terça-feira, junho 05, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

VINAGRES COM O MESMO AZEDUME...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

No ENQUANTO ISSO... de sexta, 01.06, comentando a agressão de Chavez ao Congresso brasileiro, dissemos que a “(...) reação de Lula foi pífia (...)”, e que o Brasil foi o único país da América Latina a ficar em silêncio absoluto diante da ação tirânica e fascista de Chavez no fechamento da rede de televisão venezuelana RCTV. E acrescentamos: “(...)Com sua reação patética, parece que Lula teme o ditador venezuelano Chavez. Parece que o presidente brasileiro sente incomensurável prazer em ver o país que preside ser esbofeteado lá fora. Nunca na história deste país um presidente foi tão “gelatinoso” quanto Lula(...)".

No sábado, no TRAPOS & FARRAPOS, retornamos para dizer que Lula é o presidente do Brasil, mas seu pensamento não representa o pensamento dos brasileiros. Talvez de uma parte, aqueles fundamentalistas xiitas do PT cuja maior glória de suas existências seria proclamar o Brasil uma república socialista ao estilo stalinista. Dissemos ainda que não se esperasse de Lula uma crítica direta à Chavez pelo seu ataque inconseqüente ao Congresso Nacional.

E completamos justificando as “razões” para o posicionamento de Lula: “(...)E por uma razão bem simples: tudo que está sendo feito na Venezuela conta com apoio e a simpatia da turma esquerdista do lado de cá. Evo Morales fez o que fez e Lula agiu como se nada nos dissesse respeito. Pela segunda vez, Chavez agride instituições brasileiras, e de novo, Lula se comporta da maneira mais negligente possível. Qualquer tirano que agredir seu próprio povo, não receberá do Brasil uma posição crítica. Sonha-se o mesmo para o país. Os socialistas, ao modo mais fascista possível, se fundem num só pensamento, numa só ideologia, a de que os fins socialistas justificam os meios mais indecentes, truculentos e tirânicos que se empregar. Para eles, o espírito xiita de combater as instituições, as liberdades, a democracia, o estado de direito, aceita o assassinato como “bem” necessário(...)”.

Pois bem, com escassas exceções o que se leu na imprensa foi de que Lula houvera sido duro em sua crítica à Chavez. Poucos leram que Lula não fizera crítica alguma. Saiu pela tangente, como quando a Bolívia, patrocinada e apoiada por Chavez, nos roubou as usinas da Petrobrás, e se justificara com agressões ao Brasil.

Pois não demorou para cair a máscara da hipocrisia. Hoje Lula deu a tônica daquilo que ele pensa e daquilo que ele é. E referendou a afirmação que fizéramos no final do artigo de TRAPOS & FARRAPOS, a de que “(...) Sua causa está acima do interesse do Brasil. Por mais incrível que isto possa parecer...”.

Disse Lula:

Chávez tem suas razões para brigar com os Estados Unidos. E os Estados Unidos têm suas razões para brigar com a Venezuela. O Brasil não tem nenhuma razão para brigar com os Estados Unidos ou a Venezuela”.

Percebam que Lula põe na vala comum uma ditadura e uma democracia, e para ele não podemos brigar com a Venezuela. Ou seja, para o nosso “gelatinoso”, Chavez pode financiar a Bolívia a assaltar nossas refinarias, pode financiar que a Bolívia seja agora parceira comandada pela estatal venezuelana, pode atacar a mídia brasileira mesmo estando em visita ao Brasil, pode ofender o Congresso Nacional a vontade. Tudo isto para Lula não são motivos para brigar, ou sequer para criticar mais duramente o amigo (dele é claro) Chavez .

Neste caso, o leitor poderá perguntar, critica por critica que diferença isto pode fazer ? Faz toda a diferença. Primeiro, porque o que Chavez fez na Venezuela Lula quer fazer no Brasil. Seus projetos de “democratização dos meios de comunicação” passam por uma redistribuição de concessões. Depois, a censura à programação e até às notícias veiculadas nas emissoras, assunto que ainda corre no Congresso, a censura à internet que também já está no Congresso, tudo isto representa e tem gosto do mesmo azedume do vinagre que o povo venezuelano hoje está experimentando. E, claro, tem ainda o projeto magnífico da TV-Pública, que será mais uma televisão do próprio PT, porque por ele será aparelhada, bancada com dinheiro do contribuinte, até daquele que não vota em Lula nem que ele se vista de ouro.

Lula só não implanta os mesmos métodos fascistas no Brasil em relação à liberdade de imprensa, porque sabe que dará um tiro em si mesmo. Suicídio puro, mais até daquele que Vargas fez consigo próprio. Então precisa ir mais lentamente, mas sem por de lado os mesmos objetivos, a mesma causa.

Portanto, meus amigos, não se enganem: Lula tem um discurso exterior que não combina com seu pensamento. E a maneira de se descobrir a farsa é atentar para os atos do seu governo no campo das comunicações, ao modo como ele várias vezes atacou a nossa imprensa, à pouco importância que dá em prestar contas à sociedade que governa através dos meios de comunicação. E tanto que isto é verdadeiro que, em quatro anos e meio de governo, apenas em duas vezes ele deu entrevistas coletivas. E mesmo nestas ocasiões, foi visível sua irritação diante de perguntas mais sensíveis.

É fácil constatar que Chavez, Fidel Castro, Lula, Evo Morales, Rafael Correa e até Nestor Kirchner são aliados, pensam junto, comungam da mesma ideologia imunda com que tentam corroer as instituições democráticas de seus países para impor o império socialista. Cada um a seu modo, e até seguindo os mesmos caminhos que aparentemente possam parecer diferentes, mas que é preciso contrapor que o ponto de chegada de todos eles é único: esta bestialidade que chamam de socialismo moderno, tão retrógrado quanto aqueles que vitimaram milhões no século passado. As cadeias de Cuba estão cheias de democráticos que ousaram um dia discordar do pensamento do ditador Castro. Nas cadeias venezuelanas estão centenas de jovens que ousaram protestar contra o regime de censura imposto por Chavez. Este é o modo como eles se proclamam de democráticos, o regime do partido único, do pensamento único, da ideologia única, e a do direito único: a de não ter direito de discordar, só de dizer amém.

Para as esquerdas, como já afirmamos tantas vezes, não importam os meios de que se lance mãos para impor sua “belezura”. Todo o fel de sua vertente libertária se desnuda e desvanece a partir do momento em que se vê que se praticou a morte necessária, a supressão de liberdades e direitos em nome da manutenção e da consagração de seu sistema fétido.

A agressão à liberdade de imprensa que Chavez praticou contra o povo que governa, não nos afetaria tanto se, do lado de cá da fronteira, houvesse um presidente que se impusesse com firmeza e repudiasse veementemente a agressão. Porém, quando temos um presidente que aceita e por seu assessor, Marco Aurélio Garcia, até aplaude, proclamando que lá nunca dantes houve tanta “liberdade” de imprensa, então estamos diante de um fato que nos serve de alerta. Por aqui, quando se puder, vai se adotar a mesma prática, as mesmas agressões. Daí porque, quando os petistas, Lula junto, abrem a bocarra para se auto proclamarem como esquerdistas “democráticos” fica impossível dar-lhes crédito, dada a contradição existente entre uma e outra expressão. Para as esquerdas, a democracia é só uma passagem do tempo, um caminho a ser percorrido para a obtenção de sua ideologia de se aniquilar com a própria democracia. Claro que estes senhores pensadores, eles maquiam a aniquilação com termos tais como subir um degrau, aperfeiçoamento do sistema, e por aí afora. Para eles, sem exceção, sua ideologia está além da democracia, suas maravilhas são a redenção da espécie. Mesmo que se tenha que matar e esmagar os que discordarem delas.

Portanto, não esperem de Lula uma crítica ácida em relação a Chavez, não esperem uma posição mais dura do governo brasileiro contra à tirania com que o venezuelano exerce sua “presidência”: eles são parceiros, são cúmplices, são aliados. Mesmo que em barris diferentes, são vinagres com o mesmo azedume uns dos outros... São fundamentalistas nos propósitos, são xiitas nos métodos, são ditadores e tiranos forjados sob o mesmo DNA.