Comentando a Noticia
A presidente Dilma, no discurso de posse da sua nova Secretária de Políticas para as Mulheres, disse que a escolha se dera pelo conjunto da obra da escolhida, muito embora esta obra contrarie frontalmente ao que a então candidata anunciara como programa de seu futuro governo, isto é, que não mexeria na legislação que regula o aborto no Brasil.
Quando qualquer cidadão se candidata a um cargo eletivo, na vitrine de sua exposição de campanha, o que pode oferecer é justamente a sua obra, seu passado, suas ideias e projetos que pretende levar adiante caso seja eleito.
Fernando Haddad, virtual candidato petista à Prefeitura de São Paulo, antes um desconhecido da população, só passou a luzir no horizonte da vida pública a partir de sua condução ao Ministério da Educação no Governo Lula. Assim, nada mais natural que sua atuação à frente do MEC sirva de vitrine para aquilo que o candidato pode ou não fazer à frente da maior cidade brasileira. Neste sentido, foi sua a iniciativa de criar um kit anti-homofobia como foi chamado, que seria distribuído nas escolas públicas pelo país.
Ora, se o kit era ou não conveniente, isto nem vem ao caso, muito embora seja importante avaliar seu conteúdo e qualidade. Mas, no momento, o que interessa mesmo é que o kit, assim como o ENEM, são obras das quais o ex-ministro não pode fugir nem sequer negar a autoria.
Ele esperava o que, que os eleitores ignorassem o conjunto de sua obra, e apenas se atentassem às promessas de campanha? É do jogo, senhor Haddad, que o passado dos candidatos sejam explorados à exaustão pelos demais concorrentes. Assim, tanto o ministro fará uso de críticas às administrações anteriores da Prefeitura apresentando, em contrapartida, propostas que venham solucionar os problemas atuais. É bom o ministro preparar-se: para quem tem telhado de vidro, não se aconselha que atire a primeira pedra.
Impressionante, por outro lado, é a incapacidade desta para dialogar e receber críticas. Melindram-se facilmente quando contrariados. Debater, para esta gente, é eles falarem, falarem, e os outros comportarem-se como frenética claque. Logo partem para desqualificação de seus opositores, quando não para a intimidação. É precisamente o que faz e fez o senhor Haddad. Contudo, obscurantismo é querer esconder da sociedade aquilo que o ex-ministro fez e que a sociedade repudiou. Pessoas perturbadas talvez seja o caso do próprio Haddad, com as críticas corretas ao seu kit que, claramente, se tratava de verdadeira apologia ao homossexualismo quando dirigido a uma maioria composta de crianças e jovens que se compõem de heterossexuais em quase sua totalidade. Saia do armário, e se assuma, cara pálida!!! Assuma sua própria obra e não se esconda, e pare de agredir o bom senso das pessoas. Não somos imbecis, pelo menos a imensa maioria do povo brasileiro.
O texto é Adauri Antunes Barbosa, para O Globo.
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Fernando Haddad critica uso eleitoral de kit anti-homofobia
Para ex-ministro, debate deve abordar direitos humanos e não estimular a violência
SÃO PAULO - Pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad reagiu nesta quarta-feira a ameaças políticas da chamada bancada evangélica no Congresso Nacional e aos ataques ao kit anti-homofobia encomendado pelo Ministério da Educação quando era titular da pasta. Haddad alertou para as consequências da polêmica, como a liberação da violência - “forças obscurantistas” em “alguns indivíduos perturbados”.- Muitas vezes as pessoas não se dão conta de como esse tipo de abordagem libera, não que elas queiram promover a violência. Mas não se dão conta de quanto isso libera em alguns indivíduos perturbados forças obscurantistas que acabam comprometendo a integridade física de cidadãos. O que lamento desse debate é a não percepção de que, muitas vezes, ao não abordar adequadamente a questão dos direitos humanos, você acaba, sem querer, promovendo uma violência que é crescente no país contra as pessoas com outra orientação sexual. É a única ressalva que faço, a única preocupação que tenho - afirmou o ex-ministro da Educação, depois de participar de um encontro com trabalhadores no Sindicato dos Comerciários de São Paulo.
Sobre o risco de essas críticas atrapalharem sua campanha pela prefeitura de São Paulo, o petista afirmou que a verdade vai prevalecer.
- Ninguém tem compromisso com a mentira. A verdade prevalecendo, não tem o que se temer - afirmou.