Adelson Elias Vasconcellos
Era para ter sido no anterior, aí apareceu a afirmação do José Dirceu quanto a teoria conspiratória no caso do dossiê anti-FHC, aí tive que deixar para ser neste. E, de novo, vou deixar para o próximo post a conclusão do assunto sobre os problemas que a grande venda de automóveis está provocando e que tende a ficar pior e dramática nos próximos 3 a 5 anos, a persistir o volume atual, e persistir também a falta de planejamento para o desafogo viário e rodoviário no país, principalmente por parte das prefeituras das grandes e médias cidades brasileiras. Segurem firmes aí, que ainda voltarei a este assunto.
É que acabo de ler no Globo online, um artigo sobre o tal terceiro mandato para Lula já a partir de 2011.
Bem, este assunto começamos a tratar logo que se iniciaram as discussões em torno da CPMF, com o terrorismo do governo Lula para aprovar, e a oposição provando que o governo não mais precisava deste dinheiro, que o melhora fazer seria aliviar os contribuintes de mais um achaque. Claro que Lula esqueceu que, na oposição, ele e seu partido fecharam questão e votaram contra. Já no governo, o discurso mudou, e o dinheiro que os outros não precisavam, agora fazia imensa falta para ele. Dizia que, sem ele, ficariam prejudicados os programas sociais do governo federal e a saúde ficaria prejudicada com o montante de recursos que deixariam de entrar.
A CPMF foi negada, mas o que se vê, três meses, é que os programas sociais não foram afetados coisíssima nenhuma, até pelo contrário. Já deu para Lula amplia-los, com o Bolsa do Primeiro Voto. E quanto a Saúde continua tão mal quanto antes mesmo com a CPMF, pelo que se conclui que ali não é falta de dinheiro o problema, é falta de competência mesmo.
Mas voltemos ao assunto do tal terceiro mandato. Pela lei atual Lula só poderia eleger-se novamente em 2014. Mas ele não quer, e tanto não quer que, nem tendo chegado a metade de seu segundo mandato, ele próprio antecipou a discussão sobre a sua sucessão.
E, como sempre afirmamos, a necessidade da CPMF não tinha por foco nem Programas Sociais nem tampouco a Saúde. Objetivo central estava na eleição deste 2008, municipais, para as quais Lula despenderia enorme esforço para ampliar seu arco de apoio e, assim, poder não logo contar-se o último voto, iniciar a campanha de 2010 em definitivo. É lógico que o tema da sucessão jamais saiu de foco, mas, naquele momento, poucos se apercebiam ou pelo menos se atreviam a escrever sobre o assunto.
Lula sempre que questionado sobre as possibilidades do terceiro mandato, desconversa. Sempre procura dar respostas que não representem comprometimento. Nunca se ouviu dele um sonoro e vibrante “NÃO VOU CONCORRER” . Contudo, este sonho permanece mais aceso do que nunca. E a montanha de dinheiro proveniente da CPMF serviria justamente para adubar este caminho.
Ora, R$ 40 bilhões anuais, é sim uma enorme tentação para ser recusada de ser utilizada nas campanhas que Lula vem fazendo país afora. Inclusive, Lula tem participado diretamente das discussões em torno de nomes em algumas cidades, bem como o arco de alianças necessárias para que os “escolhidos” acabem eleitos.
Com ampla base de apoio, nos Estados e Municípios, o tema do terceiro mandato seria em frente. Não que Lula encaminhará diretamente a modificação constitucional indispensável. Nunca falta um ou mais laranjas para “proporem” a alteração.
Se ele de fato puder comemorar em clima de festa a alegria pela eleição de seus aliados ou “escolhidos”, neste caso o assunto seguirá em frente.
Ao artigo a que me referi acima do Jornal O Globo Online, nos mostra que o debate sobre o terceiro mandato é estimulado pelo próprio Lula e dele emana toda uma estratégia para colher-se o resultado pretendido.
Vocês podem reparar nos noticiários, jornais e revistas semanais que o tema vai tomando forma, e as pessoas já medem mais escrúpulos , já falam abertamente.
Claro que se precisa mudar a Constituição, mas com a maioria que tem, quem duvida que não consiga. Ainda mais levando-se em conta de que o PT não ninguém com mínimas chances de vitória dentro do partido, a não ser o próprio Lula.
Agora vocês imaginem aquela bufunfa toda irrigando as arcas das campanhas para vereadores e prefeitos? Dá, não dá?
E registrem: o assunto do terceiro mandato só está tomando forma na boca por enquanto dos petistas, em razão de que o Vice-Presidente José Alencar, vislumbrou no tema polêmico, a grande sacada para o foco sair do dossiê. E dia após dia, aparece mais um maluco defendendo a tese. Hoje, por exemplo, foi o prefeito do Recife, (adivinhem de que partido é o mancebo?), que “não vê nenhum” Ele viu quando FHC fez, mas o poderoso Lula, ele pode muito bem fazer o mesmo que os outros que não há mal algum (dois pesos e duas medidas, né?).
Assim, a informação que O Globo nos traz somente confirma o que aqui alertamos desde outubro de 2007. Ás vezes, as esquerdas brasileiras são aborrecidamente previsíveis. E, apesar disso, a oposição continua comendo poeira com sua “oposição responsável”. Exemplo disto já comentamos aqui. Em São Paulo, Alckmin sem mais nem porque, se intrometeu a querer sair candidato do PSDB à prefeitura, alegando, na época sua posição nas pesquisas. Ignorou a aliança vitoriosa de DEM/PSDB em relação à Prefeitura, e apesar da boa colocação, e sempre crescente, de Gilberto Kassab, aliada à sua aprovação,
Deveria o tucano, conforme afirmamos, ter se resguardado para disputar o Governo do Estado em 2010.Porém, cabeça dura como é, Alckmin a exemplo do que fizera em 2006 na eleição presidencial atropelando José Serra, o único de vencer Lula dentre todos os candidatos inclusive a ele próprio, Alckmin, seguiu em frente e abriu brecha no eleitorado, agora dividido graças à sua estabanada intervenção.
Com isso, Marta Suplicy que seguia flanando sestrosa nas asas do Ministério do Turismo viu uma luz no fim do túnel. Lula lançou-a candidata do partido e, eis que o impensável se tornou possível: com o eleitorado divido, Marta já aparece em primeiro lugar na pesquisas, agora também à frente de Alckmin. Muito embora Kassab seja apenas o terceiro, em cada pesquisa seu índice cresce. E no ritmo em que vai, não demorará muito para superar a Alckmin.
Assim, de atrapalhada em atrapalhada, mais e mais os oposicionistas abrem caminho para Lula que, comovido, agradece com dossiês.
Segue a reportagem do Globo Online.
Debate sobre terceiro mandato é estimulado por Lula como tática para eleições municipais
O Globo Online
BRASÍLIA - Reportagem de Gerson Camarotti publicada na edição deste domingo do jornal 'O Globo' mostra que os movimentos políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para antecipar o debate sobre sua própria sucessão foram calculados e com um objetivo claro: federalizar a disputa municipal deste ano e ganhar musculatura entre os aliados no Congresso Nacional.
A estratégia palaciana é dar um caráter plebiscitário de aprovação ao governo durante as eleições deste ano. A avaliação reservada de assessores do Palácio do Planalto é de que, dependendo da força política do presidente depois do pleito municipal, ele terá condições de ditar o rumo político a partir de 2009.
Apesar das negativas oficiais do governo de um terceiro mandato para o presidente Lula, a estratégia alimenta a especulação em torno da idéia. Para qualquer cenário, Lula decidiu priorizar a eleição municipal e colocar na pauta temas como o bom momento da economia, as ações sociais do Bolsa Família e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Surpreendidos com a decisão de Lula de antecipar a sucessão faltando quase três anos para a disputa de 2010, até mesmo aliados estranharam o comportamento do presidente. Internamente, a percepção é de que a mais recente vítima desse processo foi a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o nome que estava sendo testado pelo próprio Lula. Segundo um interlocutor privilegiado do Planalto, a decisão do presidente de desafiar a lógica política e antecipar a própria sucessão tem como objetivo primeiro ampliar o seu capital político pessoal.
Era para ter sido no anterior, aí apareceu a afirmação do José Dirceu quanto a teoria conspiratória no caso do dossiê anti-FHC, aí tive que deixar para ser neste. E, de novo, vou deixar para o próximo post a conclusão do assunto sobre os problemas que a grande venda de automóveis está provocando e que tende a ficar pior e dramática nos próximos 3 a 5 anos, a persistir o volume atual, e persistir também a falta de planejamento para o desafogo viário e rodoviário no país, principalmente por parte das prefeituras das grandes e médias cidades brasileiras. Segurem firmes aí, que ainda voltarei a este assunto.
É que acabo de ler no Globo online, um artigo sobre o tal terceiro mandato para Lula já a partir de 2011.
Bem, este assunto começamos a tratar logo que se iniciaram as discussões em torno da CPMF, com o terrorismo do governo Lula para aprovar, e a oposição provando que o governo não mais precisava deste dinheiro, que o melhora fazer seria aliviar os contribuintes de mais um achaque. Claro que Lula esqueceu que, na oposição, ele e seu partido fecharam questão e votaram contra. Já no governo, o discurso mudou, e o dinheiro que os outros não precisavam, agora fazia imensa falta para ele. Dizia que, sem ele, ficariam prejudicados os programas sociais do governo federal e a saúde ficaria prejudicada com o montante de recursos que deixariam de entrar.
A CPMF foi negada, mas o que se vê, três meses, é que os programas sociais não foram afetados coisíssima nenhuma, até pelo contrário. Já deu para Lula amplia-los, com o Bolsa do Primeiro Voto. E quanto a Saúde continua tão mal quanto antes mesmo com a CPMF, pelo que se conclui que ali não é falta de dinheiro o problema, é falta de competência mesmo.
Mas voltemos ao assunto do tal terceiro mandato. Pela lei atual Lula só poderia eleger-se novamente em 2014. Mas ele não quer, e tanto não quer que, nem tendo chegado a metade de seu segundo mandato, ele próprio antecipou a discussão sobre a sua sucessão.
E, como sempre afirmamos, a necessidade da CPMF não tinha por foco nem Programas Sociais nem tampouco a Saúde. Objetivo central estava na eleição deste 2008, municipais, para as quais Lula despenderia enorme esforço para ampliar seu arco de apoio e, assim, poder não logo contar-se o último voto, iniciar a campanha de 2010 em definitivo. É lógico que o tema da sucessão jamais saiu de foco, mas, naquele momento, poucos se apercebiam ou pelo menos se atreviam a escrever sobre o assunto.
Lula sempre que questionado sobre as possibilidades do terceiro mandato, desconversa. Sempre procura dar respostas que não representem comprometimento. Nunca se ouviu dele um sonoro e vibrante “NÃO VOU CONCORRER” . Contudo, este sonho permanece mais aceso do que nunca. E a montanha de dinheiro proveniente da CPMF serviria justamente para adubar este caminho.
Ora, R$ 40 bilhões anuais, é sim uma enorme tentação para ser recusada de ser utilizada nas campanhas que Lula vem fazendo país afora. Inclusive, Lula tem participado diretamente das discussões em torno de nomes em algumas cidades, bem como o arco de alianças necessárias para que os “escolhidos” acabem eleitos.
Com ampla base de apoio, nos Estados e Municípios, o tema do terceiro mandato seria em frente. Não que Lula encaminhará diretamente a modificação constitucional indispensável. Nunca falta um ou mais laranjas para “proporem” a alteração.
Se ele de fato puder comemorar em clima de festa a alegria pela eleição de seus aliados ou “escolhidos”, neste caso o assunto seguirá em frente.
Ao artigo a que me referi acima do Jornal O Globo Online, nos mostra que o debate sobre o terceiro mandato é estimulado pelo próprio Lula e dele emana toda uma estratégia para colher-se o resultado pretendido.
Vocês podem reparar nos noticiários, jornais e revistas semanais que o tema vai tomando forma, e as pessoas já medem mais escrúpulos , já falam abertamente.
Claro que se precisa mudar a Constituição, mas com a maioria que tem, quem duvida que não consiga. Ainda mais levando-se em conta de que o PT não ninguém com mínimas chances de vitória dentro do partido, a não ser o próprio Lula.
Agora vocês imaginem aquela bufunfa toda irrigando as arcas das campanhas para vereadores e prefeitos? Dá, não dá?
E registrem: o assunto do terceiro mandato só está tomando forma na boca por enquanto dos petistas, em razão de que o Vice-Presidente José Alencar, vislumbrou no tema polêmico, a grande sacada para o foco sair do dossiê. E dia após dia, aparece mais um maluco defendendo a tese. Hoje, por exemplo, foi o prefeito do Recife, (adivinhem de que partido é o mancebo?), que “não vê nenhum” Ele viu quando FHC fez, mas o poderoso Lula, ele pode muito bem fazer o mesmo que os outros que não há mal algum (dois pesos e duas medidas, né?).
Assim, a informação que O Globo nos traz somente confirma o que aqui alertamos desde outubro de 2007. Ás vezes, as esquerdas brasileiras são aborrecidamente previsíveis. E, apesar disso, a oposição continua comendo poeira com sua “oposição responsável”. Exemplo disto já comentamos aqui. Em São Paulo, Alckmin sem mais nem porque, se intrometeu a querer sair candidato do PSDB à prefeitura, alegando, na época sua posição nas pesquisas. Ignorou a aliança vitoriosa de DEM/PSDB em relação à Prefeitura, e apesar da boa colocação, e sempre crescente, de Gilberto Kassab, aliada à sua aprovação,
Deveria o tucano, conforme afirmamos, ter se resguardado para disputar o Governo do Estado em 2010.Porém, cabeça dura como é, Alckmin a exemplo do que fizera em 2006 na eleição presidencial atropelando José Serra, o único de vencer Lula dentre todos os candidatos inclusive a ele próprio, Alckmin, seguiu em frente e abriu brecha no eleitorado, agora dividido graças à sua estabanada intervenção.
Com isso, Marta Suplicy que seguia flanando sestrosa nas asas do Ministério do Turismo viu uma luz no fim do túnel. Lula lançou-a candidata do partido e, eis que o impensável se tornou possível: com o eleitorado divido, Marta já aparece em primeiro lugar na pesquisas, agora também à frente de Alckmin. Muito embora Kassab seja apenas o terceiro, em cada pesquisa seu índice cresce. E no ritmo em que vai, não demorará muito para superar a Alckmin.
Assim, de atrapalhada em atrapalhada, mais e mais os oposicionistas abrem caminho para Lula que, comovido, agradece com dossiês.
Segue a reportagem do Globo Online.
Debate sobre terceiro mandato é estimulado por Lula como tática para eleições municipais
O Globo Online
BRASÍLIA - Reportagem de Gerson Camarotti publicada na edição deste domingo do jornal 'O Globo' mostra que os movimentos políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para antecipar o debate sobre sua própria sucessão foram calculados e com um objetivo claro: federalizar a disputa municipal deste ano e ganhar musculatura entre os aliados no Congresso Nacional.
A estratégia palaciana é dar um caráter plebiscitário de aprovação ao governo durante as eleições deste ano. A avaliação reservada de assessores do Palácio do Planalto é de que, dependendo da força política do presidente depois do pleito municipal, ele terá condições de ditar o rumo político a partir de 2009.
Apesar das negativas oficiais do governo de um terceiro mandato para o presidente Lula, a estratégia alimenta a especulação em torno da idéia. Para qualquer cenário, Lula decidiu priorizar a eleição municipal e colocar na pauta temas como o bom momento da economia, as ações sociais do Bolsa Família e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Surpreendidos com a decisão de Lula de antecipar a sucessão faltando quase três anos para a disputa de 2010, até mesmo aliados estranharam o comportamento do presidente. Internamente, a percepção é de que a mais recente vítima desse processo foi a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o nome que estava sendo testado pelo próprio Lula. Segundo um interlocutor privilegiado do Planalto, a decisão do presidente de desafiar a lógica política e antecipar a própria sucessão tem como objetivo primeiro ampliar o seu capital político pessoal.