terça-feira, fevereiro 21, 2012

Para a família da vítima só críticas, mas para o assassino nem um pio

Adelson Elias Vasconcellos

Para a Secretária de Direitos (?) Humanos, Maria do Rosário, só faltou acusar a vítima de corromper o assassino. No mais, se meteu a deitar uma falação estúpida contra a família da vítima, isto para se dizer pouco. 

Alias, no governo petista, apologias para crimes variados é fato corriqueiro. Então vamos por partes. No país em que se tenta condenar os pais, criminalizando a palmada corretiva, em que o governo quer até dar pitaco em comercial de biscoito, seria  de se esperar que os direitos humanos fosse, de fato, uma das prioridades na sua arte de governar. Será?

Ora, os mesmos protagonistas e seus coadjuvantes que querem se intrometer em querer impor o Estado em substituição da sociedade, fica impossível levar fé nos mesmos atores que logo defendem governos ditatoriais, como tem se feito desde 2003. Desfilam na galeria dos “muy” amigos destes pobres de espírito personagens como Hugo Chavez, Rafael Correa, Evo Morales, Fidel e Raul Castro, Ahmadinejad, dentre outros ilustres tiranos. Então, digam lá, que autoridade moral tem esta gente para criticar a família da menina Eloá feita refém e assassinada de forma premeditada, fria e brutalmente, por um desmiolado que não aceitava o final do namoro.

Acaso a dona Maria do Rosário gozou, em algum momento da intimidade daquela casa, para sair de maneira afoita e infeliz a julgá-los de modo tão cretino? Claro que não, só que é raro encontrarmos petistas criticando a bandidagem. A senhora Secretária que se diz de Direitos Humanos não pronunciou uma única palavra contra o assassino, nenhumazinha que fosse. Arvorou-se de uma falsa moral para atacar a família da vítima por ter permitido o namoro com aquele que se transformaria em seu algoz. 

Contudo, foi reconhecido pelo próprio Lindenberg que a família não concordava com o namoro. Ora, para quem tem filhos na idade em que Eloá começou a namorar (e não fazer sexo como afirmou Maria do Rosário) sabe o quanto é difícil impedir que adolescentes acatem as restrições que os pais tentam impor-lhes, justamente para evitar que mal maior aconteça. Por mais argumentos lógicos que se apresentem, há filhos que se cegam e ensurdecem contra as recomendações que visam a segurança e bem estar deles próprios. Quantos, de maneira furtiva,  se comportam na contramão destas recomendações?! E quantas tragédias se repetem justamente por conta destas  desobediências! 

Não, dona Maria Rosário, cuide de criticar, por exemplo, o governo do qual participa pela permissividade mais do que abusiva quanto aos crimes de corrupção e desvios de recursos públicos, que seu próprio partido evita serem investigados no Congresso, recusando qualquer tentativa de instalação de CPI para apuração de delitos variados, quando os alvos são companheiros do partido da ministra. É esta permissividade envolta em impunidade que contamina a sociedade como um todo, e só faz aumentar a bandidagem em seus diferentes níveis de violência.

São críticas estúpidas contra as vítimas, muito comum em personagens petistas, que incentivam os criminosos na reincidência de seus delitos com a certeza de que não serão punidos, porque para o governo petista, invariavelmente, se houver crime, tal como nos romances policiais em que o culpado é sempre o mordomo,  o culpado por aqui será sempre a vítima. Num país em que o detento recebe auxílio reclusão superior ao salário mínimo que é fixado para o trabalhador honesto, em que tantos se preocupam com os direitos dos criminosos e bandidos, condenando-se suas vítimas a completo esquecimento, exceção feita às vítimas travestidas de autoridades, como vimos semana passada em Brasília quando se abriu investigação especial pela morte do filho do presidente EMBRATUR. Nos hospitais públicos morrem centenas de brasileiros sem que mereçam destas mesmas autoridades sequer a menor atenção pelo descaso, pela omissão de socorro, pelo abandono, e até pelo erro médico!

Assim, até pelo cargo que ocupa, deveria a senhora Maria do Rosário preocupar-se com as vítimas da violência que o governo da qual participa tem se mostrado incompetente para combater. Aliás, saliente-se que, a exceção de Rio de Janeiro e São Paulo, desde 2003 quando o PT assumiu o poder federal, a criminalidade só tem feito aumentar em todas as regiões do país. Cumprisse o governo do qual participa, minimamente, com seus deveres para com a sociedade e da qual extorque bilhões em impostos todos os anos, e muito provavelmente tragédias como a que vitimou a jovem Eloá seriam raridade no Brasil, e até evitadas; houvesse  preocupação le3gítima do governo com uma política decente em favor da segurança e da proteção à vida, e menos em praticar apologia ao aborto e às drogas e proteção aos criminosos, o país não estaria infestado de  bandidos praticando violência por atacado, andando e agindo tão livremente como se vê! Fosse direitos humanos, de fato, uma preocupação maior deste seu governozinho irresponsável, e teria   mandado de volta para Itália para cumprir a pena a que foi condenado, o senhor Cesare Battisti responsável por quatro homicídios. Direitos humanos num governo que negou asilo  e se apressou em devolver dois pugilistas cubanos que buscaram fugir da ditadura cubana, em 2007, sem que contra eles pesassem um delito de pequeno que fosse. Conta outra, minha senhora!

Então, dona Maria Rosário, com que moral você se apresenta agora, na qualidade de responsável por direitos humanos do governo petista, cujo passado o condena justamente pelo reincidente desrespeito aos direitos das pessoas honestas, e abrigo e proteção à bandidagem na qual poderíamos incluir   a cumplicidade de seu partido com os vigaristas e bandoleiros dos MSTs da vida?

Deste modo, que a Secretária recolha-se à sua insignificância e limpe a boca antes de criticar vítimas da violência no país, violência que seu governo não combate, e mais, que se abstenha de criticar pessoas honestas e trabalhadoras.  

Segue o texto sobre as declarações estúpidas e inoportunas de quem deveria cuidar das vítimas da criminalidade, mas que tem atenção concentrada em atacar suas famílias, não menos vítimas pela dor e sofrimento que a perda de um ente querido lhes impõe. É muita falta de consciência, de respeito e sensibilidade! É muita falta, em suma, de DIREITOS HUMANOS.

O texto é de Demétrio Weber, para jornal O Globo.

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Ministra Maria do Rosário faz criticas à família de Eloá
Ela aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre sexualidade precoce

BRASÍLIA - A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticou neste sábado a família da estudante Eloá Pimentel, assassinada em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves. O alvo da ministra foi o consentimento dos pais de Eloá para que a filha iniciasse o namoro quando tinha apenas 12 anos e o rapaz, 19. Lindemberg assassinou Eloá três anos mais tarde, em 2008, num crime que chocou o país, e foi condenado a 98 anos de prisão na última quinta-feira. Para Maria do Rosário, as famílias precisam proteger suas crianças, o que passa por maior zelo para em relação à sexualidade precoce.

- Vejam, por exemplo, o que é a morte da menina Eloá. Uma situação absurda, que revolta o povo brasileiro. Mas, em todos os noticiários, nós vimos que aquele que matou a Eloá entrou na sua casa e pediu a autorização para a sua família quando ela tinha 12 anos. Será que é possível que os pais e mães não estejam atentos, que com 12 anos, enfim, não é possível que as meninas, que os meninos estejam sexualizados precocemente? - disse Maria do Rosário.

Ela visitou a central de atendimento telefônico do Disque Direitos Humanos (Dique 100), que recebe denúncias de todo tipo de violência contra crianças, adolescentes, idosos e homossexuais. Segundo ela, o carnaval é uma época do ano em que o público infanto-juvenil fica mais exposto à violência sexual:

- Precisamos não só de governos mais atentos, precisamos de pais e mães mais atentos. Isso é o que eu queria declarar sobre a violência e a exploração sexual: se vocês tiverem dúvida sobre se uma menina ou um menino está sofrendo um abuso, não tenham dúvida de denunciar, sigam a intuição, denunciem, busquem apoio.

A ministra lembrou que a lei brasileira classifica como estupro o ato sexual com menores de 14 anos:

- A legislação diz que, com menos de 14 anos, qualquer relação sexual é uma relação de violação e de estupro de vulnerável. Não basta a gente fazer a lei, é preciso que todo mundo cumpra.

A ministra não escondeu o assombro com a precocidade do relacionamento de Eloá com Lindemberg:

- Vocês não acham uma vergonha esse negócio? As mães de vocês deixam essas coisas? Com 12 (anos)? Tudo bem, o mundo mudou. O principal que eu disse aqui é esse meu sentimento de que criança tem que ser protegida, não basta contar que o governo vai estar fazendo a sua parte. A sociedade tem que fazer a sua parte mesmo. E a família.

Maria do Rosário afirmou que seu objetivo é fazer um alerta às famílias brasileiras:

- Estou fazendo um alerta para as famílias: "Minha filha não". Quero dizer para as outras pessoas, olha, tem tempo para tudo na vida. Tem tempo para namorar, tem tempo para viver a sexualidade de uma forma e tem tempo para estar também podendo brincar, subir em árvore, correr. E as crianças do Brasil e do mundo estão muito cedo sexualizadas. E isso não é culpa delas ou responsabilidade delas. Isso é responsabilidade da sociedade, até dos meios de comunicação e das famílias também.

A ministra negou que estivesse dando um puxão de orelha na mãe de Eloá:

- Dessa família, não. Acho que essa mãe já tem dores demais para carregar consigo. Quem sou eu para produzir novas dores. Mas isso me serviu de exemplo para pensar. E já que eu tenho oportunidade para fazer a sociedade pensar que tem que ficar mais de olho, cuidar mais - disse ela. - Não me coloque numa situação difícil de dizer que eu estou salvaguardando o assassino. A família não é responsável pelo sujeito que apertou o gatilho. A responsabilidade é totalmente dele. Eu não julgo ninguém, eu quero fazer um alerta. Uma atenção maior com uma criança de 12 anos eu acho que todos nós devemos ter no Brasil.

Durante a visita à central de atendimento telefônico do Disque 100, onde cerca de 450 pessoas trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana, a ministra chegou a conversar com um conselheiro tutelar que visitaria uma casa onde há denúncia de violência sexual contra uma menina. Por motivo de segurança, a ministra não revelou a cidade nem o teor da denúncia. Neste carnaval de 2012, o Disque 100 concentrará esforços no atendimento a dois tipos de denúncia: violência sexual contra crianças e adolescentes e homofobia.