segunda-feira, agosto 25, 2014

África do Sul, Senegal e Chade bloqueiam entrada de viajantes de países afetados por ebola

O Globo

Medida vai contra recomendações da OMS, que teme o agravamento da crise de desabastecimento de água e alimentos

Abbas Dulleh / AP
 Homem carrega mantimentos doados pela ajuda humanitária 
na comunidade de West Point, em Monróvia, capital da Libéria  

RIO - Países africanos anunciaram nesta quinta-feira o fechamento de fronteiras para viajantes procedentes de locais afetados pela epidemia do ebola, numa medida que tenta conter o surto, mas eleva as chances de aumento da escassez de alimentos e suprimentos em Libéria, Serra Leoa e Guiné. A África do Sul anunciou que impedirá a entrada de pessoas procedentes dos três países. O Senegal, que tinha imposto bloqueios no início do surto do vírus, voltou a restringir a entrada de viajantes. Já o Chade declarou que fechará a fronteira com a Nigéria para impedir a chegada da doença, apesar de o país ter registrado apenas 15 casos de infecção, num total de 2.473.

A medida da África do Sul incluiu todos os viajantes de Guiné, Libéria e Serra Leoa. O primeiro-ministro do Chade, Kalzeubet Payimi Deubet, afirmou que, apesar do impacto econômico, a decisão “é imperativa para a saúde pública”. Companhias aéreas como Kenya Airways e a Gambia Bird suspenderam voos para os países atingidos pela epidemia, mesmo com novos procedimentos de inspeção nos aeroportos. Estados Unidos e vários países europeus também aconselharam que viagens não essenciais à região sejam evitadas.

O fechamento de fronteiras contraria recomendações da Organização Mundial de Saúde que alertam para a falta de alimentos, combustível e gêneros de primeira necessidade nos países. A agência anunciou, esta semana, que abastecerá um milhão de pessoas mantidas em zonas de quarentena. E ontem negou que 70 pessoas mortas no norte da República Democrática do Congo, devido a um surto de gastroenterite hemorrágica, estivessem contaminadas pelo ebola.

Na favela West Point, em Monróvia, capital da Libéria, isolada por militares que chegaram a abrir fogo contra a população na quarta-feira, centenas de pessoas se acotovelaram rumo a caminhões com água e arroz.

— Eu não como desde ontem. Tenho quatro crianças pequenas e nenhum de nós está comendo. Me sinto mal — disse Hawa Saah, de 23 anos, à agência Reuters. Ela está grávida e reside em West Point.