quarta-feira, abril 30, 2014

Justiça abre processo contra doleira presa com euros na calcinha

Daniel Haidar
Veja online

Grupo comandado por Nelma Kodama foi investigado na operação Lava-Jato por remeter ilegalmente ao exterior cerca de 5,27 milhões de dólares em 2013. Funcionário do BB recebeu propina para ocultar crimes

(Célio Azevedo/Agência Senado) 
Nelma Kodama, acusada de esconder 200 mil reais na calcinha

A Justiça Federal do Paraná aceitou a denúncia oferecida contra a doleira Nelma Kodama e oito comparsas acusados de participar de organização criminosa investigada na operação Lava-Jato. Ela está presa desde o dia 15 de março, quando foi flagrada pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos com 200.000 euros escondidos na calcinha, quando embarcava em voo para Milão, na Itália. Para policiais que participaram do caso, ela soube clandestinamente que era investigada e tentava fugir do país. A operação Lava-Jato foi deflagrada no dia 17 de março e investiga a lavagem de cerca de 10 bilhões de reais.

Nelma era próxima do doleiro Alberto Youssef, o principal alvo da operação Lava-Jato. Entre maio e novembro de 2013, a doleira conseguiu, com a ajuda de subordinados, enviar ilegalmente 5,27 milhões de dólares para o exterior, por meio de 91 contratos de câmbio fraudulentos que simulavam importações. O grupo de Nelma movimentou 103 milhões de reais em transações feitas por empresas de fachada entre 2012 e 2013, de acordo com rastreamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

A quadrilha contava até com a ajuda de um gerente do Banco do Brasil para acobertar os crimes. De acordo com a denúncia de força-tarefa do Ministério Público Federal, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, gerente da agência Campos Elíseos do Banco do Brasil em São Paulo, recebia propina para ajudar a movimentar contas de empresas de fachada e deixar de comunicar operações suspeitas ao Coaf. Ele chegou a alertar o grupo criminoso que as contas foram bloqueadas pela Justiça. Foram identificados pelo menos dois pagamentos, de 2.000 reais cada, em novembro de 2013 ao bancário. Carvalho vai responder por corrupção passiva, e Nelma, por corrupção ativa. A doleira e outros sete auxiliares também vão responder por crimes financeiros, lavagem de dinheiro e organização criminosa.