quinta-feira, outubro 11, 2007

E Lula era privatista e a gente nem sabia...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Este mundo dá muitas voltas, não é mesmo ? Antes, aqueles que foram literalmente contra a CPMF, são hoje seus maiores defensores. São capazes de tudo, até de jogar a ética no lixo em nome dos R$ 40 bilhões anuais que a contribuição é capaz de produzir. Assim, também, no terreno das privatizações, aqueles que armavam um circo dos horrores, vociferavam com extrema histeria contra a “entrega do patrimônio do país” para os investidores neoliberais e globalizados, hoje se convenceram de que o caminho para o país sair do atraso e entregar-se de corpo e alma ao progresso e ao modernismo, deve passar obrigatoriamente pela privatização. São até capazes de criticarem, vejam vocês a ironia, que as privatizações dos outros é que foram feitas. Que boas são as deles, mesmo que no ridículo a maioria dela seja entregue. Nada como uma privatização depois da outra, em governos diferentes...

Nesta semana, o país pode constatar como age o PT e seu terrorismo acéfalo que, apesar de ser depredador e canalha, consegue tirar proveito num quadro político em que existe de tudo, menos oposição competente. Houvesse competência de parte de tucanos e democratas, e Lula não faria tanto holofote como tem feito, ocupando espaço com fatos que joga diariamente, com discursos palanqueiros que se sucedem um após o outro, numa coleção de cretinices verbais e pensamentos delinqüentes que poderiam ser usados contra ele mesmo. Ao contrário, diante da apatia da oposição, acabam rendendo-lhe frutos políticos que ele vai colecionando tranqüilo e sem sustos.

Assim, a semana teve desde privatização, até terrorismo sobre o Congresso por conta da CPMF, passando pela ação arbitrária de colocar o Congresso em segundo plano quando este rejeitou uma de muitas centenas de MPs.

Começo com um movimento fundamentalista da CUT-PT, famigerado antro de terroristas e falsos profetas, que se indispuseram ao governador José Serra quando este anunciou a licitação para a contratação de uma consultoria para avaliar os ativos das estatais do Estado de São Paulo. Vai que, o antro de fanáticos xiitas viram no gesto uma iminente movimentação para privatização de empresas estatais. E se puseram em campo a praticar seu terrorismo imbecilóide, vendo chifres em cabeça de cavalo, torrando a paciência de quem quer trabalhar e praticando um terrorismo inconseqüente e canalha.

Mas, vai daí que...

Depois de oito anos de muitas idas e vindas, sete lotes de rodovias federais foram a leilão hoje na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com, pelo menos, 28 grupos interessados. Em jogo estão 2.580 quilômetros de estradas federais que cortam seis Estados brasileiros nas Regiões Sul e Sudeste do País. De acordo com especialistas, todos os lotes são atrativos, mas os que devem receber maior número de propostas são os que incluem a Régis Bittencourt (BR-116) e a Fernão Dias (BR-381). Ao contrário de tempos idos, a maior e melhor fatia ficou para um grupo espanhol que, até agora, ninguém consegue definir quem sejam seus controladores. E quem comandou as privatizações ? E quem comemorou o deságio havido? Pois então, ele mesmo, o pai defensor do patrimônio nacional, aquele mesmo que na eleição de 2006 enterrou seu opositor com a calúnia de que este privatizaria Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e mais os Correios de contrapeso. E, de quebra, enquanto fazia privatização de um lado, de outro, praticava o discurso contra as privatizações feitas pelos governos anteriores. Ora, se isso não representa uma personalidade doentia e cafajeste, então precisamos mudar o seu significado nos dicionários. Leiam: "O pouco que a gente tinha foi privatizado e, em muitos casos, não exigiram responsabilidade daquele que privatizou para fazer os investimentos necessários", disse o presidente nesta terça-feira, 9, em Anápolis (GO), durante inauguração da duplicação de 121 quilômetros da rodovia BR-060 que ligam Brasília a Anápolis.

Na ocasião, Lula prometeu que entregará 1.234 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul (do Pará a Goiás) e 1.900 da Ferrovia Transnordestina (sudeste do Piauí ao Porto de Suape, em Pernambuco) até o final de seu mandato, em 2010.

"Esse país deixou de ser um país de faz-de-conta, deixou de ser um país onde cada um fazia o que queria e a maioria não queria fazer", afirmou, completando que não há investimento em infra-estrutura desde o governo Geisel (1974 a 1979), o que, segundo ele, "atrofiou" o Brasil.

Na verdade, o faz de conta do vossa excelência deve ser a ele aplicado. Porque, enquanto na oposição, ele fazia de conta que criticava, para no poder, fazia e copiar tudo o que outros fizeram. A propósito, e como vai a privatização da Amazônia, senhor presidente ? Nas mãos de quem você está entregando, este sim, nosso maior patrimônio natural ?

Na semana passada, ainda tivemos o lance macabro desta canalhice petista. A Vale do Rio Doce arrematou na quarta, em leilão, a subconcessão de um trecho de 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul pelo preço mínimo de R$ 1,478 bilhão. A mineradora foi a única empresa credenciada a participar da disputa. A companhia será responsável pela operação, conservação e manutenção do trecho entre Açailândia, no Estado do Maranhão, e Palmas, em Tocantins, pelo período de 30 anos. Quando estiver completa, a Ferrovia Norte-Sul terá 1.980 quilômetros, ligando Belém (PA) a Anápolis (GO). Ou seja, justamente a empresa que eles querem reestatizar foi a única participante e venceu pelo PREÇO MINIMO, um trecho de ferrovia privatizada pelo vossa excelência !

E ele se acha no direito de ainda criticar a privatização dos outros? Ora, que vossa excelência vá lamber sabão!!!

E agora fica a pergunta: cadê a oposição que foi injuriada na campanha eleitoral e que até agora sequer se manifestou? Onde ela se escondeu para acusar vossa excelência de estelionato eleitoral quanto às acusações levianas e caluniosas que lançou sobre seu adversário? E onde estavam os valentes da CUT-PT desfraldando suas bandeiras e seus gritos de protestos na porta da Bolsa de Valores de São Paulo enquanto lá dentro transcorria calmamente a privatização das rodovias? Isto demonstra bem o nível de política imunda e ordinária que esta gente pratica.

Não que não se deva privatizar rodovias, portos, aeroportos e ferrovias. É uma imposição moderna que assim se faça. Nas mãos da iniciativa privada são geridas com maior competência do que quando entregue ao Estado que as transforma em sumidouro de recursos públicos em históricos e permanentes déficits provocados pela incompetência gerencial, além de serem convertidas em cabides do empreguismo irresponsável e de compadrio.

O inadmissível é o discurso calhorda que se prega sempre contra um só lado. É a apologia da destruição da capacidade de gestão pública que mal consegue gerir suas obrigações mínimas, e ainda fica sonhando delirante em aumentar as tetas por donde escorregam cargos e recursos a privilegiar apenas a casta dos amigos do rei. Como é inadmissível golpear a história com discursos infames e mistificadores que, além da confusão que acabam gerando, servem ainda para encobrir de glórias quem merece não mais do que repúdio, por mentir tão desbragadamente como faz.

Incrível é que se tenha deixado transcorrer tanto tempo em que a infra-estrutura do país foi submetida a um processo incrível de deterioração, para eles se darem conta de que estavam errados. Claro que, como bons cafajestes que são, jamais admitirão isto. Só que não precisávamos ter sofrido tanto para estes imbecis terem aprendido o básico na arte de governar.