Comentando a Notícia
No texto a seguir, do Jamil Chade, para O Estado de São Paulo, há um número assustador. Nele se informa que a ONU, através de alguns ditos “peritos”, pressiona o governo brasileiro sobre a política sobre o aborto, dizendo não ser admissível conviver com 200 mil mortes/ano de mulheres vítimas de abortos clandestinos.
De onde é que saem estes números, meu Deus? Há limite para tudo, até para a chutometria. Qual levantamento, ou pesquisa, com um mínimo de seriedade, aponta esta estatística macabra?
É evidente que se trata de uma mentira descarada, para apoiar a ideia de parte minúscula da sociedade que quer, por que quer, liberar o aborto, ou melhor, o assassinato em massa.
Querem ver? Então vamos lá: o Governo trabalha com a estimativa de 200 mil mortes de mulheres/ano, número sobre o qual se baseia a crítica da ONU contra o Brasil. Contudo a mentira não prospera. Segundo a tábua da vida do IBGE, entre 1998 e 2008 morreram em média 87 mulheres/dia na faixa etária de 15-39 anos. Ou seja, morreram 31.755 mulheres/ano, na faixa etária em que, provavelmente, os abortos seriam mais comuns. Além disso, 78% das mortes nessa faixa etária são contabilizadas pelo IBGE como sendo resultado de causas naturais. Pergunta: eu entendi errado ou Governo está inventando mortes para justificar sua política em favor do aborto?
Assim, quem repassou para os “especialistas” da ONU aquela montanha de abortos inventados?
Por outro lado, creio que a turma da ONU favorável à legalização indiscriminada do aborto, imagina que o Brasil seja um país de quinta categoria. Em certos aspectos, até somos e parecemos. Mas nunca do ponto de vista institucional. Primeiro, o Estado não manda na sociedade. Quem não quer o aborto é a maioria da população brasileira. Ponto.
Ora, nesta terra não prosperam leis feitas de forma arbitrária. Elas precisam ser aprovadas no Congresso que até pode não aceitar iniciativas do Executivo, quando tais iniciativas são repelidas pela sociedade. Assim, mesmo que o Executivo “quisesse” impor sua vontade, a reação adversa seria enorme e, duvido, que o Congresso se posicionasse contra a vontade da maioria. Nem nos Estados Unidos especialistas da ONU, agentes da matança, conseguem impor suas ideias, quanto cobrar do governo americano de forma tão agressiva uma tomada de posição quanto ao aborto. Alguns estados liberam outros não.
Aqui, o próprio Estado já se posicionou, e o fez por vontade da maioria de seu povo. A lei sobre aborto se mantém como está. Ponto de novo.
Contudo, considerando a questão sob o ponto de vista de saúde pública, a recomendação expressa é de que nenhuma mulher deixará de ser atendida adequadamente por consequência de aborto. O ato em si, será de pura consciência individual de cada mulher, mas o atendimento aos problemas derivados deste ato estarão e são cobertos pela rede pública de saúde.
Além do mais, a mulher brasileira, por mais que seja sensual, não é uma prostituta que se entregue ao sexo de forma promíscua. Sendo assim, cabe ao Estado implementar políticas de orientação tanto para que se evite esta promiscuidade, quanto a mulher, tanto quanto seu parceiro, pratiquem sexo de maneira segura, seja para evitar a transmissão das DST’s quanto para evitar gravidez indesejada.
Deveria a senhora Eleonora defender de maneira firme a posição tanto do Estado quanto da própria sociedade. E desmentir de maneira categórica as estatísticas falsificadas das “especialistas” da ONU. Por que esta gente não vai se meter nos confins do continente africano, onde tantas regiões vivem verdadeiros dramas sociais, por conta da violência a que a mulher é submetida? Por que não vão ao mundo muçulmano defender abertamente o aborto e a mulher é submetida a um regime de semiescravidão? Isto sim elogiável, e não vire se imiscuir em assuntos internos de um país como o Brasil. Gente ridícula!!!!
Menos mal que o Ministro da Saúde se apressou em contestar os números sobre os quais os “especialistas” da ONU se apressaram em criticar o Brasil. Mas, convenham, dada a crítica que se lê no texto abaixo, é pouco, muito pouco diante da mentira e da intromissão indevida e cretina de quem, ao que parece, não tem coisa mais útil para fazer.
Está na hora do Brasil dar uma resposta dura a estes agentes da morte. Mas como esperar que, com uma Secretaria que apoia abertamente o assassinato de bebês, o país conseguirá mandar os “tais peritos” macabros da ONU às favas? Eis a hora para o governo começar a falar grosso com esta gentalha!
O texto sobre a importação de livros didáticos é de Rodrigo Burgarelli, para o jornal O Estado de São Paulo.
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ONU critica legislação brasileira e cobra país por mortes em abortos de risco
Entidade destacou o fato de 200 mil mulheres morrerem em cirurgias clandestinas anualmente
GENEBRA - O governo de Dilma Rousseff foi colocado nesta sexta-feira, 17, contra a parede pelos peritos da ONU, que acusam o Executivo de falta de ação sobre a morte de 200 mil mulheres por ano por conta de abortos inseguros e pedem que o País supere suas diferenças políticas e de opinião para salvar essas vítimas.
A entidade realizou seu exame sobre a situação das mulheres no Brasil e não poupou críticas ao governo. "O que é que vocês vão fazer com esse problema político enorme que tem?", cobrou durante a plenária a perita suíça Patricia Schulz.
Para os especialistas da ONU, a criminalização do aborto está ligada à alta taxa de mortes por ano.
Pressionada domesticamente pela CNBB e parte do Congresso, a ministra da Secretaria de Políticas para a Mulher, Eleonora Menicucci, em suas cinco horas de debates em Genebra, não concedeu mais de dois minutos para tratar do assunto. Um dia antes da reunião, a nova ministra disse que não abria mão de suas convicções pessoais em relação ao aborto. Mas garantiu que apresentaria à ONU as "diretrizes do governo".
Nesta sexta-feira, ao ser pressionada pelos peritos, limitou-se a dizer que o tema não era do Palácio do Planalto. "Essa é uma questão que não diz respeito ao Executivo, mas sim ao Congresso. Há um projeto de lei em tramitação e sabemos da responsabilidade de prevenir mortes femininas e maternas ", se limitou a dizer. No início de março, a entidade publicará suas recomendações ao Brasil, a partir do que escutou.
A ministra admitiu que o aborto estava entre as cinco principais causas de mortes de mulheres no Brasil, enquanto uma representante do Ministério da Saúde indicou que existem em funcionamento 60 serviços credenciados para realizar abortos dentro da lei e que essa rede será ampliada.
A resposta não convenceu os especialistas, que apontam que a divisão na sociedade brasileira sobre como tratar do aborto não pode ser motivo para permitir que as mortes continuem ocorrendo.
Os peritos da ONU insistem que não são a favor ou contra o aborto. Mas alertam que, seja qual for a lei em vigor no Brasil, a realidade é que milhares de mulheres estão morrendo a cada ano por conta dessas práticas e o estado precisa fazer algo. "As mulheres vão abortar. Essa é a realidade", disse Magaly Arocha, uma das peritas. "O comitê da ONU não pode defender o aborto. Mas queremos que o estado garanta que mulheres possam velar por suas vidas", disse.
A tentativa de Eleonora de jogar a responsabilidade para o Congresso não foi bem recebida. "Perdão. Mas não estou entendendo. Não está claro para mim qual a posição do governo. Não está claro se o Executivo e o Congresso vão na mesma direção. O que queremos saber é a posição do estado brasileiro, que é quem está sendo avaliado ", cobrou Arocha.
Schulz foi ainda mais enfática. Ela lembrou que, em 2007, a ONU já cobrou do Brasil que a criminalização do aborto fosse revisada pelo governo. "Mas lamentavelmente não vimos progressos e os esforços fracassaram", declarou. "Essa é uma questão muito preocupante. São 200 mil mortes por ano e essa alta taxa tem uma relação direta com a criminalização do aborto", disse.
"O código penal brasileiro é muito restritivo e, mesmo em casos legais, médicos temem conduzir os procedimentos", afirmou, acusando a polícia de também maltratar vítimas de abusos sexuais,Schulz, uma das especialistas europeias de maior renome no campo dos direitos das mulheres, também destacou que, apesar de haver a possibilidade de abortos legais no Brasil por risco de vida da mãe e por estupro, o número de casos registrado chega a apenas 3 mil por ano. "Enquanto isso, existem 1 milhão de casos ilegais e 250 mil mulheres sendo internada por complicações", alertou. "O que é que o governo está fazendo para humanizar essa situação ?", cobrou, lembrando que a camada mais pobre das mulheres é a que mais sofre. "A classe média e rica sempre vai encontrar boas soluções", disse.
Projeto. Outra critica levantada pela ONU foi em relação ao Estatuto do Nascituro, que tramita na Câmara. "Uma mulher não pode ser apenas o barco onde o feto cresce", disse Shulz. "Não se pode dar total prioridade ao bebê e deixar de lado a saúde da mulher", declarou.
"Se o Congresso aprovar isso, lamentavelmente estaremos fazendo um tremendo retrocesso nos direitos reprodutivos", declarou Arocha.
Mais uma vez, Eleonora optou por uma resposta vaga. "O projeto do Estatuto não saiu da secretaria. Saiu do Parlamento", disse, passando a palavra para a representante do Ministério da Saúde. Para o órgão, o governo já deu sete pareceres contra o projeto de lei. Mas admite que ainda assim o Estatuto tramita no Congresso.