Adelson Elias Vasconcellos
Critiquei no domingo, a decisão estúpida do ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, que negou uma antecipação de tutela para que a União assumisse o pagamento das aposentadorias e pensões, em função do ganho quase certo da Varig e seu fundo de pensão em uma ação de R$ 6 ou 7 bilhões em defasagem tarifária pelos desastrados planos econômicos entre 1985 e 1992.
Porém, mais culpado, ainda, é o governo petista que não se contentou em enviar a VARIG para o buraco, quando teve o poder de salvar a companhia. Este socorro não seria nada gratuito. Bastava que a União, naquela época, pagasse ou quitasse sua dívida ajuizada e vencida em todas as instância do Judiciário por onde transitou para com aquela companhia.
Ao tempo de sua liquidação, o total da dívida era de cerca de R$ 7,0 bilhões, sendo que metade dela para com o próprio governo. Ou seja, se o governo Lula naquela época tivesse pago a dívida, no fundo, precisaria sacar apenas metade do valor devido, liberando o restante que seria o suficiente para sanar a situação econômico-financeira difícil pela qual a VARIG passava.
Não houve jeito. Mesmo que seus controladores tivesse pedido que o governo liberasse apenas cerca de R$ 180 milhões via BNDES, e este pedido caiu em mãos de dona Dilma, à época chefe da Casa Civil, suficiente para que a companhia continuasse suas operações. O governo não se comoveu negando a liberação do empréstimo ponte via BNDES.
Mais, numa operação criminosa, o governo aprontou um pacote de venda da VARIG para a GOL, e que depois quase deu de graça para o atual dono da Azul Transportes Aéreos.
Para que o leitor tenha uma ideia da sacanagem petista, a transferência do controle da VARIG para a GOL se deu no valor de R$ 320,0 milhões, mesmo que a TAM tivesse apresentado uma proposta muito superior, R$ 738,0 milhões. Por que se preferiu a proposta menor é um mistério que até hoje ninguém respondeu. Não que não exista resposta, mas sua divulgação por certo levaria à cadeia um bocado de gente, gente que ainda está no governo, diga-se de passagem.
O ministro Barbosa não poderia ter tomado a decisão que tomou. O voto, da relatora Ministra Carmem Lúcia era claro, lúcido e muito bem embasado para dar suporte que a decisão do presidente não significasse uma apunhalada traiçoeira para os aposentados e pensionistas do Fundo Aerus, que congrega justamente os profissionais das extintas VARIG e Transbrasil.
Porém, antes da decisão de Joaquim Barbosa, mais condenável sem dúvida é a decisão irascível e criminosa do governo Dilma. Tivesse esta presidente poste um pingo de juízo, de vergonha na cara, de decência e compostura e respeito para com os trabalhadores, mandava imediatamente suspender a ação do STF, chamava seu ministro da Fazenda e o mandava preencher o cheque do valor devido, dando o assunto por encerrado. Mas, qual, e onde fica o cretinismo doentio de uma presidente que, como Chefe da Casa Civil integrou a quadrilha disposta a tudo para levar à bancarrota a mais importante companhia aérea nacional, cuja excelência de serviços jamais foi sequer alcançada quanto mais superada por nenhuma outra porcaria tão, privilegiada por este mesmo governo delinquente.
E, no entanto, no poço sem fundo, feito de promessas mas sem resultado prático nenhum, chamado Eike Batista, grande provedor de recursos para as arcas do partido, este mesmo bando não se constrangeu em enterrar mais de R$ 10 bilhões, dinheiro que dificilmente retornará aos cofres públicos.
Se o leitor quiser conhecer a fundo parte deste crime, pode digitar no campo de pesquisa do blog a expressão “VARIG”, e terá acesso cerca de 30 textos contando uma das páginas mais tristes e horrendas da história brasileira, especialmente protagonizada por um governante, no caso,dois governantes. É inacreditável!!!
Infelizmente, os aposentados ex-funcionários da antiga VARIG não podem contar com um advogado de grande “penetração” no STF para agirem seu nome. Estão, como dissemos aqui, morrendo de fome. Também não podem contar com alguma destas centrais milionárias, aliadas do poder, verdadeiras arapucas a extorquir dinheiro dos trabalhadores, de forma impiedosa, na forma de imposto sindical, para levantar a bandeira em nome da justiça que é devida a estes profissionais que sacrificaram vidas inteiras para servirem aos brasileiros e que se acham hoje esquecidos e abandonados.
Assim, que Lula, Dilma e seu bando de delinquentes, aos quais ora se junta o ministro Joaquim Barbosa, podem transcrever em suas biografias o triste episódio sobre a morte da VARIG e a de seus antigos colaboradores. Em suas mãos, correm a vida e a morte daquela que foi a empresa que soube não apenas representar bem o país no exterior, mas que foi exemplo de prestação de serviço na história da aviação comercial mundial.
A história do trabalhismo brasileiro se acha manchada por esta mácula imperdoável. Esta história somente poderá ser depurada no dia em que este crime for desfeito e a história dos cafajestes que a construíram for do conhecimento público.
Este governo não tem moral nenhuma para tentar criar comissões da verdade, enquanto sua própria verdade no crime contra a VARIG e seus ex-funcionários não for devidamente contada e publicada.