Editorial do Correio Braziliense
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Não poderia ser mais ultrajante a imagem moral do Congresso perante a consciência crítica da sociedade civil. É o retrato que se colhe de pesquisa realizada pelo instituto Sensus em parceria com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Nada menos de 23% dos entrevistados defenderam o fechamento do Senado, enquanto 19,2% entenderam que a Câmara deveria também ser extinta. Os mais radicais (12,6%) pediram o fim das atividades do Legislativo. Apenas 25,6% se pronunciaram a favor da manutenção da instituição legislativa.
Não poderia ser mais ultrajante a imagem moral do Congresso perante a consciência crítica da sociedade civil. É o retrato que se colhe de pesquisa realizada pelo instituto Sensus em parceria com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Nada menos de 23% dos entrevistados defenderam o fechamento do Senado, enquanto 19,2% entenderam que a Câmara deveria também ser extinta. Os mais radicais (12,6%) pediram o fim das atividades do Legislativo. Apenas 25,6% se pronunciaram a favor da manutenção da instituição legislativa.
Os resultados do inquérito de opinião testemunham a justa indignação do povo contra o envolvimento rotineiro de parlamentares em rapinagem de dinheiros públicos. Reflete, também, repulsa ao jogo que transforma mandatos em moedas de troca no balcão das barganhas indignas. Não são culpas estampadas apenas em operações escandalosas, como as do mensalão, dos sanguessugas, dos vampiros e outras vinculadas a estripulias da mesma espécie. Na conta das obscenidades entra o espírito de corpo para encobrir bandalheiras e garantir o voto cúmplice em favor dos desavindos com o decoro e as leis penais.
Há quadros políticos respeitáveis em atuação no Congresso. Mas são lançados às zonas de sombra porque os spot ligths, diante de tantos escândalos, se ocupam em iluminar os cenários da desintegração moral e do desrespeito ao povo. O acúmulo das decepções enferruja a crença nas virtudes do regime democrático. Acaba por suscitar reações irracionais como as propostas de eliminação do Senado e da Câmara. Devem-se tomar os resultados da pesquisa Sensus/CNT como sinal de que grande parte dos brasileiros ousa admitir mudanças perniciosas aos sistemas de governos abertos, afluentes, solidários. A investigação social captou também tendência da população em favor de modelo legislativo unicameral. O Senado seria extinto. Trata-se de transformação incompatível com o sistema federativo de índole republicano-presidencial. A representação com assento na Câmara é proporcional à população do país. Já o Senado, com base na representação paritária — três senadores por estado — cumpre o papel institucional de garantir o equilíbrio federativo. As funções de ambas as casas se completam para assegurar a viabilidade política do regime.
Diante do julgamento implacável demonstrado na pesquisa, o Poder Legislativo toma consciência de que os atos de desapreço à moralidade pública e o triunfo da impunidade fecundam na consciência de muitos brasileiros idéias à margem da legalidade democrática. Cumpre-lhe realizar verdadeira cruzada em favor da profilaxia moral da instituição para arredar de cena a parte que lhe cabe no afrouxamento das convicções populares sobre a probidade e eficácia do regime. E aos titulares da soberania política — o povo — cabe efetivar reflexão profunda antes de escolher representantes para os postos eletivos. Aí está a hora providencial para aperfeiçoar as instituições democráticas e dar-lhes quadros honestos, competentes e obedientes ao interesse público.