Cecília Brandim, Do Correio Braziliense
Uma caminhonete S-10 destinada ao programa de combate à dengue no Distrito Federal, é o exemplo de como é falho o esforço para erradicar a doença na capital federal. Sem condições de uso e estacionada no pátio do Parque de Apoio da Secretaria de Saúde do DF, a caminhonete se transformou em foco do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Agentes de saúde que estiveram no local na tarde desta segunda-feira encontraram água parada no assoalho do veículo, com indícios de que ali há ovos do vetor da dengue. Ao todo, 39 carros e 17 motos aguardam conserto, o que corresponde a 51% de toda a frota, com 109 veículos usados nas ações de controle de endemias. Em meio à temporada de chuvas intensas, quando há condições ideais para desenvolvimento da larva do mosquito, o DF está em situação de risco. Para o Ministério da Saúde, a capital federal está em uma das unidades da Federação mais vulneráveis à doença. Os 316 casos registrados em 2006 superaram o ano anterior em 7%. O número pode aumentar nos dois primeiros meses deste ano em função do alto volume de chuvas, segundo previsões da equipe de vigilância em saúde do governo local.
Uma caminhonete S-10 destinada ao programa de combate à dengue no Distrito Federal, é o exemplo de como é falho o esforço para erradicar a doença na capital federal. Sem condições de uso e estacionada no pátio do Parque de Apoio da Secretaria de Saúde do DF, a caminhonete se transformou em foco do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Agentes de saúde que estiveram no local na tarde desta segunda-feira encontraram água parada no assoalho do veículo, com indícios de que ali há ovos do vetor da dengue. Ao todo, 39 carros e 17 motos aguardam conserto, o que corresponde a 51% de toda a frota, com 109 veículos usados nas ações de controle de endemias. Em meio à temporada de chuvas intensas, quando há condições ideais para desenvolvimento da larva do mosquito, o DF está em situação de risco. Para o Ministério da Saúde, a capital federal está em uma das unidades da Federação mais vulneráveis à doença. Os 316 casos registrados em 2006 superaram o ano anterior em 7%. O número pode aumentar nos dois primeiros meses deste ano em função do alto volume de chuvas, segundo previsões da equipe de vigilância em saúde do governo local.
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Além do aumento nos casos, a exposição do brasiliense ao mosquito transmissor também dobrou. No DF, o índice de infestação atual do vetor da doença é de 1,4%. O percentual, referente ao número de focos de larvas do Aedes aegypti, é o dobro do registrado em 2005. A estatística coloca a capital federal na zona de alerta. Mesmo assim, mais de duas mil residências deixaram de receber um item fundamental na prevenção à proliferação dos focos do Aedes aegypti. Tampas para caixas d´água, compradas com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), aguardam distribuição no estacionamento do órgão. Algumas não resistiram ao desgaste promovido pela exposição ao sol e à chuva e já não podem mais ser utilizadas. Elas deveriam proteger os reservatórios domésticos dos mosquitos.
Além do aumento nos casos, a exposição do brasiliense ao mosquito transmissor também dobrou. No DF, o índice de infestação atual do vetor da doença é de 1,4%. O percentual, referente ao número de focos de larvas do Aedes aegypti, é o dobro do registrado em 2005. A estatística coloca a capital federal na zona de alerta. Mesmo assim, mais de duas mil residências deixaram de receber um item fundamental na prevenção à proliferação dos focos do Aedes aegypti. Tampas para caixas d´água, compradas com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), aguardam distribuição no estacionamento do órgão. Algumas não resistiram ao desgaste promovido pela exposição ao sol e à chuva e já não podem mais ser utilizadas. Elas deveriam proteger os reservatórios domésticos dos mosquitos.
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Abandono Segundo o procurador da República no DF, Peterson de Paula Pereira, faz pelo menos três anos que as tampas estão abandonadas. Ele foi pessoalmente ao local ontem para apurar denúncia do descaso, feita pelos sindicatos que representam os agentes de saúde. “O dinheiro foi alocado e ficou sem uso. Tenho convicção de que faltou vontade política, por isso não adianta dizer que o mal é o mosquito”, criticou. Além das tampas, Pereira conferiu a situação dos veículos usados nas ações do programa e classificou como “desserviço” a forma como a Secretaria de Saúde enfrenta a dengue no DF. O Ministério Público Federal (MPF) enviará ao GDF uma recomendação para que os problemas sejam resolvidos.
Abandono Segundo o procurador da República no DF, Peterson de Paula Pereira, faz pelo menos três anos que as tampas estão abandonadas. Ele foi pessoalmente ao local ontem para apurar denúncia do descaso, feita pelos sindicatos que representam os agentes de saúde. “O dinheiro foi alocado e ficou sem uso. Tenho convicção de que faltou vontade política, por isso não adianta dizer que o mal é o mosquito”, criticou. Além das tampas, Pereira conferiu a situação dos veículos usados nas ações do programa e classificou como “desserviço” a forma como a Secretaria de Saúde enfrenta a dengue no DF. O Ministério Público Federal (MPF) enviará ao GDF uma recomendação para que os problemas sejam resolvidos.
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O subsecretário de Vigilância em Saúde do DF, Eduardo Guerra, reconheceu a demora no conserto dos veículos. “Uma coisa evidente é a falta de agilidade no reparo dos automóveis pelo serviço público. Temos carros com um, dois, três meses na oficina”, revelou. Para o trabalho de mil agentes de saúde, seriam necessários 77 veículos. Atualmente, apenas 49 estão nas ruas, além de quatro motos. “Diante dessa notícia (da notificação pelo MPF), a secretaria deve tomar as providências para que esses carros sejam consertados no tempo mais curto possível”, garante. Sobre as tampas, o subsecretário afirmou que não houve distribuição porque os modelos comprados pela Funasa não se encaixam às caixas d´água usadas pela população brasiliense.
O subsecretário de Vigilância em Saúde do DF, Eduardo Guerra, reconheceu a demora no conserto dos veículos. “Uma coisa evidente é a falta de agilidade no reparo dos automóveis pelo serviço público. Temos carros com um, dois, três meses na oficina”, revelou. Para o trabalho de mil agentes de saúde, seriam necessários 77 veículos. Atualmente, apenas 49 estão nas ruas, além de quatro motos. “Diante dessa notícia (da notificação pelo MPF), a secretaria deve tomar as providências para que esses carros sejam consertados no tempo mais curto possível”, garante. Sobre as tampas, o subsecretário afirmou que não houve distribuição porque os modelos comprados pela Funasa não se encaixam às caixas d´água usadas pela população brasiliense.
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Atualmente, os recursos para controle de endemias é repassado pelo Ministério da Saúde ao GDF. Por mês, o governo local recebe R$ 1,8 milhão, por meio do convênio. Jorge de Sousa, diretor da Associação dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), reclama que o dinheiro não tem sido suficiente para garantir boas condições aos agentes do programa. “As condições de trabalho dos servidores chegaram ao limite”, diz o técnico que identificou o foco do mosquito da dengue no pátio da oficina da Secretaria de Saúde.
Atualmente, os recursos para controle de endemias é repassado pelo Ministério da Saúde ao GDF. Por mês, o governo local recebe R$ 1,8 milhão, por meio do convênio. Jorge de Sousa, diretor da Associação dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), reclama que o dinheiro não tem sido suficiente para garantir boas condições aos agentes do programa. “As condições de trabalho dos servidores chegaram ao limite”, diz o técnico que identificou o foco do mosquito da dengue no pátio da oficina da Secretaria de Saúde.
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Dos mil agentes que estão nas ruas atualmente, 475 pertencem ao quadro do órgão federal. “O profissional vai às casas, sem uniforme, orienta os moradores, mas não aplica o larvicida onde há foco de dengue porque o estoque atual do produto está vencido”, afirma Laurizete Gusmão, agente de saúde e diretora do sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde, Trabalho e Previdência (Sindiprev). O subsecretário Eduardo Guerra confirma que a data de validade do estoque de larvicida da secretaria está vencida desde novembro. No entanto, explica, a recomendação é não usar o produto em qualquer situação. “Só aplicamos se houver orientação técnica”, conclui. A Procuradoria da República no DF vai apurar se há má gestão dos recursos federais no DF.
Dos mil agentes que estão nas ruas atualmente, 475 pertencem ao quadro do órgão federal. “O profissional vai às casas, sem uniforme, orienta os moradores, mas não aplica o larvicida onde há foco de dengue porque o estoque atual do produto está vencido”, afirma Laurizete Gusmão, agente de saúde e diretora do sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde, Trabalho e Previdência (Sindiprev). O subsecretário Eduardo Guerra confirma que a data de validade do estoque de larvicida da secretaria está vencida desde novembro. No entanto, explica, a recomendação é não usar o produto em qualquer situação. “Só aplicamos se houver orientação técnica”, conclui. A Procuradoria da República no DF vai apurar se há má gestão dos recursos federais no DF.