com devoção, quase obsessivamente. É pouco dizer que eles são eruditos: são curiosos do tipo patológico, acrescido de um perfeccionismo obstinado. Esses homens e mulheres brilham no exemplo negativo do falar bonito. E o povo fica babando diante de tais promessas e ainda comentam: - “O (a) candidato (a) é muito inteligente.”
Estou cada vez mais convencido da possibilidade de que tais candidatos não existem, de que eles nada mais são do que um produto de suas próprias linguagens: uns se julgam Jânio e outras Jânio de saias.
Em vista de tantos idiotas que rodeiam, ia sentir-me culpado de tê-los imaginado. Prefiro acreditar que eles existam independentemente de minha responsabilidade pessoal.
A candidata do governo e seu projeto de governo estão presos a ásperas condições sociais, e a seus sonhos de pouca relação com a realidade da educação brasileira. O Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade no mundo e, apesar do aumento dos gastos sociais nos últimos dez anos, apresenta uma baixa mobilidade social e qualidade educacional entre gerações. Os dados estão no primeiro relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre América Latina e Caribe. Educação no Brasil é pior do que o de Paraguai, Equador e Bolívia.
Enfim, a pior do mundo em todos os níveis e modalidades de ensino. Ao analisar o cumprimento das quatro principais metas estabelecidas pela Unesco, constata-se que o Brasil não tem um bom desempenho no que se refere à alfabetização, ao acesso ao ensino fundamental e à igualdade de gênero. Tem um baixo desempenho quando se analisa o percentual de alunos que conseguem passar do 5° ano do ensino fundamental, cujos objetivos são: ler, escrever e contar. O relatório aponta que o Brasil apresenta alta repetência e baixos índices de conclusão da educação básica. Na região da América Latina e Caribe, a taxa de repetência média para todas as séries do ensino fundamental é de 4,4%. Mas no Brasil, o índice é de 18, 7% - o maior de todos os países da região.
A candidata e os candidatos estão em boa companhia, com relação a esse equívoco, pois os demais planos de governo (pelo menos os conhecidos) também parecem feitos para um país que não é o nosso.
(*) Nelson Valente - é professor universitário, jornalista e escritor.