Carlos Newton
Tribuna da Imprensa
Depois de dizer, mais uma vez, que não sabia de nada e que foi apunhalado pelas costas com a Operação Porto Seguro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não mais falar sobre sua amiga íntima Rosemary Nóvoa Noronha, ex-chefe de Gabinete da Presidência em São Paulo, que em apenas três anos acompanhou em 24 viagens internacionais e o chama de “tio” ou Luiz Inácio.
Aproveitando a blindagem feita pela Polícia Federal, que nega ter feito escuta telefônica das 122 ligações entre Rose e Lula, com média de uma em cada cinco dias, a assessoria do ex-presidente informou que ele não vai comentar os e-mails da ex-chefe de Gabinete. De acordo com a assessoria ,Lula é citado nos e-mails de uma terceira pessoa, de maneira passiva, e, portanto, não tem declarações a fazer.
A assessoria também enfatizou que a Procuradoria-Geral da República, ao tratar das investigações da Operação Porto Seguro, já declarou que não existe nada relacionado ao ex-presidente.
Mas não é isso que indicam os e-mails de Rose. Relatório da Polícia Federal mostra mensagens da ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo contando aos irmãos Paulo e Rubens Vieria que iria consultar o “PR”, modo como ela se referia ao ex-presidente, sobre indicações para agências reguladoras.
Como se sabe, a Operação Porto Seguro atingiu, entre outros, a própria Rosemary e também os irmãos Paulo Vieira, que foi afastado da diretoria da Agência Nacional de Águas (ANA); e Rubens Vieira, também afastado da diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
P.S. – Na direção do PT e no Planalto, foi efusivamente comemorada a tomada de posição do Jornal Nacional, cujo apresentador e editor-chefe William Bonner simplesmente corroborou a versão da diretoria da Polícia Federal de que o sigilo telefônico de Rose não foi quebrado. Com toda certeza, William Simpson Bonner também acredita em Papai Noel. Operação da PF sem quebra de sigilo telefônico? Você também acredita nisso?