segunda-feira, abril 16, 2007

Juros estão altos até para o FMI

José Paulo Kpuffer, NoMínimo

O FMI soltou suas apostas de primavera (no hemisfério norte) para a economia mundial. Continuará o crescimento geral em 2007. Mais moderado, no entanto, que nos anos anteriores. A economia global avançará, na tarometria do FMI, 4,9% em 2007; os emergentes, 7,5%; a América Latina, 4,8%; e o Brasil, 4,4%.

Trata-se, no caso do Brasil, de um movimento de ajuste. No primeiro semestre do ano passado, os economistas do FMI previam um crescimento de 3,5% para 2007. No segundo semestre, avançaram para 4%. E agora chegaram aos 4,4%. A tendência é que empurrem um pouco mais para cima, nas previsões de outono (no hemisfério norte).

Interessante é que até o FMI está achando que o Banco Central brasileiro poderia tirar um pouco mais rápido a pressão da taxa de juros. “Com a inflação bem contida, haveria espaço para continuação do ciclo de flexibilização”, registra o relatório “Perspectivas Econômicas para 2007”, divulgado na quarta-feira, na linguagem rococó típica dos comunicados da instituição.

Para não dizer que só falou de flores, o FMI alerta que uma desaceleração maior do que a esperada nos EUA atingiria a América Latina de forma mais dura do que outras regiões.

COMENTANDO A NOTÍCIA: A grande questão a ser respondida é, aqueles que estão ganhando rios de dinheiro com os juros brasileiros na estratosfera, aceitariam ganhar um pouco menos ? Este governo vai arriscar reduzir os juros numa velocidade maior, sem medo de ser feliz ? Notem que o governo permanece assinalando a não mudanças na política econômica. Contudo, já estamos passando da hora de promover os ajustes necessários para que o desenvolvimento não seja afetado.

Uma das coisas que temos afirmado aqui é que Lula é mais conservador do que se imagina. Se os fundamentos estão produzindo resultados, e como não foi seu governo quem estabeleceu as atuais regras do jogo, ele apenas recebeu os benefícios da estabilidade alcançada, há um enorme receio de mexer e não dar certo, e assim, correr riscos políticos de incalculáveis prejuízos.

Mas que Lula não espere muito para promover os ajustes e as reformas que precisamos: pode ter que pagar um preço muito alto.