domingo, abril 06, 2008

ENQUANTO ISSO...

Brasil tenta a TV digital nos EUA
Renato Cruz , Agência Estado

Área de suporte ao entretenimento quer divulgar sistema brasileiro de televisão de alta definição para nações

O Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que estreou na Grande São Paulo em dezembro, tenta se vender nos Estados Unidos. Não aos americanos, que já se encontram na fase final da transição tecnológica. Os EUA têm tecnologia digital própria, chamada ATSC, e vão encerrar as transmissões analógicas em 17 de fevereiro de 2009.

Com um pavilhão brasileiro de 22 estandes no evento NAB Show, que acontece entre os dias 11 e 17 deste mês em Las Vegas, o Fórum do SBTVD, juntamente com empresas e centros pesquisas brasileiros, espera convencer outros países da América do Sul a utilizarem a tecnologia.

"Estamos fazendo um grande esforço para a promoção internacional do SBTVD", disse Luis Olivalves, coordenador do Módulo de Promoção do fórum, que reúne radiodifusores, indústria, pesquisadores e governo. O pavilhão terá uma demonstração da tecnologia adotada no Brasil, com um transmissor e dois televisores de LCD recebendo o sinal em alta definição. Haverá também equipamentos móveis e portáteis.

O SBTVD foi criado a partir da tecnologia japonesa ISDB-T. Houve duas modificações principais: a tecnologia de compressão de vídeo foi atualizada e foi criado um software de interatividade localmente. O software, chamado Ginga, não está disponível ainda em nenhum equipamento no mercado. Segundo Olivalves, não haverá demonstração do Ginga em Las Vegas.

"Esperamos que outros países adotem o sistema", disse Moris Arditti, presidente do Instituto Genius, criado pela Gradiente. O instituto de pesquisa desenvolveu uma plataforma de conversor de TV digital, também chamado set-top box, que quer licenciar para outros fabricantes. O conversor permite receber o sinal digital para assisti-lo em televisores analógicos. O conversor mais barato hoje no mercado sai por cerca de R$ 500 (dez vezes mais que o valor desejado para o futuro). O Instituto Genius tem equipes em São Paulo e Manaus.

A Idea Sistemas Eletrônicas, de Campinas, desenvolveu dois equipamentos que serão demonstrados na NAB. Um é um transmissor no padrão europeu DVB-S2, empregado pelas emissoras para transmitir o sinal para os satélites.

Enquanto isso...

TV digital falha em 33% de São Paulo, diz estudo
Daniel Castro, Folha de São Paulo

Medições apontam que cobertura só é satisfatória em 2 mi dos 5,5 mi de domicílios

Levantamento revela necessidade de uso de antena externa em determinadas regiões e ausência de sinal em outras

Quatro meses após pomposo lançamento na Grande São Paulo, a TV digital ainda é capenga. O sistema continua sem interatividade, caro e atraindo poucos interessados. E um estudo da Philips, a ser lançado nesta semana, mostra que o sinal digital das TVs abertas falha em 33% dos 103 pontos medidos pela empresa. A cobertura só é satisfatória em 2 milhões dos 5,5 milhões dos domicílios da região metropolitana.

O levantamento revela que a cobertura digital das principais redes já é semelhante à analógica (veja mapa à pág. B18). Isso quer dizer que, se a TV analógica "pega" mal onde você mora, são grandes as chances de a TV digital também falhar. Diferentemente da TV analógica, a digital não tem fantasmas e chuviscos. A imagem é nítida. Mas, se o sinal é fraco, ou a imagem "congela" na tela do televisor ou não "pega" nada.

Um dos argumentos centrais para a adoção pelo Brasil do sistema de TV digital japonês era o de que se tratava de tecnologia robusta, a melhor para uma cidade como São Paulo, repleta de barreiras (edifícios) ao sinal das TVs. Com o padrão japonês, seria possível ver TV em minitelevisores e em celulares. Dessa forma, televisores móveis e fixos não precisariam mais de antenas externas, no topo de casas e prédios, mas apenas de discretas antenas internas.

O trabalho da Philips mostra que não é bem assim. Dependendo da localização do televisor e do material usado no imóvel (paredes muito grossas, por exemplo), pode haver necessidade de antena externa a poucos quilômetros das torres das TVs. Em condomínios sem antenas externas, o telespectador, para ter bom sinal, continua "dependente" da TV paga.

Zona de sombra
Em trechos de bairros como Alphaville (Barueri, oeste da Grande São Paulo), Morumbi (zona sul), Chácara Santo Antônio (zona sul) e quase toda a região do ABC, a antena externa é obrigatória para a recepção de determinadas emissoras.

Na zona leste, há grande zona de sombra, sem sinal das TVs, no vale da avenida Jacu-Pêssego. Na zona norte, o sinal "morre" na serra da Cantareira. O Rodoanel (a oeste), a Cantareira e a Jacu-Pêssego funcionam como divisa: a partir dessas vias, a TV digital é temerária.

O encarregado de compras Luiz Nunes, 61, mora em Itaquera, no centro da zona de sombra da Jacu-Pêssego. Desde o lançamento da TV digital, ele tenta comprar um receptor da tecnologia. "Fui ao Extra e às Casas Bahia, mas nem tinham o aparelho, porque sabem que aqui "pega" mal. Nas Casas Pernambucanas, tem, mas só pega a Globo, e ainda com falhas."Há dez emissoras com sinais digitais no ar na Grande SP. Três delas -Cultura, RIT e Mix TV- ainda estão em fase experimental. Das outras sete, o sinal da Globo é o mais regular.

A medição não encontrou o sinal da Band e o da Record, por exemplo, a poucos metros da sede da Globo, no Brooklin (zona sul). O sinal da Record estava intermitente (com interrupções) no Sumaré (zona oeste) e ausente no Campo Belo, nas redondezas do aeroporto de Congonhas (zona sul). O da Cultura não foi localizado nas proximidades da ponte do Piqueri (zona oeste), a apenas 400 metros da sede da emissora. Os sinais do SBT e da Rede TV! estavam ausentes na Saúde (zona sul).

O levantamento da Philips foi realizado no final de março. Foram usados um monitor de TV e um set-top box (receptor) da empresa e uma antena interna, a um metro e meio do chão. Os rastreamentos foram feitos dentro de carros parados.

Dos 103 pontos medidos, 16 não detectaram nenhum sinal e 18 só sintonizaram até três emissoras -a soma dá 33% do total. Em 40 locais, foram detectados no mínimo sete emissoras; em 29, de quatro a seis.

Responsável pelos testes, Ricardo Teixeira, gerente de laboratório da Philips, enfatiza que o estudo simula uma situação real, mas serve apenas para orientação. Além de antenas externas e antenas amplificadas, o usuário pode obter um bom sinal com um simples deslocamento de dois metros.É a terceira vez, desde dezembro, que a Philips divulga suas medições -o resultado estará amanhã no site www.simplificandotvdigital.com.br. A empresa, que defendeu a adoção do padrão de TV digital europeu, diz que seu único objetivo, com o mapa, é orientar o consumidor de seus produtos.

"Treinamos distribuidores para orientarem o consumidor. Seria um desastre o consumidor devolver suas caixas [conversoras]", diz Walter Duran, diretor de tecnologia da Philips. Apesar dos problemas e da baixa penetração (estima-se em apenas 20 mil os conversores vendidos), o que levou emissoras e fabricantes a planejarem um "relançamento" da TV digital para maio, Duran elogia a introdução da tecnologia no Brasil.

"Ouso dizer que foi a melhor do mundo do ponto de vista do consumidor."Duran diz que os transmissores das emissoras já estão na potência máxima. Para melhorar a cobertura, na periferia, serão necessários repetidores de sinais. "A TV digital melhorou muito, mas pode ser 100%."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Não é por nada não, mas quem sabe, primeiro, o governo tenta fazer a TV Digital funcionar direito no Brasil, para depois se “aventurar” em querer vender sua tecnologia lá fora. Se é para pagar mico, que o façamos apenas por aqui. Não precisamos nos desmoralizar ainda mais lá fora.

Parece que este pessoal não aprendeu ainda a ter senso do ridículo!!!