quarta-feira, setembro 12, 2012

Uma questão de ordem para o ministro Lewandovski


Comentando a Notícia

Não poderia encerrar a edição de hoje sem destacar, mais uma vez, o triste papel que o ministro Lewandovski vem desempenhando até aqui.

Contra todas as evidências, provas e diria, contra o próprio senso comum dos demais ministros do STF, ele aliviou a barra de João Paulo Cunha, o primeiro dos petistas ilustres indiciados a ser julgado.

Hoje, o ministro foi ainda além: quis considerar como argumento válido ao seu voto em relação a Geiza Dias, uma entrevista concedida por um delegado da Polícia Federal concedida à Folha de São Paulo depois do julgamento iniciado. Ou seja, a tal entrevista sequer dos autos constava, como considerar suficientemente válida para inocentar ou condenar quem quer que seja?   

Mas não é apenas este tipo de argumento o que chama atenção. Chega a ser irritante a mania de Lewandovski para alongar o mais possível a leitura de seu voto. Por que, meu Deus, quando parece concordar com o voto do ministro relator, a releitura dos mesmos argumentos, a descrição das mesmas provas periciais em seus mínimos detalhes, quando bastaria anunciar “acompanho no conteúdo o voto do relator”, como tantos outros ministros já fizeram? 

Fica claro, a meu ver, que o revisor se comporta da mesma maneira truculenta com que certos times de futebol que, tendo o placar a seu favor, praticam a famosa cera técnica, atrasando reposição de bola, tenha ela saído pela lateral ou pelo fundo, jogadores caindo e simulando lesões para interromper o jogo, exigindo atendimento médico, ou atrasando e catimbando a cobrança de faltas, enfim, interrompendo o jogo por qualquer razão para que ele não tenha continuidade, fazendo o tempo passar e dificultando ao máximo para que seu adversário possa reverter o placar da partida.

Na aparência, o que se nota é que o ministro revisor cumpre seu papel de maneira correta. Mas no detalhe o que se percebe é sua compulsão para retardar ao máximo o andamento dos trabalhos, jogando assim em favor dos réus. É claro que quanto mais os trabalhos demorem, melhor para os réus. Exemplo, o ex-ministro Cezar Peluso mal pode pronunciar um voto. Consumiu-se antes dele, demasiado tempo em firulas processuais que o impediram de seu voto alcançar outros réus do processo. Em 17 de novembro, sairá o presidente do STF, o ministro Ayres Brito e, pelo que se depreende do ritmo dos trabalhos, periga Ayres Brito aposentar-se antes da conclusão do julgamento, pelo que também torcem os réus. 

Assim, impossível a esta altura não questionarmos o ministro Ricardo Lewandovski nos seguintes termos: que tal o ministro, em sua casa, quieto em um canto qualquer, refletir se o papel que pretende desempenhar até o final do julgamento, será aquele que todos estamos assistindo? Porque, se for assim, melhor faria o ministro se refletisse ser adequado a um ministro do STF, comportamento tão moleque, tão irresponsável , tão repreensível, como se viu até aqui. Fica evidente demais, senhor Lewandovski, sua tentativa de beneficiar os réus, principalmente políticos ligados ao PT, ao agir de maneira premeditada e consciente para que o ritmo do julgamento seja o mais demorado e longo possível. 

Pense nisso, ministro, e reveja sua conduta tão parcimoniosa.  A sociedade o está vigiando de maneira muito atenta.