quarta-feira, setembro 12, 2012

A privatização é, de novo, tratada como a Geni


Ricardo Galuppo  
Brasil Econômico

A privatização se transformou em borduna eleitoral nas mãos do PT

Pode-se discutir se a referência feita na última sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff ao programa de privatização posto em prática pelo presidente Fernando Henrique Cardoso tem ou não tem caráter eleitoral. Em cadeia nacional de televisão, Dilma disse que o modelo foi “questionável”, o que despertou a ira do presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

Tenha ou não tenha tido a intenção de dar uma força à cambaleante campanha de Fernando Haddad e de outros petistas que tentam vencer eleições consideradas vitais pelo partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o fato é que a presidente tocou numa das feridas mais mal cicatrizadas da administração pública brasileira.

A desestatização que foi proposta pelo ex-presidente Fernando Collor, começou a ser implementada por Itamar Franco e prosseguiu nas mãos de Fernando Henrique Cardoso é, sem favor algum, um dos mais importantes e bem sucedidos programas não de governo, mas de Estado, já vistos no país.

A ele pode ser atribuído o crescimento de companhias que marchavam para a bancarrota até serem salvas e ganharem força sob controle da iniciativa privada, como é o caso da Usiminas, da CSN, da Embraer ou das empresas telefônicas. Até mesmo a Vale ganhou com os novos acionistas uma dimensão que jamais teria como estatal. Todas elas ajudaram a dar um novo vigor à economia do país.

A despeito de seu sucesso, a privatização se transformou em borduna eleitoral nas mãos do PT. Na disputa de 2006, foi desancada por Lula sem que um único tucano saísse em defesa de FHC. O programa ficou, assim, parecido com a Geni, da música de Chico Buarque. Todos a hostilizam. Mas, na hora que a situação aperta, é a ela que recorrem para resolver seus problemas.

O fato é que a privatização feita pelo PSDB foi muito mais bem sucedida do que o modelo adotado pelo PT – e nem diante dessa evidência os tucanos conseguem defendê-la com decência. Veja o caso das rodovias. Compare, por exemplo, a Dutra (que liga São Paulo ao Rio de Janeiro) privatizada por Fernando Henrique Cardoso com a deplorável Fernão Dias (que liga São Paulo a Belo Horizonte), privatizada por Lula.

Enquanto a Dutra é uma estrada decente, que melhorou depois da privatização, a outra é uma vergonha com seus pedágios caça-níqueis. No entanto, os petistas criticam a Dutra e os tucanos sequer têm a coragem de apontar o dedo na direção da outra. E os aeroportos? Por que os tucanos não batem na reestatização proposta para Confins e Galeão?

Dilma criticou, sim, a privatização de FHC e talvez não devesse ter feito isso. Mas se ela e seu partido sentem-se tão à vontade para questionar o tal modelo, a culpa é dos tucanos que nunca tiveram (quando ainda havia tempo para isso) a coragem de mostrar a cara para defender um programa que lhes rendeu tantos votos no passado.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A utilização vigarista do tema privatização pelo PT é demonstrativo eloquente do quanto o povo brasileiro tem sido transformado em massa de manobra, a ponto de que as mentiras e o terrorismo rombudo do PT possam produzir efeitos nefastos ao país. Fosse o contrário, o próprio PT já teria mudado seu discurso. 

Também comprova o quanto a oposição perdeu substância e esqueceu do importante e indispensável que lhe cabe representar para a consolidação democrática do Brasil.

Enquanto tipos como Aécio Neves se comportarem como moleques despido de qualquer compromisso para com o país, buscando apenas fazer brilhar sua estrela de celebridade, e os tucanos paulistas se digladiarem entre os que são a favor de Serra e os que são contra ele, não há a menor chance do país libertar-se da situação de refém em que se encontra, atada às garras criminosas do petismo. 

Também é visível o quanto boa parte da imprensa se curva e se submete ao terrorismo ideológico movido miseravelmente pelos petistas. 

Não é por outra que a institucionalidade vai sendo definhada pela canalhice de um grupo político cujo único propósito é sua perpetuação no poder, para o bem, e principalmente, para o mal.