Mário Ivan Araújo Bezerra, Alerta Total
Juízes há que são comunistas. Outros, de direita. Alguns são católicos. Outros, ateus. Há, também, os evangélicos. Há juízes homossexuais e há os que defendem o heterossexualismo. Todos, entretanto, têm a obrigação de cumprir e fazer cumprir a Lei – e, em sua grande maioria, fazem-no com seriedade. Essa é uma das características básicas da Democracia: o respeito à Lei deve prevalecer sobre posicionamentos pessoais.
O Gen Raymundo Nonato de Cerqueira Filho declarou que é contrário ao homossexualismo nas Forças Armadas. Não o fez gratuitamente. Falou porque lhe foi feita a pergunta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, numa sabatina a que são rotineiramente submetidos os indicados para ocupar assento no Superior Tribunal Militar.
Homem de caráter – qualidade que se exige de quem é candidato a tão elevado cargo – ele não mentiu, como alguns, até por conveniência, talvez fizessem, mas disse sinceramente o que pensa. Conhecedor que sou de sua personalidade, bem sei que tal posicionamento jamais o fará decidir de forma contrária à Lei. A CCJ, que o sabatinou – e onde, possivelmente, também há opiniões contra o homossexualismo e a seu favor – certamente também sabe disso, tanto que aprovou sua indicação.
Aplausos para o Gen Cerqueira, homem íntegro que defende o que pensa e que, ao longo de sua brilhante e fecunda carreira sempre respeitou e fez respeitar a Lei. Aplausos para essa Democracia que soubemos edificar, que permite a liberdade de pensamento e de expressão. Aplausos para a CCJ, que soube separar o joio do trigo. Apupos para os que querem explorar o episódio com matizes ideológicos.