COMENTANDO A NOTICIA vai tratar neste artigo de assunto que tem andado meio na moda, em razão da campanha eleitoral, e que acreditamos não esteja recebendo o devido enfoque que o assunto merece, bem como têm sido dito muita besteira sem um pingo de respeito à realidade. Tem gente falando do que não sabe e não entende, e outros, menos informados, tem como que comprado gato por lebre.
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A primeira desmistificação que se deve fazer é, para quê o governo quer manter como estatal um hotel ? Ou uma siderúrgica ? Ou mesmo uma companhia telefônica ? Há atividades que precisam mesmo que o estado atue e faça o papel de empresário. São estratégicas ao desenvolvimento das nações. No Brasil, por exemplo, não se imagina o grande avanço na área petrolífera e petroquímica sem a participação da Petrobrás. Bem como não se imagina programas sociais e financiamento de habitação popular sem um suporte da Caixa Econômica. Mas menos verdade, é mantê-las, após um tempo de maturação, como caixas pretas para privilegiar uma casta, e sustentar monopólios que mais fazem do que provocar atrasos e prejuízos ao próprio estado. O exemplo mais claro disso que temos bem próximo no tempo, foi a antiga União Soviética.
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No Brasil, a EMBRAER, por exemplo, foi estatal desde o seu nascimento, no tempo da ditadura militar. Enquanto esteve nas mãos do governo, a empresa quase foi à bancarrota. Bastou, no entanto, ser privatizada, tornou-se uma das mais importantes indústrias de aeronáutica do mundo. Vejam outro caso: a telefonia. Enquanto estatal, não sofreu nenhuma evolução tecnológica. Ao contrário. O telefone era considerado um ativo passível de ser informado na Declaração de Bens à Receita Federal. Uma linha valia tres mil dólares, fora claro o mercado negro que deitou e rolou por anos a fio. Depois de privatizada, hoje virou uma necessidade básica de consumo, e tão disponível a qualquer cidadão do país. Já são mais de 90,0 milhões de celulares em mãos de brasileiros. Hoje, para um simples motoboy nas grandes cidades, seria impensável trabalhar sem seu celular, mesmo que seja a cartão. Assim, o mecânico de automóveis, a pizzaria mais próxima, a farmácia da emergência, a costureira, a doceira, serviços de entrega rápida. Ou seja, após privatizada, a telefonia não apenas universalizou-se. Mas gerou emprego, renda, tornou as comunicações muito mais instantâneas, ágeis, dinamizando toda a vida moderna das pessoas. E ainda assim, com todo este impacto, tem gente que se diz contra. Ou, neste caso, se trata de enorme ignorância, ou de enorme má fé.
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Mas não falaremos apenas de telefonia. Vamos abordar o assunto com uma amplitude que nos parece muito mais importante do que a discussão vagabunda dos "estatizantes" de plantão. Afinal, a vida moderna é para proporcionar melhores condições e qualidade de vida para todos, não apenas para gerar empregos para meia dúzia de amigos do poder.
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Deste modo, entendemos ser oportuno ao falar de privatizações, abordar o tema inserido no contexto da infra-estrutura. Este o lado. Por quê ? Porque este é um fator decisivo, juntamente com outros quatro temas – educação, judiciário ágil, tributação e desburocratização - não apenas para atrair investimentos, mas, também, para proporcionar bem estar para toda a sociedade, e um bem estar de longo prazo.
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Muito embora o presidente Lula em seu programa de tevê aborde esta questão como tendo realizado "maravilhas" nos últimos quatro anos, a bem da verdade o presidente continua na sua rotina de mentir. Mentir que fez o que longe está de se começar a fazer. Há obras inauguradas por ele uma quatro ou cinco vezes. Apenas, que o nome certo não é inauguração de obra feita, e sim a declaração da intenção de fazê-la. Um dia. Quem sabe ?
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Vamos iniciar esta série reproduzindo matéria publicada pela Revista Veja,e a partir daí, passando por telefonia, estradas, portos, ferrovias, energia, etc, vamos demonstrar que primeiro este governo não criou um único programa neste sentido. Ou inaugurou o que havia começado antes de sua posse, ou, tiveram sua concepção no mandato de seu antecessor.
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Por fim, vamos comparar o que realmente Lula "fez" com o que estava sendo feito tanto no Brasil, quanto no exterior, para que o leitor possa, mediante informações e não mentiras, antever o que seriam mais quatro anos de desastre e retrocesso.
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A seguir, a reportagem da Revista Veja.
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A primeira desmistificação que se deve fazer é, para quê o governo quer manter como estatal um hotel ? Ou uma siderúrgica ? Ou mesmo uma companhia telefônica ? Há atividades que precisam mesmo que o estado atue e faça o papel de empresário. São estratégicas ao desenvolvimento das nações. No Brasil, por exemplo, não se imagina o grande avanço na área petrolífera e petroquímica sem a participação da Petrobrás. Bem como não se imagina programas sociais e financiamento de habitação popular sem um suporte da Caixa Econômica. Mas menos verdade, é mantê-las, após um tempo de maturação, como caixas pretas para privilegiar uma casta, e sustentar monopólios que mais fazem do que provocar atrasos e prejuízos ao próprio estado. O exemplo mais claro disso que temos bem próximo no tempo, foi a antiga União Soviética.
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No Brasil, a EMBRAER, por exemplo, foi estatal desde o seu nascimento, no tempo da ditadura militar. Enquanto esteve nas mãos do governo, a empresa quase foi à bancarrota. Bastou, no entanto, ser privatizada, tornou-se uma das mais importantes indústrias de aeronáutica do mundo. Vejam outro caso: a telefonia. Enquanto estatal, não sofreu nenhuma evolução tecnológica. Ao contrário. O telefone era considerado um ativo passível de ser informado na Declaração de Bens à Receita Federal. Uma linha valia tres mil dólares, fora claro o mercado negro que deitou e rolou por anos a fio. Depois de privatizada, hoje virou uma necessidade básica de consumo, e tão disponível a qualquer cidadão do país. Já são mais de 90,0 milhões de celulares em mãos de brasileiros. Hoje, para um simples motoboy nas grandes cidades, seria impensável trabalhar sem seu celular, mesmo que seja a cartão. Assim, o mecânico de automóveis, a pizzaria mais próxima, a farmácia da emergência, a costureira, a doceira, serviços de entrega rápida. Ou seja, após privatizada, a telefonia não apenas universalizou-se. Mas gerou emprego, renda, tornou as comunicações muito mais instantâneas, ágeis, dinamizando toda a vida moderna das pessoas. E ainda assim, com todo este impacto, tem gente que se diz contra. Ou, neste caso, se trata de enorme ignorância, ou de enorme má fé.
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Mas não falaremos apenas de telefonia. Vamos abordar o assunto com uma amplitude que nos parece muito mais importante do que a discussão vagabunda dos "estatizantes" de plantão. Afinal, a vida moderna é para proporcionar melhores condições e qualidade de vida para todos, não apenas para gerar empregos para meia dúzia de amigos do poder.
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Deste modo, entendemos ser oportuno ao falar de privatizações, abordar o tema inserido no contexto da infra-estrutura. Este o lado. Por quê ? Porque este é um fator decisivo, juntamente com outros quatro temas – educação, judiciário ágil, tributação e desburocratização - não apenas para atrair investimentos, mas, também, para proporcionar bem estar para toda a sociedade, e um bem estar de longo prazo.
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Muito embora o presidente Lula em seu programa de tevê aborde esta questão como tendo realizado "maravilhas" nos últimos quatro anos, a bem da verdade o presidente continua na sua rotina de mentir. Mentir que fez o que longe está de se começar a fazer. Há obras inauguradas por ele uma quatro ou cinco vezes. Apenas, que o nome certo não é inauguração de obra feita, e sim a declaração da intenção de fazê-la. Um dia. Quem sabe ?
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Vamos iniciar esta série reproduzindo matéria publicada pela Revista Veja,e a partir daí, passando por telefonia, estradas, portos, ferrovias, energia, etc, vamos demonstrar que primeiro este governo não criou um único programa neste sentido. Ou inaugurou o que havia começado antes de sua posse, ou, tiveram sua concepção no mandato de seu antecessor.
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Por fim, vamos comparar o que realmente Lula "fez" com o que estava sendo feito tanto no Brasil, quanto no exterior, para que o leitor possa, mediante informações e não mentiras, antever o que seriam mais quatro anos de desastre e retrocesso.
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A seguir, a reportagem da Revista Veja.
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Vivam as privatizações!
Lula as abomina. Alckmin as defende com timidez,
mas a venda de estatais é a melhor maneira de
combater a corrupção, o aparelhamento e a ineficiência.
Por Giuliano Guandalini
Publicado na Revista Veja
Surgiu finalmente na campanha eleitoral o debate sobre dois temas essenciais, as privatizações e os gastos públicos. O candidato Lula da Silva e o desafiante Geraldo Alckmin evitavam o máximo possível tocar nesses assuntos, considerados sensíveis pela opinião pública. Mas Lula, desde que foi acuado no debate do domingo, partiu para o ataque e acusou o tucano de ter como plataforma a redução dos gastos públicos e a venda de estatais. "As únicas coisas que eles sabem fazer é privatizar e cortar gastos", afirmou Lula, como se isso fosse uma mácula, e não uma virtude. O PT disseminou a boataria segundo a qual Alckmin venderia a Petrobras, o Banco do Brasil e outras companhias públicas. Essas privatizações, defendidas com bons argumentos, são corretas em princípio, mas impraticáveis por inapetência do mercado para absorver esses gigantes. Alckmin foi falsamente acusado de querer vendê-los .
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Publicado na Revista Veja
Surgiu finalmente na campanha eleitoral o debate sobre dois temas essenciais, as privatizações e os gastos públicos. O candidato Lula da Silva e o desafiante Geraldo Alckmin evitavam o máximo possível tocar nesses assuntos, considerados sensíveis pela opinião pública. Mas Lula, desde que foi acuado no debate do domingo, partiu para o ataque e acusou o tucano de ter como plataforma a redução dos gastos públicos e a venda de estatais. "As únicas coisas que eles sabem fazer é privatizar e cortar gastos", afirmou Lula, como se isso fosse uma mácula, e não uma virtude. O PT disseminou a boataria segundo a qual Alckmin venderia a Petrobras, o Banco do Brasil e outras companhias públicas. Essas privatizações, defendidas com bons argumentos, são corretas em princípio, mas impraticáveis por inapetência do mercado para absorver esses gigantes. Alckmin foi falsamente acusado de querer vendê-los .
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Lula afirmou na semana passada, em entrevista ao jornal O Globo, que não teria privatizado a Telebrás nem a mineradora Vale do Rio Doce. Miopia ideológica do presidente-candidato. Foi a privatização da Telebrás que levou o telefone às camadas mais pobres da população, dando aos marceneiros, encanadores, mecânicos, costureiras, cozinheiras e outros profissionais um imprescindível instrumento de trabalho. O Brasil caminha para ter 100 milhões de telefones celulares, vendidos a preço de banana e com tarifas ao alcance do bolso dos trabalhadores. A Telebrás que Lula endeusa vendia um telefone por 5.000 dólares e, pior, não o entregava. Só os amigos do rei conseguiam ver suas linhas instaladas. Vivessem as telecomunicações ainda sob o jugo da Telebrás hoje, só os petistas teriam direito a um telefone. Será que é isso que atrai Lula no modelo estatal de telefonia? A Vale era uma empresa funcional mesmo sob o comando estatal. Porém não pagava impostos e não tinha capital próprio para se modernizar, crescer, nem podia atrair investidores privados. Estava condenada ao sucateamento. Privatizada, tornou-se uma das maiores empresas do setor. Suas ações valorizaram-se 500% nos últimos cinco anos. O estatismo ruiu em todo o mundo, por sua ineficiência e estímulo à corrupção. Sua reencarnação tropical sob os auspícios do PT é anacrônica e altamente suspeita.
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Outro tema vital, a contenção dos gastos públicos, também entrou no debate pela porta dos fundos e de maneira enviesada. O assunto só ganhou destaque depois que um dos formuladores do programa de Alckmin, o economista Yoshiaki Nakano, defendeu o corte de gastos e o fim do déficit público. O petista Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Lula, foi rápido no gatilho e acusou os tucanos de ter a intenção de enxugar programas sociais. Nakano muitas vezes é criticado por suas propostas heterodoxas sobre câmbio e juros, mas quem o conhece sabe que as críticas de Garcia não fazem sentido. Para o tucano, que foi secretário da Fazenda paulista, o ajuste deve ocorrer por meio da melhora na gestão pública, e não pela redução do investimento social. Ainda assim, temendo o desgaste político, Alckmin desautorizou Nakano. Quando o tema é a Previdência, os tucanos são ainda mais escorregadios. Já o programa de Lula não tem meias palavras: a gastança vai continuar e não haverá reforma da Previdência. A confusão é que petistas que trabalham nos ministérios da Fazenda e do Planejamento sabem do drama nas contas públicas e defendem uma redução dos gastos. Eles chegaram a articular, antes de Antonio Palocci ter caído em desgraça, um projeto para zerar o déficit público. Afinal, quem fala pelo presidente Lula, os integrantes de seu governo ou os companheiros que escreveram o seu programa de campanha?
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Se aumento de gasto público significasse progresso, o Brasil seria hoje um dos países mais avançados do planeta. Em 1995, as despesas da máquina federal consumiam 208 bilhões de reais. Em 2005, os gastos chegaram a 364 bilhões de reais, um inchaço de 75% nesses dez anos. A despeito de alguns tímidos avanços nos indicadores sociais, esse aumento não se reverteu em benefícios para a população como se apregoa. Além disso, o país cresce menos que todos os demais emergentes, e os trabalhadores ganham hoje, em média, menos do que recebiam há dez anos. O governo sugou recursos da economia e achatou o salário dos brasileiros.
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Mas, se o governo gasta tanto e os serviços públicos continuam péssimos, o que explica esse abrupto avanço nas despesas federais? "A Previdência", responde o economista Fabio Giambiagi, um dos maiores especialistas em contas públicas do país. Giambiagi, que trabalha no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acaba de concluir um livro no qual mostra como as contas previdenciárias representam o mais sério desequilíbrio fiscal do país. Em 1988, quando foi promulgada a nova Constituição, os benefícios e aposentadorias pagos pelo INSS (sistema previdenciário dos trabalhadores do setor privado) somavam o equivalente a 2,5% do PIB do país. No ano que vem, essas despesas custarão 8% do PIB. O déficit entre as despesas e a arrecadação supera 40 bilhões de reais ao ano. Sem conter o avanço desses gastos não há como reduzir a carga tributária nem ampliar o investimento público em infra-estrutura, dois requisitos vitais para dar novo ânimo à economia. Afirma o economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central: "O Brasil avançou em vários aspectos, mas não fez nenhuma reforma estrutural nos últimos anos. Sem isso não há a menor possibilidade de crescer aceleradamente. Estamos ficando para trás. Enquanto todos os países estão correndo, o Brasil está andando. Quase todos os países emergentes têm fragilidades e problemas regulatórios. A diferença em relação ao Brasil é que eles têm um Estado muito menor". E como diminuir o Estado? Privatizando e cortando gastos.
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Outro tema vital, a contenção dos gastos públicos, também entrou no debate pela porta dos fundos e de maneira enviesada. O assunto só ganhou destaque depois que um dos formuladores do programa de Alckmin, o economista Yoshiaki Nakano, defendeu o corte de gastos e o fim do déficit público. O petista Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Lula, foi rápido no gatilho e acusou os tucanos de ter a intenção de enxugar programas sociais. Nakano muitas vezes é criticado por suas propostas heterodoxas sobre câmbio e juros, mas quem o conhece sabe que as críticas de Garcia não fazem sentido. Para o tucano, que foi secretário da Fazenda paulista, o ajuste deve ocorrer por meio da melhora na gestão pública, e não pela redução do investimento social. Ainda assim, temendo o desgaste político, Alckmin desautorizou Nakano. Quando o tema é a Previdência, os tucanos são ainda mais escorregadios. Já o programa de Lula não tem meias palavras: a gastança vai continuar e não haverá reforma da Previdência. A confusão é que petistas que trabalham nos ministérios da Fazenda e do Planejamento sabem do drama nas contas públicas e defendem uma redução dos gastos. Eles chegaram a articular, antes de Antonio Palocci ter caído em desgraça, um projeto para zerar o déficit público. Afinal, quem fala pelo presidente Lula, os integrantes de seu governo ou os companheiros que escreveram o seu programa de campanha?
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Se aumento de gasto público significasse progresso, o Brasil seria hoje um dos países mais avançados do planeta. Em 1995, as despesas da máquina federal consumiam 208 bilhões de reais. Em 2005, os gastos chegaram a 364 bilhões de reais, um inchaço de 75% nesses dez anos. A despeito de alguns tímidos avanços nos indicadores sociais, esse aumento não se reverteu em benefícios para a população como se apregoa. Além disso, o país cresce menos que todos os demais emergentes, e os trabalhadores ganham hoje, em média, menos do que recebiam há dez anos. O governo sugou recursos da economia e achatou o salário dos brasileiros.
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Mas, se o governo gasta tanto e os serviços públicos continuam péssimos, o que explica esse abrupto avanço nas despesas federais? "A Previdência", responde o economista Fabio Giambiagi, um dos maiores especialistas em contas públicas do país. Giambiagi, que trabalha no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acaba de concluir um livro no qual mostra como as contas previdenciárias representam o mais sério desequilíbrio fiscal do país. Em 1988, quando foi promulgada a nova Constituição, os benefícios e aposentadorias pagos pelo INSS (sistema previdenciário dos trabalhadores do setor privado) somavam o equivalente a 2,5% do PIB do país. No ano que vem, essas despesas custarão 8% do PIB. O déficit entre as despesas e a arrecadação supera 40 bilhões de reais ao ano. Sem conter o avanço desses gastos não há como reduzir a carga tributária nem ampliar o investimento público em infra-estrutura, dois requisitos vitais para dar novo ânimo à economia. Afirma o economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central: "O Brasil avançou em vários aspectos, mas não fez nenhuma reforma estrutural nos últimos anos. Sem isso não há a menor possibilidade de crescer aceleradamente. Estamos ficando para trás. Enquanto todos os países estão correndo, o Brasil está andando. Quase todos os países emergentes têm fragilidades e problemas regulatórios. A diferença em relação ao Brasil é que eles têm um Estado muito menor". E como diminuir o Estado? Privatizando e cortando gastos.