Editorial Jornal do Brasil
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É inquietante a afirmação das autoridades de segurança do Rio de Janeiro de que sabiam que uma onda de ataques estava sendo articulada pelos bandidos. Creditaram a tal conhecimento a convicção de que as cenas de destruição e morte exibidas na madrugada de quinta-feira e repetidas ontem poderiam ter apresentado feições ainda mais tenebrosas. A prevalecer a tese, bradada com insistência, os cariocas que acordaram amedrontados nos últimos dois dias não hesitarão em perguntar: se as autoridades sabiam que viria uma ofensiva criminosa pela frente, por que a população não foi alertada?
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Assim têm agido os governos americano, britânico e israelense, para citar os principais exemplos de alvos do terrorismo. Sempre que recebem dos respectivos órgãos de inteligência previsões de ataques terroristas, as autoridades daqueles países se apressam em alertar os cidadãos para que estes possam precaver-se diante de tragédias anunciadas. A mensagem costuma reduzir as seqüelas deixadas pelos eventuais ataques ou até mesmo aplacar as intenções dos criminosos. O terror carioca, no entanto, tem o privilégio de contar com a omissão, a inércia ou a incompetência dos seus alvos.
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As declarações vieram de todos os lados. Sugeriram que o sistema de inteligência da Polícia Federal alertara as autoridades, dois dias antes, que facções criminosas preparavam atentados, previstos para começar na quarta-feira e destinados a promover um banho de sangue às vésperas das festas de réveillon. A mais bela cidade do mundo prepara-se para receber, nesses dias, cerca de 550 mil turistas - brasileiros e estrangeiros. Graças ao alerta, a Secretaria de Segurança do Rio teria mobilizado forte aparato policial e guarnecido os pontos sensíveis da cidade. "Era para ter sido muito pior", disse o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. "Evitamos o pior", também se gabou o secretário fluminense de segurança, Roberto Precioso.
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Não há razões para acreditar que a hipótese seja uma inverdade. Mas não elimina a inquietação. Ao contrário. Ou a garbosa afirmação sobre o conhecimento da polícia constitui uma artimanha retórica para capitalizar as conseqüências menos desastrosas do que, por exemplo, os ataques do PCC a São Paulo, ou é a prova definitiva da derrota das autoridades.
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Eis o espantoso ponto em que chegamos, no qual a relativização da morte e da destruição golpeia o sonho de viver numa cidade tranqüila. Somos reféns da violência, mas não tão reféns quanto outros. Padecemos pelo toque de recolher imposto por bandidos, mas não como outros.
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A galeria de culpados, ressalte-se, é integrada por todos os níveis de governo, conforme sublinhou o JB , ontem, em editorial de primeira página. Mas, se há um pensamento que consola para as multidões desavisadas é a disposição do futuro governador, Sérgio Cabral, de eliminar as arestas políticas que contaminaram a segurança pública nos últimos anos.
Ao presidente Lula, acenou que aceitará, sem titubeios, a ajuda do governo federal. Trata-se do primeiro passo para que a insegurança crônica seja combatida pelo que é - um problema nacional. Com o prefeito Cesar Maia, Cabral consumou um projeto-piloto destinado a triplicar no curto prazo o policiamento ostensivo da cidade.
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Em ambos os casos, reconhece que as ações se resumem a lenitivos. Sabe que, por ora, é disto que o Rio precisa - medidas duras e emergenciais para aplacar os temores presentes. Não dispensam, contudo, o enfrentamento de médio e longo prazo que precisa começar já nas primeiras horas do novo governo.
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É inquietante a afirmação das autoridades de segurança do Rio de Janeiro de que sabiam que uma onda de ataques estava sendo articulada pelos bandidos. Creditaram a tal conhecimento a convicção de que as cenas de destruição e morte exibidas na madrugada de quinta-feira e repetidas ontem poderiam ter apresentado feições ainda mais tenebrosas. A prevalecer a tese, bradada com insistência, os cariocas que acordaram amedrontados nos últimos dois dias não hesitarão em perguntar: se as autoridades sabiam que viria uma ofensiva criminosa pela frente, por que a população não foi alertada?
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Assim têm agido os governos americano, britânico e israelense, para citar os principais exemplos de alvos do terrorismo. Sempre que recebem dos respectivos órgãos de inteligência previsões de ataques terroristas, as autoridades daqueles países se apressam em alertar os cidadãos para que estes possam precaver-se diante de tragédias anunciadas. A mensagem costuma reduzir as seqüelas deixadas pelos eventuais ataques ou até mesmo aplacar as intenções dos criminosos. O terror carioca, no entanto, tem o privilégio de contar com a omissão, a inércia ou a incompetência dos seus alvos.
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As declarações vieram de todos os lados. Sugeriram que o sistema de inteligência da Polícia Federal alertara as autoridades, dois dias antes, que facções criminosas preparavam atentados, previstos para começar na quarta-feira e destinados a promover um banho de sangue às vésperas das festas de réveillon. A mais bela cidade do mundo prepara-se para receber, nesses dias, cerca de 550 mil turistas - brasileiros e estrangeiros. Graças ao alerta, a Secretaria de Segurança do Rio teria mobilizado forte aparato policial e guarnecido os pontos sensíveis da cidade. "Era para ter sido muito pior", disse o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. "Evitamos o pior", também se gabou o secretário fluminense de segurança, Roberto Precioso.
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Não há razões para acreditar que a hipótese seja uma inverdade. Mas não elimina a inquietação. Ao contrário. Ou a garbosa afirmação sobre o conhecimento da polícia constitui uma artimanha retórica para capitalizar as conseqüências menos desastrosas do que, por exemplo, os ataques do PCC a São Paulo, ou é a prova definitiva da derrota das autoridades.
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Eis o espantoso ponto em que chegamos, no qual a relativização da morte e da destruição golpeia o sonho de viver numa cidade tranqüila. Somos reféns da violência, mas não tão reféns quanto outros. Padecemos pelo toque de recolher imposto por bandidos, mas não como outros.
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A galeria de culpados, ressalte-se, é integrada por todos os níveis de governo, conforme sublinhou o JB , ontem, em editorial de primeira página. Mas, se há um pensamento que consola para as multidões desavisadas é a disposição do futuro governador, Sérgio Cabral, de eliminar as arestas políticas que contaminaram a segurança pública nos últimos anos.
Ao presidente Lula, acenou que aceitará, sem titubeios, a ajuda do governo federal. Trata-se do primeiro passo para que a insegurança crônica seja combatida pelo que é - um problema nacional. Com o prefeito Cesar Maia, Cabral consumou um projeto-piloto destinado a triplicar no curto prazo o policiamento ostensivo da cidade.
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Em ambos os casos, reconhece que as ações se resumem a lenitivos. Sabe que, por ora, é disto que o Rio precisa - medidas duras e emergenciais para aplacar os temores presentes. Não dispensam, contudo, o enfrentamento de médio e longo prazo que precisa começar já nas primeiras horas do novo governo.