segunda-feira, abril 07, 2008

A tevê de propaganda do petismo

Adelson Elias Vasconcellos

Sobre a TV Pública que Lula “inventou”, procurei até hoje mais observar do que analisar e criticar. Não se pode tecer julgamentos precipitados sobre algo que nem existe, não da forma como o Governo Lula quis nos fazer crer. Algumas conclusões, contudo, já se pode ter.

A começar pelo investimento inicial: se no início paguei pra ver, continuo cético. Toda as vezes que governos se aventuram a navegar por oceanos desconhecidos, entrando em atividades que não lhe dizem respeito, as chances da aventura virar porcaria são enormes. E o que é pior: uma porcaria cara demais e que será difícil para terminar.

Há no governo Lula, um contingente enorme de partidários do pensamento estatizante. Faz parte do DNA das esquerdas. Para esta boa gente, quanto mais governo, melhor. Não aceitam a idéia de alguém, além deles próprios, possam ter lucro com atividades produtivas, isto provoca o empobrecimento dos trabalhadores, e o enriquecimento dos “burgueses”. A cretinice míope dos vigaristas não consegue dar-se conta que é o lucro que faz com que hajam novas empresas, novos empregos, maior geração de renda, maior arrecadação de impostos e que, ao final, é o que empresta qualidade de vida ao cidadão.

Assim, houve um tempo no Brasil, não muito distante, em que o governo era dono inclusive de hotéis, só para se dar um exemplo. Leio no Globo que o governo Lula agora abriu até uma fábrica de camisinhas, isto mesmo, preservativos, a VENUSBRÁS. Ridículo é o mínimo que se pode dizer.

Geralmente, estas aventuras acabam dando com os burros n’água, e o final da novela é sempre o mesmo: empresas afogadas em prejuízos que acabam sendo engolidos pelo Tesouro, centenas quando não milhares de empregos de compadrio, além da péssima gestão, ou gestão de risco, uma vez que não tem compromisso com resultados (a não ser para os pendurados nas mamatas).

Aliás, as esquerdas adoram mamatas. No caso tupiniquim, a versão segue a fio o script dos sindicalistas: por estarem nas diretorias dos sindicatos, não precisam trabalhar, tem salário e empregos garantidos sem precisarem trabalhar. Mais gigolô do que isso, impossível.

No caso da TV Pública não será e nem está sendo diferente. Todos que já estão empregados chegaram sem prestar uma miserável prova de avaliação a não ser a de amor ao lulo-petismo. Competência é coisa secundária, o importante, é falar e escrever, e bem, sobre as glórias do senhor, no caso, o senhor chama-se Lula. No meu tempo de garoto, chamávamos esta turma de baba-ovo. Hoje são qualquer coisa parecida com seguidores, militantes, companheiros, etc.

Anunciou-se que o investimento inicial seria de R$ 350,0 milhões. Uma ova que fique apenas nisso. Não que o valor não seja suficiente, levando-se em conta que se montará o novo sistema a partir de uma estrutura já existente. Porém, investimentos públicos regra geral acabam sendo duplicados no correr do tempo. E, pelo orçamento de 2008, já foram adicionados mais R$ 150,0 milhões para a manutenção da tal TV.

O apelo inicial era de que a tv seria um modelo a se guiar pela BBC inglesa. Para quem pode assistir tv a cabo, meu caso, e conhece bem a qualidade dos documentários da BBC, seria inimaginável tivéssemos aqui algo sequer parecido. Contudo, sonhar não é pecado, portanto, poderíamos até dar crédito para a “intenção”. Porém, considerando-se as pessoas que lá estão, a intenção será apenas uma quimera, um sonho caro.

Assim, como curioso, de quando em quando procuro sintonizar em horários alternados o que estão exibindo. Diante da expectativa de que a tv se constituiria em veiculo de governo, e não de estado, o que se vê na telinha não difere desta expectativa. É isto mesmo. E nem poderia ser diferente. Sabemos que há uma tendência repugnante, de parte do governo Lula, de se “enquadrar” a mídia brasileira no que os esquerdista chamam de “democratização dos meios de comunicação”, e que, de maneira mais simples, prefiro chamar “censura”. Publica-se e noticia-se apenas aquilo que é do interesse do governo. Não interessa o povo, este é visto pelos brucutus apenas como massa de manobra, alvo das políticas públicas de supressão das vontades individuais e do senso crítico. Povo, para eles, tem mais é que aplaudir o governo.

Sabia-se que o projeto da tv pública tinha este sinal, de converter-se em instrumento de governo, mais especificamente em instrumento do petismo, do que outra coisa. E não é diferente. Não se precisa informar que a audiência magnífica é apenas um mero traço no IBOPE. Assim, a emissora do petê é, inegável constatar, um instrumento de propaganda partidária. Nada mais.

Quem bem resume este desperdício de dinheiro público, considerado aqui em relação ao interesse público, é o Reinaldo Azevedo:

"E sabem o que é o pior de tudo? Ninguém assiste à tal TV Pública. Tenta-se manipular o noticiário para dar traço no Ibope? Daqui a pouco, esse negócio é só mais um desses elefantes brancos, com milhares de empregados que jamais poderão ser demitidos. Logo, seus atuais dirigentes se aboletam numa associação qualquer de funcionários da própria TV Pública e viram diretores de sindicato. E estarão com a vida ganha para sempre."

"Nós pagamos a conta."

É preciso lembrar ainda que a idéia só brilhou a cabeça de Lula e dos petistas a partir do escândalo do mensalão, quando o governo se viu entrincheirado, não por culpa da imprensa, que apenas cumpria seu dever de informar. Ocorre que para esta gente, a “informação” significa apenas manipular. A informação deve ser veículo de propaganda. Como as tentativas do governo de cerceamento à liberdade de expressão, manifestadas em duas ocasiões ainda no primeiro mandato, acabou resultando em forte reação contrária, a idéia foi deixada de lado, porém, jamais abandonada. Haverá novas tentativas, e por certo, novos confrontos. A torcida é para a vitória do direito expresso na Constituição.

Não há mais espaço no mundo, pelo menos no democrático e livre, para governos autoritários, ou com aspirações autoritárias, criarem o modelo nazista de propaganda. Ou, ao estilo linha dura implantada pelo regime militar no Brasil, durante o período 64-85.

Contudo, como a verdade por mais que a sufoquem, cedo ou tarde, acaba prevalecendo e dando o ar de sua graça, mesmo sem ainda estar estruturada, a tal TV pública, dá mostras a que veio, e qual realmente é o conceito que irá imperar, tornando-a em instrumento de propaganda política do petismo, e que servirá para “premiar” os companheiros jornalistas submetidos ao tacão estatal.

No post seguinte, Luiz Lobo, primeiro âncora da tevê do petê, conta o que acontece naquele subterrâneo ao Daniel Castro da Folha de São Paulo. Em duas outras reportagens, ambas versando sobre o mesmo tema, o relato de Eugênio Bucci, que comandava a estatal Radiobrás durante o primeiro mandato de Lula, em reportagens do Estadão e Tribuna da Imprensa, demonstrando e deixando bastante claro p inferno que viveu e alguns “detalhes” do pensamento imperial do governo Lula e sua tendência cretina de manipular a informação. Leitura obrigatória para quem pretende fazer uma adequada leitura dos riscos que pairam sobre as liberdades garantidas em lei, mas que o governo atual tentará converte-las às suas conveniências de cunho exclusivamente partidário, Não há como negar que, a ideologia que vigora nas entranhas do governo, é a que segue a linha autoritária de poder. E isto tem nome, e não se chama democracia. Ah, isto não, de jeito nenhum !!!