terça-feira, julho 03, 2012

Fiesp acusa Argentina de matar Mercosul


Exame.com
Com informações da AFP

Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, representante da federação diz que o país será responsável pelo "fim do Mercosul"

Getty Images
Cristina Kirchner, presidente da Argentina: 
para Rubens Barbosa, da Fiesp, o país segue script 
contrário ao que é apregoado pelo Mercosul

São Paulo - O presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rubens Barbosa, acusou neste sábado o governo argentino de ferir mortalmente o Mercosul e afirmou que o bloco deixou de lado o enfoque comercial para se tornar um instrumento de política regional.

"Nos últimos meses adotaram medidas que mataram o Mercosul. A Argentina vai ser responsável pelo fim do Mercosul", disse Rubens Barbosa à Rádio Mitre de Buenos Aires.

Segundo o empresário, "o Mercosul hoje como instrumento de política comercial acabou, não vale nada para abrir o comércio, se transformou agora em um foro político, o que vimos ontem (sexta-feira) foi o julgamento do Paraguai e a entrada da Venezuela sem negociação ou compromisso".

A cúpula do Mercosul realizada na sexta-feira na cidade argentina de Mendoza (oeste) decidiu suspender o Paraguai devido à destituição do presidente Fernando Lugo, até a realização de eleições em abril de 2013, e acertou o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco.

O empresário atacou as restrições impostas pela Argentina, e também citou os problemas que certos produtos argentinos enfrentam para chegar ao mercado brasileiro, como vinhos, uvas, cítricos e medicamentos, entre outros.

"A Argentina adotou medidas que vão contra o Mercosul, e agora aceitam a Venezuela sem qualquer negociação concreta", disse Rubens Barbosa, que trabalhou na chancelaria brasileira durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Rubens Barbosa lembrou que o "Tratado de Assunção (1991 que deu origem ao Mercosul) estabelecia a abertura do comércio entre os sócios e o que ocorre agora é exatamente o inverso".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
As razões que Rubens Barbosa aponta não apenas fazem sentido e estão corretíssimas. mas servem , também,  para levantar ao menos uma dúvida: a seriedade da política externa conduzida por Dilma Rousseff. 

Ao aliar-se à Cristina Kirchner para suspender o Paraguai do Mercosul, abrindo caminho para a inclusão no bloco da Venezuela, de Hugo Chavez, a presidente brasileira além de ferir os princípios que regem a união dos países do Mercosul, também está aceitando, passivamente,  a política econômica anti-brasileira comandada pela governante argentina. 

Esta condução, fica claro, não atende, em momento algum, aos mais altos interesses do Brasil, razão pela qual fica difícil entender para quem, afinal de contas, Dilma Rousseff pensa estar governando.