segunda-feira, janeiro 08, 2007

Resultado da omissão

Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa

Este ano começou sob o signo de uma séria ameaça: a elevação em meio grau na temperatura mundial. Independentemente daquilo que vai trazer o fenômeno climático El Niño, há estudos de que a Austrália será o país que mais sofrerá, nos próximos meses, com o forte calor. Há poucos dias, uma ilha de gelo se desprendeu do continente antártico, em mais uma demonstração de que alguma coisa está errada com o planeta.

O Protocolo de Kioto está aí, assinado, mas os países pouco têm feito para colocá-lo em prática. Exceto pela Alemanha, que mais uma vez dá ao mundo a comprovação de que aprendeu com seus erros históricos, o restante está pouco se lixando.

O Brasil nada tem feito para evitar a devastação da Amazônia, as queimadas criminosas e, no final do ano passado, ainda surgiu o debate dentro do governo de que as barreiras ambientais eram responsáveis por alguns entraves ao desenvolvimento econômico. Uma maneira de queimar a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e atribuir a organismos como o Ibama parte da incompetência administrativa do Palácio do Planalto.

Na África e em bom trecho da Ásia, tal preocupação com o aquecimento global não chegou. Continentes devastados pelas doenças, pobreza, fome, intolerância religiosa e incapacidade política, nos quais questões ambientais não aparecem sequer na lista das 10 prioridades. Índia e China, que experimentam desenvolvimento anual na média de 8% do PIB, sujam primeiro para limpar depois - se der tempo.

A Rússia, embora signatária do Protocolo, enfrenta as barreiras da corrupção e da falta de tecnologia para se tornar menos poluente. Seus antigos satélites, tanto no Leste Europeu quanto na chamada Eurásia, sequer tomam conhecimento de tamanho risco. Mais uma vez os assuntos ligados à ecologia não estão entre os de maior importância.

Ainda que a situação desses não seja perdoável, ao menos se entende. As velhas tecnologias, extremamente poluentes, são a mola-mestra para o desenvolvimento. Pelo menos meio século atrasados em relação à principal potência mundial, não têm como investir pesado em recursos limpos ao mesmo tempo em que avançam. O problema é que o tanto que sujam se soma àquilo que, deliberadamente, fazem os Estados Unidos, responsável maior pelo descontrole dos ciclos na natureza.

Trata-se de um caso para o qual não há perdão, nem compreensão. A política do governo Bush para o setor é absolutamente criminosa. Não bastasse ser ele próprio legítimo representante da indústria predatória do petróleo, desde que assumiu mostrou total desprezo pelas questões ambientais. Forçou no Congresso o arquivamento do reconhecimento do Protocolo - preço político que seu antecessor, Bill Clinton, também não quis pagar - como forma de proteger uma indústria siderúrgica atrasada e pouco competitiva.

Num governo tomado por preocupações religiosas hipócritas, andam a passos lentos as pesquisas por fontes de energia menos poluentes. Ávido de petróleo para tocar uma sociedade que se movimenta sobre quatro rodas, ignora combustíveis limpos e estimula aqueles que, mesmo vindo de fontes vegetais, são extremamente tóxicos - como o metanol. Os sistemas de calefação ainda continuam à base de carvão ou xisto, como no final do século 19. Gás natural, nem pensar.

Os relatórios dos laboratórios de estudos sobre o meio ambiente apontam que medidas deveriam ser tomadas ontem para se evitar a catástrofe a médio prazo. Como o G-20 não tem força e o G-8 medo de enfrentar os EUA, a conclusão é que devemos nos preparar desde agora para o terrível fim que nos espera.

Não, não e não
O secretário do Ambiente, Carlos Minc, comunicou ao ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) e à diretoria da Petrobras veto do governador Sérgio Cabral Filho à implantação de uma usina a carvão em Sepetiba (Zona Oeste).

Segundo ele, a região já tem a Companhia Siderúrgica Nacional e a Companhia Siderúrgica do Atlântico e, com o carvão, poderia virar uma nova Cubatão. "O que for afetar a saúde da população, teremos firmeza de dizer não", garantiu Minc.

4 anos
O governo estadual completa hoje quatro anos de implantação da Secretaria de Administração Penitenciária. Vamos ver o que o novo secretário da pasta, Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, está preparando para garantir a todos uma maior segurança.

Afinal, é de dentro dos presídios que saem as ordens para a violência contra os cariocas.