O texto de Jamil Chade e Denise Chrispim Marin, para o Estadão, não deixa dúvidas mas também não causa nenhuma surpresa: a comunidade internacional já pressiona o Brasil a tomar uma posição clara sobre as ações do Irã, ou de seu presidente, o destrambelhado Ahmadinejad. É claro que o Itamaraty e Lula vão ficar em cima do muro com aquele papo furado de que, antes de se impor sanções ao Irã, deve-se buscar a via do diálogo. Conversa mole. Não não há espaço para diálogo com quem deseja simplesmente a destruição de um país, no caso, de Israel. E o presidente iraniano está, visivelmente, tentando empurrar a vigilância mundial sobre seu programa nuclear com a barriga, para conseguir o tempo necessário para avançar o quanto puder em busca da tecnologia para produção de armamento nuclear.
Por que alguns podem outros não, perguntam-se Lula e Celso Amorin. Pela simples razão de que, quem tem também tem juízo, e quem deseja ter, não tem juízo algum. Nada o impedirá de jogar ofensiva nuclear contra Israel se puder fazê-lo.
Portanto, é bom o governo brasileiro tomar cuidado: ir contra a opinião e o desejo da comunidade internacional para impor sanções à Teerã, equivale a fechar muitas portas importantes para o desenvolvimento do país. No que, por exemplo, o Irã poderá ajudar-nos? Em absolutamente nada, a não em treinamento de terroristas. Portanto, esta aliança que Lula e Amorin alimentam tanto com o Irã, é puro delírio, para não se dizer outra coisa muito pior. É de se esperar que pensem, em primeiro plano, no interesse do Brasil, e não na sua ideologia partidária.
Segue o texto do Estadão.
Brasil é pressionado por apoio ao Irã
Diplomatas europeus querem voto unânime por sanções a Teerã no Conselho de Segurança da ONU, do qual País faz parte
Diplomatas europeus reclamam, nos bastidores, que a posição brasileira tem dificultado a imposição de novas sanções ao Irã pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU. A informação foi divulgada pelo jornal francês Le Monde em sua edição de ontem. Segundo a França, é necessária uma atuação em bloco dos membros do CS para que uma resolução seja aprovada. Só a unanimidade colocaria pressão sobre a China, membro permanente e com poder de veto, que não está disposta a apoiar novas sanções. EUA e França renovaram ontem a exigência de punição a Teerã, depois que os iranianos anunciaram planos para enriquecer seu próprio urânio.
Para ser aprovada, uma resolução precisa de 9 dos 15 votos do Conselho, incluindo os 5 votos dos membros permanentes - a abstenção não é considerada veto. Além do Brasil, que assumiu uma cadeira em janeiro, a Turquia e a Nigéria, países de maioria muçulmana, também membros não-permanentes, tendem a apoiar a continuação das negociações. O Líbano, cujo governo é formado por uma coalizão com o grupo xiita Hezbollah, é outro país que dificilmente votaria em favor de sanções ao Irã.
O Brasil havia assumido a posição de interlocutor entre o Irã e o Ocidente. O Itamaraty ainda defende um acordo para a troca de urânio enriquecido por combustível nuclear com o Irã. A diplomacia europeia, porém, aponta a atitude brasileira como um empecilho à aprovação de novas sanções a Teerã. Paris, Londres e Nova York estariam fazendo gestões para que o Itamaraty reveja sua posição.
Resposta
Na ONU, os franceses indicam que o tema vem sendo tratado entre a diplomacia europeia e a brasileira. O frequente contato entre o chanceler Celso Amorim e os diplomatas iranianos é visto como um canal de diálogo entre o Ocidente e Teerã, mas, para os europeus, o diálogo tem um "limite".
Em Brasília, o Itamaraty reforçou ontem sua posição em favor do diálogo entre o Irã e o Sexteto - EUA, França, Grã-Bretanha, China, Rússia e Alemanha - sobre o acordo de troca de urânio por combustível nuclear. Amorim disse que falou na semana passada com o secretário de Estado da França para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche. Segundo o chanceler brasileiro, apesar da posição dura da França sobre o Irã, em nenhum momento ouviu de seu interlocutor que não havia mais espaço para o diálogo.
"Considero que não estão esgotadas as possibilidades de se alcançar uma posição comum entre o Irã e o Sexteto", afirmou Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa. A posição indica que o Brasil não apoiará novas sanções no Conselho.
Para o Le Monde, apesar de não ser o único país a defender a continuidade do diálogo, o Brasil está "em primeiro plano" entre os países emergentes com assento rotativo no CS contrários às sanções. "O gigante da América Latina tem uma voz distinta do Ocidente sobre a questão nuclear iraniana", afirmou o jornal. "Ele (o Brasil) quer favorecer o diálogo e julga que pressões são contraproducentes."
O jornal lembra que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitou o Brasil quando estava sendo alvo de ataques por ter escondido da ONU um dos locais de enriquecimento de urânio. O jornal destaca os acordos comerciais assinados entre os dois países e a visita a Teerã do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para maio.
Há uma semana, o governo de Ahmadinejad afirmou ao Estado que quer o Brasil como seu "principal aliado político" nas Américas. A declaração foi dada pelo chefe do gabinete, Esfandiar Rahim Mashaie, principal assessor político do presidente.
"O Brasil é um aliado estratégico e temos uma coisa em comum: ambos lutamos pela independência", afirmou Mashaie. "O ponto central da política externa do Brasil é não deixar que ela seja ditada pelos outros."
Vai e vem da crise
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