Adelson Elias Vasconcellos
Lula, em sua última viagem à Cuba, chegou no exato dia em que morria um dentre centenas de dissidentes políticos cubanos, presos e torturados anos a fio, por divergirem do pensamento dos irmãos Castro, assassinos e tiranos, que mantém aquela debaixo do tacão ditatorial há cinquenta anos. Inquirido sobre sua posição, Lula simplesmente, de forma asquerosa, comparou os presos políticos daquele país aos criminosos comuns brasileiros. Recusou-se, inclusive, a receber uma carta assinada pelos muitos dissidentes, pedindo sua interseção junto à ditadura cubana em seu favor.
Passados alguns meses, a Igreja Católica e o governo da Espanha conseguiram algo que Lula se recusara sequer a pedir aos seus amigos tiranos: a libertação de alguns dissidentes, imediatamente recebidos pelo governo espanhol em total solidariedade. Nem prá isso, Lula se ofereceu, ao contrário, para este “profeta da paz”, melhor acolher narco-guerrilheiro da Farc, como Oliverio Medina, ou o terrorista italiano, Cezare Battisti.
Não demorou muito para Amorim e demais deslumbrados socialistas do Itamaraty tentarem aplicar e emplacar a mentira de que Lula tinha trabalhado pela libertação dos dissidentes cubanos. O mundo sério e desenvolvido deve ter se fartado de rir da cretinice lulista.
Em relação ao Irã, Lula não se comportou de maneira diferente. Comparou os protestos do povo iraniano pela fraude nas eleições que mantiveram Ahmadinejad no poder, à briguinhas de torcida de futebol. Por todos os santos!
Diante da indignação do mundo face a ameaça, ainda não afastada de todo, do apedrejamento de uma mulher, Lula disse se a mesma era problema para Ahmadinejad, o Brasil a receberia de braços abertos. Quanto a forma como a mesma fora julgada e condenada, associada a forma selvagem de execução, nenhuma palavra, nenhum “ai”.
Quase que o mundo inteiro se mobilizou em favor da iraniana Sakineh Ashtiani. E, quando digo “quase”, é porque no Brasil de Lula, não se viu uma única iniciativa de parte do governo, em promover passeatas de protestos em favor de Sakineh. Silêncio absoluto.
Ocorre que a Europa está mais próxima e exerce enorme influência sobre Teerã. Não apenas por sua influência econômica sobre aquele país, bem como por acolher em seus territórios um contingente fabuloso de imigrantes iranianos. Mas lá, não apenas os governos mobilizaram-se em pressionar Teerã a rever sua decisão. Também incentivaram passeatas e protestos juntos às embaixadas daquele país.
Hoje, para alegria da comunidade internacional – a decente, claro -, Teerã anunciou a suspensão da execução de Sakineh.
E, do outro lado do mundo, saído nada, eis que aparecesse o senhor Celso Amorim para dizer o quê? Isto. Comento em seguida.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que as "gestões" do presidente Luiz Inácio da Silva em contato com o governo do Irã tiveram "peso" na suspensão da sentença de apedrejamento de Sakineh Ashtiani.
"Não podemos atribuir só a nós, mas certamente as gestões do presidente Lula terão tido um peso, como creio que já tiveram até agora, inclusive no que já aconteceu até hoje", disse o chanceler, em Brasília.
Ou seja, Lula já não se contenta mais em roubar as obras e os feitos de Fernando Henrique aqui dentro do país. Quer roubar, no campo internacional, a cena de todos os governos, menos o dele, que pressionaram Teerã a voltar atrás. Não sei se a afirmação grotesca e cretina de Celso Amorim terá alguma repercussão internacional. Torço para tal não aconteça. Mas se a fala debiloide de Amorim se espalhar, o Brasil dará mais um passo atrás no conceito das nações séria do mundo. É muita vergonha produzida por um único ministro!!!
Amorim não podia achincalhar ainda mais a imagem do país que já é visto lá fora com muitas reservas, apesar do discurso da dupla Luma (Lula e Dilma), insinuar aqui dentro o contrário, por conta da aproximação de Lula de forma intensa a governos onde reinam a tirania e a opressão. Poderíamos aqui, lembrar questões como Venezuela versus Colômbia, a intromissão irresponsável na questão de Honduras, a omissão vergonhosa e cúmplice ao regime cubano, como já acontecera com o genocídio praticado no Sudão (mais de 300 mil mortos), e as patetices protagonizadas por Lula com o governo teocrático do Irã.
No Brasil tem gente que diz que, em tempos de eleição, o brasileiro não dá importância às questões de política externa. Não creio. Acho que a maioria assiste noticiários e sabe separar o que é um governo democrático de uma ditadura.Duvido que, se fizessem uma pesquisa junto ao eleitorado, a grande maioria não demonstraria a noção exata do que se passa em Cuba e Venezuela, só para citar exemplos mais próximos. E esta mesma maioria repudia governos como os de Chavez e dos irmãos Castro.
Nossa importância cresceu junto à comunidade internacional, não por conta do governo Lula. E, sim, porque o país, desde a metade da década de 1990, tem se comportado de forma exemplar na condução de sua políticas econômicas e social, a tal ponto que lá fora todos não se negam em reconhecer que Lula apenas deu continuidade ao que Fernando Henrique começou e implementou.
É justamente por conta deste comportamento delinquente, protagonizado por Lula, e cumprido à risca por Amorim, que o país ainda é tratado com certa reserva. E isto, foi aqui previsto com pelo menos quatro anos de antecedência, quando disse que lá fora, dentre os países desenvolvidos, seria mais difícil para Lula conseguir mascarar sua real personalidade. Esta máscara começou a ruir exatamente a partir dos eventos citados acima, além do Itamaraty e do próprio Lula terem adotado posturas de um antiamericanismo estúpido e desnecessário.
Apenas para que se perceba a irrelevância de Lula lá fora, vale dizer que todo o resultado de suas centenas de viagens ao exterior, resultou em o país ver reduzida sua participação no comércio internacional global. Perdermos mercados, temos hoje mais importadoras do que exportadoras, o número de empresas exportadoras vem se reduzindo ano após ano, e estamos praticamente reduzidos a exportadores de matéria prima.
E, quanto a questão do contencioso com os Estados Unidos sobre os subsídios ao seus produtores de algodão, que Lula e Amorim tanto comemoram, é bom registrar o seguinte: quem denunciou os americanos à OMC foi o governo FHC, a partir do qual resultou em intensa investigação que culminou com a decisão daquela corte internacional, em aplicar retaliações comerciais de até 860 bilhões de dólares contra produtos americanos. Portanto, eles,mais uma vez, estão posando e cumprimentando com o chapéu alheio.
Aliás, leiam o post seguinte sobre certas declarações de Fidel Castro hoje divulgadas. Se até para o tirano cubano a ficha já caiu, está mais do que hora do mesmo acontecer com Lula e Amorim. Assim, diante das besteiras do nosso ministro das Relações Exteriores (ou seria de Terrores?), quando confrontadas com o resultado prático disto tudo, só nos resta gritar: por que não te calas, Amorim?