segunda-feira, abril 07, 2008

Ministério da Saúde virou ministério da doença

Adelson Elias Vasconcellos

Desde 2006 estamos alertando para o desmonte que o governo Lula vem provocando no Ministério que um dia cuidava da Saúde dos brasileiros.

A estratégia de se aparelhar o Estado com companheiros e sindicalistas, sem competência e qualificação para os cargos que ocupam, é uma das maiores calamidades que o governo atual tem praticado.

A desculpa que hoje Lula tenta impor de que o caos na saúde pública é decorrência da não aprovação da CPMF é uma daquelas mentiras incapazes de se sustentar. Pela simples razão de que, com CPMF irrigando os cofres do governo durante cinco anos, ele não conseguiu evitar a situação caótica que assume, cada dia mais, contornos de calamidade nacional. E que fique claro: o governo Lula arrecadou com CPMF desde janeiro de 2003 até janeiro de 2008, já que os valores remanescentes de dezembro de 2007, chegaram ao Tesouro em janeiro deste ano. E o que governo atual fez com os quase R$ 160,0 bilhões que recebeu para cuidar da saúde dos brasileiros? Com a palavra o TCU, cujos relatórios estão aí para quem quiser pesquisar, e neles se apontam gastos com o dinheiro da CPMF em muita porcaria que nada tinha a ver com saúde. Portanto, Lula jamais poderá alegar falta de dinheiro. O que faltou, repito, foi competência mesmo.

Ontem, publicamos reportagem do Estadão informando que, nos últimos dois anos, registraram-se 489 surtos de doenças no Brasil, desde casos de beribéri até mal de Chagas. E o atestado de incompetência e desídia do governo no cumprimento deste que é um dos seus deveres básicos, pode ainda se tornar pior do que já está. Especialistas já detectaram no norte do país, a presença do vírus da Dengue tipo 4, muitíssimo mais letal do aquele que atormenta o Rio de Janeiro, que é do tipo2. Muito bem, diante do alerta, o senhor José Temporão faz o quê? Simplesmente trata de ignorar o alerta, dá as costas para o problema, e ainda se jacta com uma competência até aqui não demonstrada à frente do Ministério pelo qual deveria ser responsável, para simplesmente desqualificar o estudo feito.

Quando o país começou a ficar em alerta diante dos primeiros casos de febre amarela, novamente o comportamento do senhor Temporão foi a de pouco caso e de muitas desculpas que não convencem talvez nem a ele mesmo.

Pois bem, hoje, reportagem de Sérgio Torres, da Folha de São Paulo, traz uma entrevista com o clínico Antonio Sérgio Almeida Fonseca, da Fiocruz, que informa e, principalmente, faz um alerta às autoridades de saúde do país, para a iminência de uma epidemia da dengue tipo 4, e que não é registrada no Brasil desde 1982. E ainda reforça o alerta: a febre amarela urbana, que é transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, pode voltar, condição aliás que ele considera inevitável. Vale registrar que a febre amarela em sua forma urbana teve sua última ocorrência ainda na distante década de 50. E vocês ainda acham exagero quando afirmo que o governo Lula mata? Lembro ainda que a CPMF é uma contribuição criada na metade da década de 90. Portanto, não foi com aquela que ficamos livre de tanta doença por 30 ou mais anos.

Resta saber se o ministro da Doença continuará com sua teimosia arrogante cujo estrago é o que se vê nos hospitais públicos do Rio de Janeiro, que de resto, é similar em todo o país.

A entrevista do clínico da Fiocruz deve ser leitura obrigatória para todos os brasileiros. Pelo menos, poderemos nos livrar de muitas doenças por iniciativa própria, apesar do governo fazer uma força danada para que elas nos atormentem e se transformem em epidemia.

A entrevista está no post abaixo deste.