terça-feira, fevereiro 21, 2012

Nunca na História desse país houve uma jogada tão suja como a manobra com as ações da Petrobras

Tribuna da Imprensa

O comentarista Mario Assis, ex-secretário de Administração do governo do RJ, sempre atento ao lance, nos manda esse importante artigo de denúncia sobre o caso do sobe-e-desce das ações da Petrobras na Bovespa.

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Roberto Saboya

O presidente de uma grande empresa, carro chefe do mercado de ações brasileiro, reclama com a chefe do presidente do conselho que a empresa não tem condições de continuar vendendo sua mercadoria por um preço abaixo do custo.

A chefe do presidente do conselho diz que tem de ser assim porque é do “interesse nacional”. O presidente insiste e é defenestrado. Em seu lugar assume uma amigona da chefe do presidente do conselho que diz que vai continuar vendendo por preço abaixo do custo.

Humilhado, o presidente demitido apresenta um incrível balanço, aparentemente errado, com um lucro 50% menor do que o esperado e vai, todo sorridente, brincar o carnaval na Bahia. Investidores estrangeiros, que tinham colocado R$ 7 bilhões em diversas empresas no mês passado, saem em correria vendendo R$ 900 milhões em um único dia.

Investidores nacionais, desde o Estado controlador até a velhinha de Taubaté, que investiu sua aposentadoria na empresa, perdem, em um único dia, R$ 28 bilhões.

No dia seguinte, data da posse da amigona, a chefe do presidente do conselho manda os bancos estatais e investidores institucionais de empresas estatais, sobre os quais exerce forte domínio, comprarem as ações que os estrangeiros venderam (R$ 1,1 bilhão), enquanto os estrangeiros descarregam mais R$ 349 milhões. As ações voltam a subir. O prejuízo de R$ 28 bilhões cai para R$ 12 bilhões.

Posse tomada, crachá nº1 no peito, a nova presidente parte para cuidar dos “interesses nacionais”, e as ações caem 5% em um único dia, e os investidores, brasileiros ou não, perdem mais R$ 20 bilhões.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Perguntinha para a turma da CVM: pode o acionista controlador, no caso o Estado, provocar, consciente e premeditadamente, prejuízos aos acionistas, e no volume que acima se vê, sem que seja responsabilizado judicialmente? Acaso este tipo de "gestão" não se chama de fraudulenta? Ou seria crime de responsabilidade?  

Por mais "controlador" que seja, decisões temerárias que provoquem prejuízos aos acionistas de uma companhia aberta, não podem ficar impunes, ainda mais, como se viu, quando estas decisões acabam  provocando uma transferência fraudulenta de ações justamente para o controlador, ou para companhias controladas pelo mesmo acionista, no caso, os bancos públicos.

Com a palavra, portanto, a Comissão de Valores Mobiliários.